Magnata da Índia negocia venda da United Spirits

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Vijay Mallya, magnata indiano do setor de bebidas alcoólicas, reúne-se hoje com executivos da Diageo em Nova York para negociar a venda de até 14,9% de sua empresa United Spirits, cuja lucratividade despencou nos últimos meses.

 

A Diageo, que quer maior acesso ao mercado indiano, confirmou as discussões, mas disse que as empersas não haviam chegado a um acordo adequado sobre a estrutura financeira, e que não havia certeza de que uma transação seria firmada. Mallya admitiu ontem ter comprometido 30 milhões de suas próprias ações da United Spirits - uma subsidiária, no setor de destilados e vinhos, da United Brewery, seu império de bebidas alcoólicas -, como garantia contra empréstimos para a aquisição, pela companhia, por US$ 857 milhões, da Whyte & Mackay, produtor escocês de uísque, em maio de 2007, e da Kingfisher Airlines, atualmente operando com prejuízos. 

 

A United Spirits - maior produtora indiana de bebidas alcoólicas, com uma fatia de 40% no mercado de bebidas alcoólicas - anunciou na semana passada uma queda 65% no lucro líquido referente aos três meses findos em dezembro, o terceiro trimestre fiscal na Índia, citando o preço elevado do melaço, sua principal matéria-prima. 

 

O preço das ações da companhia desabou 46% até agora, neste ano, devido à piora do desempenho financeiro e às preocupações dos investidores sobre o comprometimento, por Mallya, de suas ações como garantia de empréstimos, e à falta de clareza sobre o financiamento da compra da W&M. 

 

A W&M vende principalmente uísques "blended" sob a marca que é seu carro-chefe no mercado britânico. Os volumes de vendas da W&M cresceram 6% no Reino Unido em 2008, em comparação com uma queda de 2% do mercado de uísques em geral, segundo a Bernstein Research. 

 

Mallya disse ontem à televisão indiana que os estoques de uísque da W&M foram avaliados em mais de 457 milhões de libras e que ele irá "desalavancar totalmente a USL" em seis meses. Rechaçou o temor de que instituições financeiras poderiam provocar uma onda de vendas de suas ações. "Não há qualquer vencimento iminente. Então, por que preocupações? É o que tenho a dizer", disse o empresário, que se autodenomina "Rei dos Bons Tempos ". 

 

Mallya também disse a outro canal de TV que reuniu-se com possíveis investidores, que não a Diageo, e que também está disposto a vender até 49% da Whyte & Mackay. "Não deverá haver problema em vender 49%, desde que conservemos o controle". Anteriormente, ele havia dito ao Financial Times que estaria interessado em vender uma participação em sua Kingfisher Airlines para uma aérea estrangeira, mas somente se a legislação indiana o permitisse. 

 

Os uísques são apenas uma pequena parte do vasto império empresarial que Vijay Mallya construiu desde que assumiu a companhia de sua família com a idade de 28 anos em 1983, após a morte de seu pai. O empresário e dono da equipe Force India Formula One não é modesto sobre sua fortuna. Antes do colapso mundial dos mercados acionários no ano passado, a Forbes estimou sua fortuna em US$ 1,2 bilhão, classificando-o em 962º lugar em sua lista de bilionários do mundo inteiro de 2008. 

 

Mallya, que formou-se na Universidade de Cálcutá, é um homem que apregoa livremente suas opiniões e exibe, sem qualquer embaraço, sua fortuna, usando cintos cravejados de diamantes, colecionando carros sofisticados, apoiando equipes indianas de críquete e pilotando pequenos aviões. 

 

Além de controlar a United Spirits, seu United Breweries domina cerca de 50% do mercado indiano de cervejas e é dono da marca de cerveja Kingfisher; da companhia aérea Kingfisher (um jeitinho prático de divulgar a marca Kingfisher num país que proíbe propaganda direta de bebidas alcoólicas); projetos imobiliários; e uma companhia química e de fertilizantes. 

 

Mallya, que costumava conviver com o alto escalão da cervejaria britânica Scottish & Newcastle antes de ela ser comprada, em 2008, pela Carlsberg e Heineken, vem formando vínculos mais estreitos com a Diageo: um de seus filhos trabalhou temporariamente para a empresa inglesa como assistente de gerente de marca da Guinness. 

 

Veículo: Valor Econômico


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