Impacto da crise foi pior para mineiros, capixabas e paulistas

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A crise internacional contaminou praticamente todo o Brasil, mas atingiu com mais força mineiros, capixabas e paulistas. Antes da quebradeira financeira, a indústria de Minas Gerais crescia 6,6% no ano, taxa que desabou para 1,6% depois de setembro. O balde de água fria interrompeu vinte trimestres conse-cutivos de crescimento em São Paulo e sua indústria passou de um aumento de 7,1% no terceiro para um recuo de 4,3% no quarto trimestre. No Espírito Santo, a queda foi ainda mais violenta: do salto de 12,4% entre julho e setembro para um corte de 18,5% no último trimestre.

 

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou ontem que a produção industrial recuou em 12 das quatorze regiões pesquisadas. "Com a abrupta alteração no cenário econômico mundial, todos os resultados da produção industrial para o fechamento do ano de 2008, em nível regional, ficaram abaixo do acumulado até setembro, influenciados pela desaceleração da atividade que se deu de forma pronunciada no quarto trimestre do ano", assinala a Pesquisa Industrial Mensal - Produção Regional.

 

"Espírito Santo (com queda 9,2 pontos percentuais depois da crise, na taxa acumulada no ano), Minas Gerais (5,0 p.p.) e São Paulo (3,4 p.p.) registraram as maiores perdas entre os dois períodos por terem na sua estrutura industrial a forte presença da cadeia automotiva e de segmentos produtores de commodities, particularmente as metálicas (minérios de ferro e siderúrgicas), setores que desaceleraram acentuadamente no último trimestre", completa a pesquisa.

 

Resultado negativo

 

Até a crise estourar, a indústria paulista crescia embalada, com aumento de 8,7% de janeiro a setembro. Em dezembro, a produção recuou 14,9% frente ao mês anterior, terceiro resultado negativo consecutivo - uma perda acumulada de 18,5% no fatídico trimestre. As más notícias vieram principalmente das montadoras, dos fabricantes de material eletrônico e equipamentos de comunicações e de máquinas e equipamentos." A concessão de férias coletivas em várias empresas contribuiu para a queda na fabricação de automóveis, enquanto nos outros dois ramos sobressaíram os decréscimos em equipamentos para telefonia celular e centros de usinagem", diz o IBGE.

 

Em Minas, a indústria extrativa encolheu à metade, por causa dos cortes na produção de minério de ferro. A produção de automóveis no estado caiu na mesma proporção. A produção industrial mineira ficou 27,1% inferior a de dezembro de 2007.

 

A produção industrial do Espírito Santo caiu 7,9%, na passagem de novembro para dezembro de 2008, quarta taxa negativa seguida, acumulando perda de 32,8% desde setembro. O indicador mensal recuou 29,6%, "devido ao desempenho negativo de todos os (cinco) setores pesquisados". Metalurgia básica (-48,4%) e a indústria extrativa (-42,6%) foram os piores resultados.

 

Cortes menores

 

Na Bahia, houve queda de 15,6% na produção. Nas demais regiões pesquisadas, os cortes na produção em dezembro foram menores que a média nacional, de 12,4%: Ceará (-4,1%), Pernambuco (-5,7%), Pará (-6,7%), Santa Catarina (-7,5%), Espírito Santo (-7,9%), Rio de janeiro (-8,2%), região Nordeste (-8,9%), Rio Grande do Sul (-10,0%) e Paraná (-11,3%). As únicas áreas que registraram acréscimo na produção entre novembro e dezembro foram Amazonas (0,9%) e Goiás (0,4%).

 

"Mesmo com a perda de ritmo, nos últimos três meses do ano, todos os locais fecharam o ano de 2008 com crescimento, à exceção de Santa Catarina (-0,7%) que, além dos fatores relacionados à crise, também sofreu os impactos da chuva que atingiu o estado."

 

Veículo: Gazeta Mercantil


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