Chocolates Nestlé têm novo líder no Brasil

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Executivo que presidiu a companhia no Caribe foi o escolhido para substituir Liberato Milo  

 

O maior negócio de chocolates da Nestlé no mundo está mudando de comando. Depois de oito anos à frente da divisão de chocolates no Brasil, Liberato Milo volta para a Suíça para liderar a categoria globalmente. Ele será substituído por Patricio Torres, que terá a missão de manter a operação em crescimento no mercado nacional e acelerar as exportações, enquanto lida com a pressão de custos e as mudanças de consumo.

 

Foi na gestão de Milo que a operação brasileira ganhou a liderança da categoria dentro do grupo. A divisão de chocolates da empresa também é a líder de mercado no país, com 31,6% de participação, segundo dados da consultoria Euromonitor.

 

Parte disso pode ser explicada pelo volume de investimentos da companhia. Nos últimos cinco anos, mais de R$ 1 bilhão foram investidos, sendo R$ 200 milhões revertidos à fábrica da Garoto, em Vila Velha (ES), entre o ano passado e o primeiro semestre deste ano. Além da unidade capixaba, a empresa tem uma planta fabril em Caçapava (SP). “Não vi uma fábrica de chocolates como as do Brasil em nenhuma outra operação da Nestlé”, diz Torres, elogiando o trabalho do antecessor. “Fez um trabalho incrível. Milo respira chocolate.”

 

É a essa tecnologia e eficiência das fábricas que o executivo atribui a capacidade de enfrentar o aumento dos custos de produção, um dos desafios que deverá enfrentar para manter a fatia de mercado do grupo. “A última medida que queremos é subir preço. [Pressão inflacionária] É algo que vai tomar muito tempo da minha gestão, pois o mundo segue muito volátil.” Outra vantagem para lidar com o momento, diz ele, é o portfólio amplo. São 329 itens.

 

Desde 1995 na Nestlé, nos últimos quatro anos o chileno foi presidente da empresa na região anglo-holandesa do Caribe e deve usar tal experiência para ampliar a participação das exportações na receita da divisão. Hoje, de 5% a 7% vem das vendas para outros países. A fábrica da Garoto, por exemplo, tornou-se a fornecedora dos ovos de Páscoa da América Latina. “O Brasil é um produtor de cacau de primeira linha e é uma potência agroindustrial”, diz Milo. “Vemos o mercado local e externo com olhar ‘bullish’ [jargão do mercado financeiro para uma visão otimista].”

 

De saída, o suíço deixa no cronograma de lançamentos uma inovação inteiramente desenvolvida no país e que deve atender à demanda por alimentação mais saudável. Com cacau do Sul da Bahia e pesquisa de uma empresa catarinense, a Nestlé Brasil conseguiu desenvolver uma fórmula de chocolate que não leva açúcar e é adoçada apenas com a polpa da fruta. A empresa não diz quantos itens serão desenvolvidos com a nova fórmula nem quando chegarão ao mercado. Nos últimos anos, o teor de açúcar dos chocolates da Nestlé e da Garoto já havia caído 12%.

 

Torres também chega com a Nestlé sob o olhar do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Depois de quase 20 anos, a autarquia pretende reavaliar a compra da Garoto, ocorrida em 2002, rejeitada dois anos mais tarde e, depois, judicializada. Milo, porém, não vê com preocupação. “A Garoto está conosco há muito tempo e com a marca mais forte. Nos últimos anos, entraram novos concorrentes no mercado, a qualidade do cacau melhorou e postos de trabalho surgiram.”

 

Fonte: Valor Econômico 


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