Mercado de bicicletas anima Caloi e Houston a investir

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O futuro do mercado brasileiro de bicicletas, o quarto maior do mundo, anima fabricantes como a Caloi e a Houston, que preparam investimentos milionários para o ano que vem. A Caloi aprovou ontem o planejamento para o próximo ano e deve chegar ao final de 2011 com um crescimento de 30% sobre os R$ 212 milhões de faturamento previstos para 2010.

 

Nos planos da empresa estão investimentos de R$ 30 milhões distribuídos em três anos, incluindo 2010, que devem dar conta de ampliar a capacidade produtiva e chegar à marca de 1 milhão de unidades por ano. Este ano a empresa deve fechar com a soma de 800 mil bicicletas produzidas, um aumento de 15% sobre a produção do ano passado.

 

"A questão limitadora da capacidade de produção da indústria brasileira está relacionada aos componentes importados", afirma Eduardo Musa, presidente da Caloi. "Atualmente nós operamos com um turno, o que nos dá autonomia para quase triplicar a produção, exceto pela limitação de prazos da base de suprimentos." Em franco crescimento no mercado, a fabricante Houston, sediada em Teresina, no Estado do Piauí, completa 10 anos e tem planos de ampliar sua fatia de mercado no próximo ano. Dona de 12% do mercado nacional, segundo declara, a empresa fez investimentos de R$ 8 milhões neste ano, a fim de ampliar a capacidade produtiva e pretende chegar à marca de 1,1 milhão de unidades em 2011. O número supera em 23% a produção deste ano. Com os investimentos, a companhia espera alcançar uma participação de 15% no montante do mercado de bicicletas.

 

Por outro lado, o País vem combatendo a informalidade neste mercado que, em número de unidade produzidas, deve continuar estagnado, beirando os 5,5 milhões de unidades, mesmo com as projeções de aumento das grandes marcas. O ânimo da indústria em ampliar a produção é em relação ao faturamento que, segundo Musa, experimentou um crescimento de 5% neste ano.

 

O dado mostra um aumento no valor agregado dos produtos, o que alimenta a indústria nacional, que vinha assolada pela informalidade, que beirava os 50%.

 

Os índices de irregularidade caíram sensivelmente, segundo Musa, que também é vice-presidente do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre). O nível de players informais é maior no segmento de bicicletas infantis, que representam 20% das vendas totais dos veículos e têm maior apelo em datas de grande consumo, como o Dia da Criança e o Natal.

 

A Caloi tem fábricas em Manaus e Atibaia. esta última concentra a produção de bicicletas infantis, segmento no qual a empresa declara ter mais de 50% de participação. Da produção da Caloi neste ano, 400 mil unidades se destinavam ao público infantil.

 

Moralização

 

Segundo Moacyr Paes, diretor executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), o combate à informalidade do mercado pe um movimento de moralização do setor. "É preferível que o mercado caia em função da formalização do que termos uma indústria informal como tínhamos", afirma Paes. Atualmente, oito estados do país já aplicam mecanismos tributários que inibem a sonegação do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

 

"O Inmetro [Instituto Nacional de Metrologia] tem acompanhado de perto também a qualidade dos produtos, o que também favorece a indústria nacional, que trabalha com qualidade", afirma.

 

A projeção para 2011 é que a capacidade instalada da indústria nacional - de cerca de 6,5 milhões de unidades ao ano - não seja ameaçada.

 

Importação

 

No mercado de bicicletas a importação é indireta, uma vez que a indústria consome basicamente tubos de aço. O aço, no entanto tem sido proveniente de importação, na sua maioria. "Principalmente neste ano, quando o preço do aço internacional esteve mais competitivo, a indústria de tubos ampliou as importações", explica Eduardo Musa. "A produção dos fornecedores da Caloi em Manaus é quase toda baseada em aço importado; os fornecedores de Atibaia importam menos."

 

Em relação a componentes como câmbios e freios, Musa explica que o nível de importação é variável. Na produção de Atibaia, cerca de 95% de cada bicicleta é composto por produtos nacionais. Em Manaus, o mix varia de 35% a 50%, em função dos incentivos do Processo Produtivo Básico (PPB), que define incentivos fiscais proporcionais ao nível de nacionalização dos produtos.

 

Veículo: DCI


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