Indústria paulista perde participação no País com descentralização, diz CNI

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A indústria de São Paulo está perdendo participação na economia, com o avanço da descentralização da atividade produtiva no País. Nos próximos anos essa tendência deve se confirmar, com novas regiões ganhando importância.

De acordo com estudo da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), o Produto Interno Bruto (PIB) industrial de São Paulo somou R$ 323,3 bilhões em 2013 - dado mais recente compilado pela CNI. O valor corresponde a 28,6% do total da indústria nacional ante 32,1% em 2010.

"Com o aumento da renda no País, outros estados passaram a atrair as empresas, provocando uma descentralização [da produção]. Os resultados da indústria em 2014, 2015 e 2016 devem confirmar essa tendência", disse a economista da CNI, Maria Carolina Marques.

Ela ressalta que o avanço da produção em outros estados não é só resultado de uma migração das fábricas. As indústrias não devem deixar São Paulo, mas a expectativa é de expansão da atividade com a instalação de novas plantas próximas às regiões nas quais a demanda cresceu nos últimos anos.

Embora tenha perdido participação no PIB industrial, São Paulo ainda respondia por 38,6% do total da indústria de transformação no País em 2013. As regiões Sul e Sudeste concentram 80% da atividade do setor, enquanto Norte, Nordeste e Centro-Oeste representam, juntas, 19,2% da fabricação brasileira de itens transformados.

"São Paulo enfrenta o mesmo que outros centros produtivos consolidados. Depois de se tornar polo de mão de obra qualificada e infraestrutura, a região tem se tornado cara, com a alta dos salários e aluguéis, além de dificuldades logísticas em função do aumento do trânsito", disse Carolina.

Na avaliação do economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), Nelson Marconi, a mão de obra e outros custos elevados podem motivar alguns setores da indústria a investirem em outras regiões pelo País. O estado de São Paulo, entretanto, continuará respondendo por parte considerável da produção brasileira.

"O estado manteve sua participação em setores com conteúdo tecnológico e, para essas indústrias, a exigência de mão de obra qualificada e acesso a centros de pesquisa faz com que não seja interessante se instalar em novas regiões apenas pelos custos", citou ele.

As empresas de química, farmacêutica, de perfumaria, máquinas e equipamentos elétricos e outros equipamentos de transporte continuam fortes em São Paulo. Já nos setores de veículos automotores, informática, eletrodomésticos de linha branca e alimentos, a indústria paulista perdeu representatividade.

Diversificação

Os estados nos quais a indústria de transformação mais avançou em relação à economia local no período de 2010 a 2013, de acordo com a CNI, foram Amapá com alta de 2,5 pontos percentuais, Maranhão (+1,5), Mato Grosso do Sul (+1,0), Sergipe (+0,7) e Pernambuco (+0,5), Roraima (+0,1) e Tocantins (+0,05). Parte dessas altas é atribuída a diversificação da atividade fabril.

Nos estados do Amazonas (-8,1), Bahia (-5,3), Minas Gerais (-3,6), Rio Grande do Norte (-3,3), Mato Grosso (3,2) e Espírito Santo (-3,1) foram registradas as maiores quedas na participação da indústria de transformação na economia.

"Podemos ver indústrias nas regiões Sul e Sudeste sofrendo mais os efeitos da desaceleração econômica recente, por concentrar a produção de bens de maior valor agregado. Mas sem melhoras no País, todos os estados tendem a ser afetados", comentou o economista da CNI, Marcelo Azevedo.

 



Veículo: Jornal DCI


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