Consumidor vai atrás de preço e GPA liga o alerta

Leia em 5min 10s

Presidente da companhia descarta popularização do Pão de Açúcar e defende preço baixo no formato hipermercado

O GPA, dona das redes Extra e Pão de Açúcar, disse nesta quinta-feira, em teleconferência de resultados, que a operação de hipermercados foi afetada pela base forte de comparação de 2020 e, nos supermercados Pão de Açúcar, houve efeito da migração de consumidores para outros canais, como atacarejos e até outros supermercados. Por isso, houve queda nas vendas no grupo no segundo trimestre — a retração ficou acima do verificado no concorrente Carrefour, salientaram analistas em relatórios hoje.

 

“Para Pão de Açúcar, estamos cautelosos com o resto do ano, e mais animados para o ano que vem. Ainda esperamos redução gradual no terceiro trimestre, mas agosto e setembro melhor que julho. O quarto trimestre deve ser melhor que terceiro trimestre”, disse o presidente Jorge Faiçal.

 

“As pessoas estão voltando das férias, então deve haver perda em julho, mas um ganho em agosto, então em setembro vai melhorando, porque a base de setembro teve queda em 2020”, disse ele.

Sobre a rede Pão de Açúcar, a companhia está migrando lojas para o modelo mais moderno (geração sete) com 25 migrações no segundo trimestre e mais 25 até o fim do ano — e esse modelo se recupera melhor hoje.

 

“A queda de vendas em Pão de Açúcar no segundo trimestre é pontual, entendemos que a rede é a nossa ‘joia da coroa’ e continuará a ser”, disse. O executivo citou preocupação com a fase atual, mas entende que é uma fotografia do momento, e as medidas que vem sendo tomadas, sobre reformas e foco no on-line, devem fortalecer a marca da companhia.

 

Para analistas, a empresa sentiu, em linhas gerais, o efeito estatístico dos números fortes em 2020, quando o início da pandemia fez a demanda

 

disparar nas lojas, mas a empresa, ao crescer menos que o seu rival direto no trimestre, pode ter sentido mais o cenário difícil para o setor. O aspecto positivo no Brasil, dizem analistas, foi a rentabilidade acima da estimativa do mercado, efeito da queda de despesas — apesar de, ao incluir a operação colombiana de Exito no total, essa margem final ter ficado abaixo do projetado, como salientou a XP em relatório.

 

“Foi um período com muito desafio no ‘topline’ mas conseguimos sair de um lucro líquido de R$ 8 milhões no primeiro semestre de 2020 para R$ 94 milhões nesse ano”, disse o executivo.

 

Faiçal afirmou que a companhia busca um hipermercado mais barato, mantendo uma política definida meses atrás, para tentar recuperar as vendas em algumas lojas, mas voltou a afirmar que a rede não irá virar atacarejo. Isso porque, entre diferentes razões, as ações comerciais mais combativas, como é comum no atacarejo, não se estendem a toda a operação do hipermercado.

 

“Há dois meses, o nosso hipermercado volta a ganhar participação, então há um movimento de recuperação”, diz o executivo, após defender um posicionamento mais agressivo em preços. “Hipermercado caro é hipermercado morto”.

 

O GPA ainda disse que vai expandir parcerias no on-line para perecíveis e não alimentos. E afirmou que o acordo fechado com o fundo da Península, em arbitragem iniciada há quatro anos, libera lojas para sublocação, conversão e “minihubs” maiores. Houve um ajuste de preços pago pelo GPA ao fundo em valor pequeno, segundo fontes, relativos a cálculos passados, como antecipou o Valor semanas atrás.

 

Segundo o executivo, a expansão do on-line — o canal é 8% das vendas da empresa, e era 1,7% há dois anos — canibaliza lojas, segundo controle feito pelo CPF dos consumidores, mas isso não é preocupação, diz ele, porque no site o cliente compra mais produtos. A empresa alcançou vendas brutas totais na plataforma de R$ 1,4 bilhão em 12 meses. Cerca de um terço da venda da empresa hoje ocorre pela entrega rápida, e a empresa se autodenomina líder no on-line alimentar.

 

Loja de vizinhança

 

O GPA destacou ainda medidas que a empresa vem tomando em reforma de pontos, acelerando aberturas e no on-line, no sentido de buscar equilibrar o momento de queda em vendas na empresa no segundo trimestre.

“Vamos acelerar aberturas de Minuto Pão de Açúcar, já falamos que serão 100 em 3 anos, mas teremos pelo menos 20 neste ano”, disse Faiçal. O modelo teve um desempenho melhor que as outras cadeias no segundo trimestre e no ano, em parte reflexo da maior demanda em lojas menores, de bairro, como efeito do “home office”.

 

A venda bruta nessas lojas de vizinhança do GPA (Minuto Extra, Minuto Pão de Açúcar e o programa Aliados, uma parceria com lojas de bairro) subiram 27,7% de abril a junho, mas Pão de Açúcar caiu 24,1%, e Extra recuou 13,9%.

 

Os supermercados Mercado Extra e Compre Bem caem 2,7%.

 

O presidente do GPA ainda destacou os resultados positivos com a estratégia anunciada, meses atrás, de abrir parcerias com mais aplicativos de entrega, como iFood, Rappi, e plataformas como Corner Shop e Mercado Livre, fechadas neste ano. ”Nós vamos expandir parcerias para perecíveis e não alimentos”, disse, sem detalhar.

O GPA tem 500 lojas com parceiros de última milha, que utilizam a loja como base de coleta, pouco mais da metade do total da empresa, em 871 pontos em junho no país.

 

As vendas totais do GPA Brasil atingiram R$ 7,1 bilhões de abril a junho, queda de 12,1%, sendo que as “mesmas lojas” caíram 10,5%. Ao se tirar o impacto da covid-19, que a empresa calcula, o número ainda não “vira”: há queda de 1,8%.

O canal on-line foi um dos destaques positivos, com alta de 32%, ligado ao crescimento da multicanalidade e expansão das parcerias com “last millers”, que a rede vem acelerando.

 

A empresa ainda lembra que houve o efeito de medidas restritivas mais rígidas para o combate à aceleração da covid-19, incluindo decretos que obrigaram o fechamento de lojas. Houve efeito, por exemplo, no Pão de Açúcar, em cidades do interior, os decretos afetaram várias cidades e diversas redes, mas cadeias com maior presença em municípios que tomaram essa medida podem ter sentido mais.


Fonte: Valor Econômico 


Veja também

Prezunic faz ações beneficentes em parceria com clientes

 Clube do Bem já beneficiou milhares de famílias com doações de alimentos  Ap&oacu...

Veja mais
Carrefour dá novo passo em sua agenda de rastreabilidade

Rede começou a vender o primeiro lote de carne 100% livre de desmatamento, rastreada desde o nascimento do bezerr...

Veja mais
Magalu começa a operar dentro de supermercados

Para ampliar ainda mais sua capilaridade, varejista ativa modelo de quiosque com mix seleto em lojas do setor A red...

Veja mais
Plataforma omnicanal da Cencosud fortalece varejo regional

Nova unidade de negócios com inteligência artificial traça estratégias publicitárias p...

Veja mais
Max Atacadista inaugura sua primeira loja em Ourinhos

                              14ª u...

Veja mais
Pague Menos inaugura nova loja no interior de São Paulo

Acontece na próxima quinta (29) a inauguração de uma unidade da Rede Pague Menos Supermercados na c...

Veja mais
Carrefour e Ame Digital fecham parceria para ampliar meios de pagamento do consumidor

O Carrefour credenciou a Ame Digital – fintech e plataforma mobile de negócios – para ser o novo meio...

Veja mais
Vendas de alimentos crescem em canais alternativos

Varejo americano vê expansão de dollar stores, lojas de descontos e atacarejo como canais de distribui&cced...

Veja mais
Vendas do Carrefour no segundo trimestre somam R$ 19,5 bilhões

Bandeira Atacadão fortalece sua contribuição no resultado do grupo. Vendas do atacarejo crescem pel...

Veja mais