A cada R$ 100,00 vendidos pelos supermercados mineiros, R$ 97,88 foram preservados na operação

Após dois anos consecutivos de retração, a eficiência operacional do varejo supermercadista mineiro voltou a crescer em 2025. Segundo a Pesquisa Eficiência Operacional da ABRAS 2026, o indicador alcançou 97,88%, avançando em relação aos 97,65% registrados em 2024. Apesar da recuperação, o resultado ainda permanece abaixo do patamar observado em 2022, quando a eficiência operacional do Estado atingiu 98,09%.
Na prática, o índice significa que, a cada R$ 100 vendidos pelos supermercados mineiros, R$ 97,88 foram preservados na operação, enquanto R$ 2,12 corresponderam a perdas. Embora o desempenho tenha evoluído, Minas Gerais segue abaixo da média nacional, que alcançou 98,18% em 2025.
A análise da amostra estadual mostra que 75% das empresas participantes possuem atuação exclusivamente em Minas Gerais. Nesse grupo, a eficiência operacional foi de 97,79%, resultado bastante próximo da média do Estado. A diferença de apenas 0,09 ponto percentual sugere que o desempenho está mais relacionado à qualidade dos processos, controles e práticas de gestão do que à abrangência geográfica das operações.
A recuperação observada em Minas Gerais demonstra que o setor voltou a evoluir em seus indicadores de eficiência operacional, embora ainda exista espaço para avançar até o patamar nacional. Durante o ABRAS em Ação nas Estaduais, realizado em Contagem (MG), a diretora do Comitê de Eficiência Operacional da ABRAS, Flávia Borges, destacou que esse avanço depende de uma mudança na forma de enxergar a operação.
"A eficiência operacional tornou-se estratégia de crescimento. Vamos olhar para dentro da loja, melhorar nossos processos e cuidar das nossas pessoas. E eficiência está em processos e pessoas", afirmou Flávia Borges.
Quebra operacional amplia participação nas perdas
O levantamento mostra que a quebra operacional continua sendo o principal componente da ineficiência em Minas Gerais e ampliou sua participação na composição das perdas, passando de 73% para 75%.
Os maiores impactos estão concentrados nos produtos com prazo de validade, responsáveis por 40% da quebra, e nos produtos impróprios para consumo, que representam 32%. O resultado reforça a importância da gestão dos perecíveis, especialmente em categorias de alta sensibilidade operacional, como FLV, açougue e padaria.
Ao mesmo tempo, o desvio operacional apresentou redução, passando de 17% para 15% das perdas totais. Mesmo com essa queda, o furto externo continua sendo a principal modalidade dentro do grupo, respondendo por 63% dos desvios. O destaque negativo fica para o avanço do furto interno, cuja participação aumentou de 20% para 23%, indicando a necessidade de reforçar controles internos, auditorias e programas de prevenção.
Já as perdas administrativas permaneceram estáveis em 10% da composição total. Dentro desse grupo, os erros de inventário ganharam relevância, passando de 39% para 44%, evidenciando oportunidades de melhoria relacionadas à acuracidade dos estoques, à qualidade dos registros e à integração entre sistemas e operação.
Formatos apresentam perdas acima da média nacional
Na comparação por formatos, Minas Gerais registrou índices de perdas superiores aos observados nacionalmente.
No formato convencional, a ineficiência operacional foi de 3,24%, acima da média brasileira de 2,15%. Já no atacado e atacarejo, o índice mineiro atingiu 2,07%, enquanto a média nacional ficou em 1,54%.
Apesar das diferenças, o comportamento dos formatos segue a mesma tendência observada no restante do país: o atacado/atacarejo apresenta melhor desempenho operacional, enquanto as lojas convencionais concentram níveis mais elevados de perdas.
FLV e açougue concentram oportunidades de melhoria
As categorias perecíveis continuam representando os maiores desafios para a eficiência operacional no Estado.
Na seção de frutas, legumes, verduras e ovos (FLVO), as perdas alcançaram 7,62% no varejo convencional e 7,20% no atacado/atacarejo, índices significativamente superiores às médias nacionais de 5,04% e 5,45%, respectivamente.
Os ovos, que representam 18% da participação da categoria, registraram perdas de 5,56%, abaixo da média geral da seção, mas ainda com impacto relevante devido à sua importância no faturamento.
No açougue, a carne bovina responde por 43,5% do faturamento da seção e apresenta o maior índice de ineficiência, de 5,13%. A carne suína aparece em seguida, com participação de 14,22% e perdas de 4,81%.
Por outro lado, as aves, responsáveis por 42,28% do faturamento do açougue, registraram ineficiência de apenas 1,82%, demonstrando melhor desempenho operacional e maior controle das perdas.
Os resultados indicam que bovinos e suínos concentram as principais oportunidades de ganho de eficiência dentro da seção.
Agregação de valor ganha espaço no FLV
A pesquisa também identificou iniciativas voltadas à geração de valor a partir do melhor aproveitamento dos produtos.
Entre as empresas mineiras participantes, 34% realizam algum tipo de transformação de itens do FLV em coprodutos. Desse total, cerca de 12,5% mantêm processos estruturados e recorrentes, enquanto 23% adotam a prática de forma pontual.
Os produtos mais frequentes são legumes higienizados e cortados, seguidos por frutas cortadas, saladas prontas, mix de folhas e sucos naturais.
A principal matéria-prima utilizada é composta por produtos fora do padrão estético, itens com maturação avançada e, em alguns casos, produtos adquiridos especificamente para esse fim. O movimento mostra que parte do setor já começa a enxergar o aproveitamento dos alimentos não apenas como estratégia de redução de desperdícios, mas também como oportunidade de geração de receita e ampliação de margens.
Suplementos exigem controles reforçados
Outra tendência observada em Minas Gerais é a expansão da categoria de suplementos alimentares. Atualmente, 78% das empresas comercializam produtos como barras proteicas, barras de cereal, vitaminas, whey protein e creatina, seja de forma regular ou sazonal.
No entanto, os principais fatores de perda da categoria estão associados aos furtos e desvios, seguidos pelo vencimento dos produtos. Como resposta, 34% das empresas classificam os suplementos como Produtos de Alto Risco (PAR), adotando medidas como inventários mais frequentes, restrição de acesso e controles adicionais de monitoramento.
A ineficiência média da categoria no Estado gira em torno de 1,5%, reforçando a necessidade de equilibrar o crescimento das vendas com mecanismos de controle capazes de preservar resultados.
Gestão e controle seguem como principais alavancas
Os resultados de Minas Gerais mostram que a recuperação da eficiência operacional está diretamente associada ao fortalecimento dos controles internos, ao monitoramento das perdas e à busca por maior aproveitamento dos ativos da operação.
Embora o Estado tenha apresentado evolução em 2025, os indicadores revelam oportunidades importantes de avanço, especialmente na gestão dos perecíveis, no controle das quebras operacionais e na melhoria dos processos de inventário.
O coordenador do Comitê de Eficiência Operacional da ABRAS, Samuel Peixoto, avalia que a evolução observada no Estado representa um avanço importante, mas também evidencia o potencial de crescimento dos indicadores mineiros.
"Evoluímos na comparação entre 2024 e 2025, mas ainda temos muitas oportunidades de melhoria. Quando comparamos Minas Gerais com o resultado nacional, percebemos que ainda podemos avançar para nos aproximarmos desses indicadores", afirmou Samuel Peixoto.
Em um cenário de margens cada vez mais pressionadas, a capacidade de transformar controle operacional em rentabilidade continua sendo um dos principais diferenciais competitivos do setor supermercadista mineiro.