O setor supermercadista registrou eficiência operacional de 98,18% em 2025, equivalente a uma perda média de 1,82%, conforme estudo da ABRAS apresentado no Smart Market 2026.

O recorte das empresas que participaram das duas últimas edições revela avanço consistente, com ganho relativo de 10,05%. Ainda assim, o desempenho é heterogêneo: 45,95% das empresas cresceram com ganho de eficiência — combinando aumento de faturamento e redução de perdas —, enquanto 29,76% expandiram receita, mas viram as perdas acompanharem esse crescimento, o que acende um alerta sobre a qualidade da gestão operacional. Em cerca de 10% dos casos, houve retração do faturamento com melhora na eficiência, indicando ajustes internos.
A decomposição das perdas mostra que a quebra operacional segue como principal componente, embora tenha recuado de 68% para 62%. Dentro dessa alavanca, o prazo de validade ganha ainda mais relevância, passando de 37% para 41%, reforçando o peso da gestão de estoque e giro. Ao mesmo tempo, chama atenção o avanço da quebra em não perecíveis, indicando novos focos de atenção além das áreas tradicionalmente críticas.
Outro aspecto evidenciado no estudo é a perda não identificada, que sinaliza fragilidades nos processos de controle e, principalmente, na acuracidade dos estoques. “Quando não mensurada corretamente, essa perda pode gerar efeitos em cadeia, como ruptura, excesso de compras e distorções na margem. Parte desse desafio também está associada a desvios não capturados — como furtos internos e externos — que ainda escapam dos mecanismos de controle”, explica a diretora do Comitê de Eficiência Operacional da ABRAS, Flávia Borges. Nesse sentido, o desvio operacional permaneceu estável em 21%, sugerindo maior controle sobre perdas conhecidas, enquanto os desafios passam a se concentrar naquilo que ainda não é plenamente monitorado.
Na alavanca administrativa, os dados reforçam oportunidades claras de melhoria: erros de inventário concentram 47% das ocorrências, seguidos por erros administrativos (32%) e outros ajustes (21%). O cenário evidencia que o avanço da eficiência operacional depende cada vez mais de disciplina na execução, qualidade da informação e integração entre áreas.
Mais informações sobre o estudo serão divulgadas na edição de junho de 2026 da SuperHiper.
