O varejo alimentar vive um momento em que olhar apenas para o presente já não é suficiente. As transformações são mais rápidas, os desafios mais complexos e as decisões de hoje podem definir a competitividade das empresas nos próximos anos.
Para a ABRAS, representar um setor tão dinâmico significa atuar em duas frentes: enfrentar as questões que impactam as empresas agora e preparar o varejo alimentar para o que vem pela frente.
Temos agendas institucionais que exigem diálogo, equilíbrio e conhecimento da realidade operacional do setor, ao mesmo tempo que precisamos acompanhar novos modelos de negócio e oportunidades que já redesenham o varejo alimentar.
No momento, um dos temas centrais dessa agenda é a jornada de trabalho. A proposta que prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal avançou no Senado, mas tende a não ser votada antes do primeiro turno das eleições. Esse intervalo abre espaço para um debate sobre seus impactos em trabalhadores, empresas, emprego e abastecimento.
A ABRAS defende uma transição gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, ao longo de cinco anos. Defende também que a legislação não engesse as formas de organização do trabalho, respeitando as características dos diferentes setores e empresas. Paralelamente, propõe mecanismos de flexibilização da contratação, como o horista CLT, com preservação dos direitos trabalhistas.
O ponto central é conciliar avanço social, sustentabilidade econômica e capacidade de adaptação. Para um setor que funciona todos os dias e exerce papel essencial no abastecimento, mudanças dessa dimensão exigem diálogo e previsibilidade.
É com esse olhar que chegamos à ABRAS’26 food retail future, de 20 a 23 de setembro, em Campinas. O encontro reúne estratégia empresarial, parceiros, ambiente institucional, relacionamento e negócios, integração e celebração.
Na perspectiva institucional, teremos o Jantar do Poder, mediado pelo presidente da ABRAS, João Galassi, com a participação do economista Reinaldo Cafeo e dos jornalistas Carlo Cauti e Augusto Nunes, para discutir o cenário do País, os rumos da economia e os seus impactos sobre o ambiente de negócios.
Já o conceito de Retail as a Service será aprofundado na perspectiva empresarial, com algumas das principais consultorias e empresas de inteligência de mercado do mundo — McKinsey, Bain, PwC Brasil, EY, Accenture, KPMG, Deloitte e NielsenIQ —, cada uma respondendo a uma das oito questões estratégicas que estruturam o programa, do ambiente competitivo às diretrizes de desenvolvimento do setor no Brasil. Mais do que apresentar respostas prontas, queremos oferecer elementos para decisões mais consistentes.
Há ainda uma dimensão igualmente importante: estarmos juntos.
Pesquisas, tendências, dados e informações estão acessíveis praticamente de qualquer lugar. Mas existe algo que a tecnologia não substitui: a conversa entre pessoas.
Empresários de diferentes regiões, fornecedores, parceiros e as lideranças das 27 associações estaduais filiadas à ABRAS estarão reunidos no mesmo ambiente. Essa convivência aproxima realidades e cria espaço para trocas que muitas vezes não acontecem na rotina das empresas.
É nesse contato que surgem ideias, oportunidades, parcerias e novas formas de enxergar o negócio. Por isso, relacionamento também é estratégia.
E talvez seja isso que torne a 60ª edição tão simbólica. A primeira Convenção Nacional de Supermercados aconteceu em 1966, dois anos antes da fundação da ABRAS. Desde então, reunir o setor para compartilhar conhecimento, discutir desafios e construir caminhos em conjunto faz parte da nossa trajetória.
Sessenta edições depois, essa vocação permanece.
Para avançar, precisamos estar um passo à frente e juntos.
Então, nos encontramos em Campinas.
Márcio Milan
VP de Relações Institucionais e Administrativo da ABRAS
Atualizado em Setembro de 2026