
No Fórum Empresarial da ACAPS, Flávia Borges destacou a importância de transformar dados operacionais em metas, responsabilidades e processos permanentes
A gestão por indicadores contribui não apenas para melhorar os resultados operacionais dos supermercados, mas também para preservar processos, conhecimentos e práticas de gestão ao longo das gerações.
Essa foi uma das principais mensagens apresentadas por Flávia Borges, diretora administrativa da JPavani e diretora do Comitê de Eficiência Operacional da ABRAS, durante palestra realizada no Fórum Empresarial da Associação Capixaba de Supermercados – ACAPS, nesta terça-feira (21/07), em Vitória, no Espírito Santo.
Segundo Flávia, muitas empresas familiares ainda concentram decisões e conhecimentos na experiência de seus fundadores. Embora essa trajetória seja um ativo importante, a continuidade do negócio depende da capacidade de transformar a experiência acumulada em indicadores objetivos, processos documentados e rotinas que possam ser acompanhadas por gestores e sucessores.
Ela ressaltou que os indicadores criam uma linguagem comum entre as gerações e permite que o sucessor receba um sistema de gestão, e não apenas uma lembrança de como o fundador conduzia a empresa.
Indicadores precisam fazer parte da rotina
Mais do que reunir informações, a gestão por indicadores deve permitir que a empresa identifique problemas, investigue suas causas e defina ações concretas.
Entre as recomendações apresentadas por Flávia estão a realização de contagens periódicas por categoria, a exposição dos indicadores em painéis acessíveis às equipes e a definição de um responsável por indicador.
Outra orientação é promover reuniões semanais, com duração aproximada de 15 minutos, dedicadas à análise dos resultados. Antes de adotar uma solução, a empresa deve identificar a origem do problema.
Uma perda observada no açougue, por exemplo, pode ter sido provocada por falhas na compra, no recebimento, na armazenagem, na pesagem, na manipulação, na conservação ou na exposição do produto. A análise da causa permite atuar sobre o processo, em vez de apenas corrigir seus efeitos.
Como ponto de partida, Flávia sugeriu que as empresas escolham três indicadores prioritários, nomeiem um responsável por cada um e acompanhem mensalmente sua evolução, comparando os resultados com referências do setor e de estabelecimentos de formato semelhante.

Eficiência Operacional no Espírito Santo atinge 97,89% em 2025
No recorte das empresas participantes do Espírito Santo, a eficiência operacional alcançou 97,89% em 2025.
O índice representa que, a cada R$ 100 movimentados pelas empresas analisadas, R$ 97,89 foram preservados na operação e R$ 2,11 corresponderam às ineficiências identificadas.
No formato supermercado convencional, a ineficiência registrada no recorte capixaba foi de 2,49%, ante 2,15% na média nacional.
A comparação com referências nacionais e por formato de loja ajuda cada supermercado a compreender seus resultados e identificar oportunidades de melhoria.
Açougue exige atenção aos processos
O açougue ocupa posição relevante nas operações supermercadistas capixabas. No recorte apresentado sobre os associados da ACAPS, 91,38% das empresas informaram possuir essa seção em suas lojas.
Entre as empresas analisadas no Espírito Santo, as carnes bovinas representaram 61,46% do faturamento das proteínas pesquisadas, seguidas pelas aves, com 29,26%, e pelas carnes suínas, com 9,28%.
No recorte nacional da ABRAS, as carnes bovinas também apresentaram a maior participação no faturamento do açougue, com 59,20%. As aves responderam por 28,40%, e as carnes suínas, por 12,50%.
Os resultados reforçam a importância de acompanhar separadamente o desempenho de cada categoria. Na pesquisa nacional, a ineficiência reportada foi de 3,85% nos bovinos, 4,60% nas aves e 4,93% nos suínos.
Esses percentuais não devem ser interpretados como uma comparação direta de desempenho entre as proteínas. Diferenças de giro, conservação, manipulação, validade, cortes e rendimento podem influenciar os resultados. Por isso, a recomendação é acompanhar tanto a perda total da seção quanto, sempre que possível, os indicadores específicos de cada categoria.
Medir para transformar
A gestão por indicadores não deve ser uma atribuição exclusiva da controladoria ou da área de prevenção de perdas. Cada setor precisa conhecer seus resultados e participar da construção das soluções.
No açougue, isso significa envolver os responsáveis pela compra, pelo recebimento, pela produção, pelo armazenamento e pela exposição. A mesma lógica pode ser aplicada ao hortifrúti, à padaria, à rotisseria e às demais áreas da operação.
A mensagem central da palestra foi que melhorar a operação começa por medir o que acontece dentro da loja, identificar as causas dos resultados e transformar essas informações em metas e ações permanentes.
Os principais indicadores utilizados pelas empresas supermercadistas integram a Pesquisa Eficiência Operacional da ABRAS.