Importação cresce em setembro e derruba saldo

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Comércio exterior: Exportação de produtos manufaturados manteve recuperação e o embarque de básicos caiu

 

A tímida recuperação nas exportações de produtos manufaturados em setembro, comparado com agosto, foi superada pelo forte aumento das importações no mês passado, o que levou o resultado do comércio exterior, no mês, a ser um dos piores do ano, um superávit de apenas US$ 1,33 bilhão, melhor apenas que o déficit de US$ 529 milhões em janeiro.

 

Um fator pontual, o desembarque de compras de petróleo, explica grande parte desse aumento de importações. Mas houve também grande importação de máquinas e equipamentos e de insumos industriais, reflexo de aumento na produção e investimentos no país.
"O aumento na importação de bens de capital (máquinas e equipamentos industriais) é um bom sinal", comemorou o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral. Ele reconheceu, porém, que o aumento nas compras de matérias-primas e outros insumos para a indústria é estimulado pela queda na cotação do dólar.

 

O mau desempenho de setembro levou o Ministério do Desenvolvimento a abandonar a meta de US$ 160 milhões neste ano, e a nova meta deverá ficar próxima a US$ 158 milhões, informou o secretário.

 

Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o resultado de setembro, quando comparado pela média diária de importações e exportações, é quase metade do registrado em agosto, e mostra que é generalizado o aumento nas importações, sinal de recuperação na economia, mas também de impacto do dólar desvalorizado, que se manifesta primeiro nas importações e só depois passa a prejudicar as vendas externas do país.

 

As importações de petróleo em setembro deram um salto em relação a agosto, de 78,5%, ou quase US$ 700 milhões. O aumento nas compras de bens de capital passou de 20% (US$ 467 milhões) e o de matérias-primas e bens intermediários chegou a 8%, ou US$ 444 milhões. Mas as compras de bens de consumo, sensíveis ao maior poder aquisitivo do real, subiram acima de 14%, quase US$ 260 milhões, principalmente nas compras de bens duráveis como automóveis e eletrodomésticos.

 

"O que pesou mais sobre as importações foi o petróleo, só por uma questão de programação de embarques", comentou Barral, para quem as compras de combustível responderam, sozinhas, por 30% do aumento das importações.

 

Em comparação com setembro de 2008, é generalizada a queda nas exportações e importações. Ele preferiu chamar atenção para o fato de que o resultado das exportações, em setembro, foi o melhor do ano, com aumento puxado pelas vendas de bens industrializados.

 

Com o crescimento em relação a agosto nas exportações de produtos como aviões (75,6%), laminados planos (69,5%) e veículos de carga (47%), além de celulares (32%), os produtos manufaturados voltaram a ser maioria na pauta de exportações, invertendo a situação de agosto, quando, pela primeira vez em três décadas, os produtos básicos, como soja e minério de ferro ocuparam a maior fatia nas vendas externas brasileiras.

 

O aumento das vendas de manufaturados está relacionado à mudança na economia internacional, com a recuperação de mercados importantes para o Brasil, como a Argentina e outros países latino-americanos. Embora, ao serem comparadas com o resultado de setembro de 2008, as exportações apresentem queda para todos os mercados importantes, à exceção da China (que aumentou em 8,6% as compras do Brasil), o país conseguiu aumentar ligeiramente as vendas ao Mercosul (1,6%), principalmente para a Argentina, que importou, em média, por dia útil, quase 3% a mais em setembro que em agosto.

 

As vendas de produtos básicos caíram fortemente, quase 10% em comparação com agosto, índice influenciado pelo fim da safra da soja (com ajuste sazonal, a queda ficou em quase 6%, segundo cálculos do Iedi). Comparada às vendas de setembro de 2008, a queda foi de 22%. O recuo total das exportações em setembro foi de 27,4% em comparação ao mesmo mês do ano passado, mas, em relação a agosto, houve um pequeno aumento, de 0,3%.

 

O saldo positivo no comércio exterior, de janeiro a setembro, já soma US$ 21,3 bilhões, o que leva analistas, como os economistas do Iedi, a prever que, neste ano, o saldo da balança comercial poderá ficar acima dos 24,8 bilhões do ano passado, caso o resultado mantenha o ritmo médio do ano, compensando a queda brutal de setembro. A previsão das instituições financeiras consultadas pelo Banco Central é de US$ 25,3 bilhões. Em 12 meses, o saldo acumulado é de US$ 26,5 bilhões.

 

Barral comentou que a valorização do real em relação ao dólar não é o principal problema enfrentado pelos exportadores, que são desestimulados com a demora dos secretários da Fazenda estaduais em devolver os impostos recolhidos indevidamente nos insumos das mercadorias fabricadas. "É preciso diminuir os custos de transação no Brasil", cobrou o secretário de Comércio Exterior, que anunciou o lançamento, neste mês, de um sistema simplificado de registro para exportadores de pequeno e médio porte interessados em se beneficiar do regime de drawback verde-amarelo, pelo qual se isentam dos impostos federais cobrados nas mercadorias usadas como insumo para exportação.

 

Neste ano, de janeiro a setembro, a China confirmou seu papel como principal apoio do comércio exterior brasileiro, com um aumento de 19% nas compras de produtos brasileiros, em média, por dia útil. A maior queda nas vendas, entre os principais mercados, ocorreu nas exportações para os Estados Unidos, país com quem o Brasil passou a ter um déficit comercial, que já soma quase US$ 3,5 bilhões.
 


Veículo: Valor Econômico


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