Crise faz consumidor mundial cortar gastos

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A crise econômica está alterando os hábitos de consumo mundiais, de acordo com uma pesquisa realizada em 25 países. Pelo menos uma parte da população desses territórios vem cortando gastos, principalmente em vestuário, calçados e acessórios. Os brasileiros, porém, são mais otimistas e confiantes que a média, tanto em relação ao cenário econômico do país, quanto à própria renda. Nos 25 países pesquisados, uma média de 52% da população já reduziu gastos com vestuário, calçados e acessórios - os itens que entraram primeiro na lista de cortes. O Brasil ficou abaixo da média: um total de 45% da população diminuiu as despesas com esses produtos. Na média geral, 48% cortaram gastos com móveis e eletrodomésticos, e também com entretenimento (restaurantes, cinemas e outros). O Brasil, novamente, ficou abaixo desses percentuais, com 45% e 38%, respectivamente.

 

O estudo foi realizado pelo Ibope Inteligência e pela rede global de pesquisas WIN com 20.325 pessoas, entre fevereiro e março. Os países participantes foram Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Áustria, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Emirados Árabes, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Índia, Islândia, Itália, Japão, Kuwait, Líbano, México, Qatar, Reino Unido, Rússia e Suíça.

 

O México surge como um exemplo de forte alteração nas rotinas de consumo. Segundo a pesquisa, 74% dos mexicanos entrevistados cortaram gastos com mantimentos, 57% diminuíram a conta do celular e das reformas na casa, 31% reduziram a da TV por assinatura e 26%, a conta da internet residencial. Gastos com tecnologia (internet, TV por assinatura, celular) foram mais preservados em países ricos. No Brasil, a percentagem da população que cortou despesas com celular (37%) superou a média geral (32%), mas o Ibope atribui esse resultado à disseminação do celular no país e a ações promocionais das operadoras.

 

O levantamento também pesquisou o nível de confiança desses consumidores. Na média total, 49% acreditam que a situação econômica de seu país vai piorar nos próximos três meses, sendo especialmente pessimistas os entrevistados de nações da Europa, do Japão e do Canadá. Nesses, mais da metade da população espera piora econômica. O Brasil, porém, se mantém otimista, com apenas 14% prevendo piora para a economia doméstica. Uma fatia de 46% acredita que a situação ficará inalterada e 35% apostam em melhora.

 

O pessimismo geral se atenua quando a pergunta é sobre a própria renda. No geral, 45% dos consultados esperam estabilidade, 25% acreditam em aumento e 24% aguardam diminuição dos rendimentos, "o que pode ser considerado otimista em tempos de crise financeira" , segundo nota do Ibope. Novamente, os brasileiros estão entre os mais confiantes: 61% acham que a própria renda vai crescer, superando os 33% da Índia e os 30% da China, por exemplo.
 


Veículo: Valor Econômico


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