Fungo, a fibra que faltava

Leia em 3min 30s

Produtos plant based ganham um novo capítulo com alimentos não processados e mais sustentáveis

 

Embora muitas fabricantes de proteínas à base de plantas afirmem ter reproduzido o sabor do produto original das carnes, elas não replicam a textura de uma peça inteira – as líderes do setor, Beyond Meat e Impossible Foods, vendem principalmente itens que imitam linguiças ou carne moída. Uma nova startup, especializada em cogumelos, pretende mudar isso. A Meati Foods vem usando o micélio, uma espécie de “teia” da raiz desses fungos comestíveis, para fabricar itens que imitam carne seca, peito de frango, filés e embutidos.

 

“Temos consumido o micélio desde que começamos a ingerir cogumelos”, disse o executivo-chefe e cofundador da empresa, Tyler Huggins. A Meati já atraiu recursos de nomes famosos do universo da gastronomia, como o chef Grant Achatz e o dono de restaurantes David Barber.

 

Uma das vantagens do micélio é sua versatilidade. Algumas cepas dessa estrutura crescem e formam o familiar chapéu do cogumelo, mas o fungo também pode ser utilizado como substituto de plásticos, materiais navais, isolamentos residenciais e imitações de couro – como na versão vegana do tênis Stan Smith, da Adidas.

 

O uso da substância como alternativa para a carne é relativamente recente, mas tem se mostrado promissor, afirma Caroline Bushnell, do Good Food Institute, organização que promove alimentos à base de células e plantas. Para ela, replicar bem a textura do tecido animal é o maior obstáculo para as fabricantes de produtos que imitam a carne.

 

Em parte, é por isso que líderes de mercado como a Beyond Impossible e a Nestlé optaram por fabricar primeiro hambúrgueres e itens que imitam carne moída. A Kellogg, cuja marca Morningstar Farms vende alternativas à carne há décadas, só lançou seus primeiros cortes imitando músculos, os “chik’n tenders”, depois de mais de dois anos de desenvolvimento.

 

A Meati, por sua vez, colhe uma cepa de micélio de crescimento rápido, encontrada em pastagens pelo mundo. Depois, coloca partes do fungo em grandes tanques de metal. A empresa adiciona açúcar aos tonéis e deixa a substância em cultivo por 18 horas, em processo similar ao da fermentação da cerveja. O resultado: blocos fáceis de moldar que imitam a textura da carne real, embalados com proteínas, zinco, fibras e outras vitaminas e minerais.

 

Segundo relatório recente da Bloomberg Intelligence, o mercado de alternativas à carne, que movimentou US$ 4,2 bilhões em 2020, deverá crescer para US$ 74 bilhões nos próximos dez anos. O montante representa menos de 1% do mercado de carne convencional, de US$ 1,3 trilhão.

 

Mesmo com a projeção de forte avanço do segmento, novatas como a Meati (e a concorrente Atlast, com seu bacon à base de micélio) precisarão lutar por espaço nas prateleiras ao lado da Beyond Meat, da Impossible Foods e de outras marcas veganas já estabelecidas. Elas também precisarão atrair consumidores que podem se desmotivar com os altos preços da imitação de carne: a carne moída comum custa US$ 4,38 por libra-peso (453 gramas) nos Estados Unidos, enquanto produtos similares da Beyond Meat e da Impossible Foods saem por US$ 8,39 e US$ 6,49, respectivamente.

 

A Maeti, uma empresa de 40 funcionários, ainda não vendeu seus produtos em supermercados nem definiu os preços, mas pretende cobrar um valor mais acessível, próximo ao da proteína animal convencional. A empresa fez testes de mercado preliminares com restaurantes locais e pretende alcançar públicos maiores em 2022.

 

A startup surgiu em 2019, a partir de um programa de empreendedorismo do Departamento de Energia dos EUA. Huggins, engenheiro ambiental e biólogo de campo, e Justin Whiteley, formado em ciências de materiais, criaram a companhia para tentar encontrar um substituto para a carne que exigisse menos processamento e produtos químicos. Depois do programa, a dupla conseguiu um financiamento de US$ 5 milhões para construir uma primeira fábrica em Boulder, no Estado do Colorado.

 

No mês passado, ainda sem nenhuma receita, a empresa fechou mais uma rodada de investimentos, de US$ 50 milhões. “Eu saberei que fomos bem-sucedidos quando os filés Meati forem servidos em algum restaurante na área rural de Kansas”, diz Huggins. 

 

Fonte: Bloomberg


Veja também

Supermercados lideram uso de energia limpa no varejo brasileiro

Sete a cada dez instalações fotovoltaicas ocorrem no setor que desembolsa anualmente R$ 3 bi O volume...

Veja mais
ESG direciona empreitada de gigante na produção de ovos

Ovos à base de plantas é a nova aposta do Grupo Mantiqueira O Grupo Mantiqueira, de avicultura, &eacu...

Veja mais
Pelo bem do meio ambiente, supermercado adota nova solução de ecoponto

Bandeira da Companhia Sulamericana de Distribuição implementou coleta de esponja sintética Os ...

Veja mais
BRF e AES investem R$ 825 milhões em fonte limpa de energia

Joint-venture que une as duas empresas, reforça compromissos de sustentabilidade da BRF para os próximos 2...

Veja mais
PepsiCo anuncia rígido plano de gestão hídrica

Meta global ambiciosa visa fornecer água potável à cem milhões de pessoas até 2030 en...

Veja mais
Ambev recorre à startup para aumentar produção sustentável

Empresa argentina foi selecionada pela companhia para desenvolver projetos de embalagens que reduzem em 50% as emiss&oti...

Veja mais
Com medidas simples, Bimbo gera impacto ambiental expressivo

Como consequência de iniciativas de alto impacto para o meio ambiente, companhia obterá economia milion&aac...

Veja mais
A próxima fronteira do plant based é o mar

Categoria já aporta recursos de 70 milhões de dólares na Europa e nos Estados Unidos “Is...

Veja mais
Iogurteria Nestlé terá garrafas de iogurtes feitas de plástico reciclado pós-consumo

Até setembro, todos os pontos de vendas no País já terão as novas garrafas de iogurtes Nestl...

Veja mais