Fabricante procura ter garrafas para todas as ocasiões

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Os fabricantes de bebidas compartilham hoje metas comuns. Os produtores de cerveja buscam desenvolver embalagens que se diferenciem pelo seu tamanho, mais do que por um design arrojado. O consumidor tem novos hábitos que a indústria identificou e aos quais pode atender melhor com produtos direcionados, como as embalagens menores para os solteiros, e as maiores para toda a família. Já entre os que fabricam refrigerantes, a preocupação maior é com a reciclagem das embalagens PET e a redução do impacto ambiental. 

 

O Grupo Schincariol, por exemplo, segunda maior cervejaria do Brasil, fez um estudo no ano passado com mais de três mil pessoas para entender os novos hábitos do seu público. O resultado pode ser notado nos lançamentos deste ano: pacotes de 18 unidades de latas de cerveja, as latas com 470 ml, e a garrafa de vidro com 300 ml da cerveja premium Baden Baden, dirigida aos solteiros e às mulheres, que bebem menos. 

 

"Analisamos mais de cem projetos para inovar as embalagens de nossa linha. Desse total, aprovamos um ou dois, pois é preciso ver se a idéia é viável economicamente e se temos estrutura para lançá-la", diz Gino Berninzon Di Domenico, diretor de operações industriais. 

 

Di Domenico explica que no caso da cerveja Schincariol, a embalagem de lata de 470 ml procura oferecer ao consumidor exatamente o que ele procura: economia. Com um pouco a mais de alumínio, é possível ter uma quantidade maior de líquido. E na embalagem menor da Baden Baden, além da economia para o consumo individual, há o conforto de se poder beber sem desperdício. 

 

Essas demandas do mercado também foram percebidas pela cervejaria Skol, da AmBev - maior indústria privada de bens de consumo do Brasil e a maior cervejaria da América Latina. 

 

"O consumidor compra cerveja de acordo com a ocasião. Se é para consumir com a família e os amigos num churrasco, por exemplo, ele quer embalagens maiores e até com mais unidades. Lançamos pacotes com latas de 24 unidades. E a nossa maior novidade é a primeira garrafa de vidro de 1 litro retornável comercializada no país. Em julho, a Skol Litrão começou a ser vendida no interior de São Paulo e no Paraná. Esta semana entra nos mercados de Porto Alegre e Santa Catarina", afirma Carolina Faria, gerente de inovações da Skol. 

 

Segundo Carolina, essa embalagem vai trazer uma economia para o consumidor que pode variar de 5% a 10% por unidade, de acordo com a praça onde é comercializada. 

 

Em sua opinião, a preocupação nos mercados europeus é ainda com a diferenciação pelo conteúdo da cerveja. Aqui, o momento pede, a seu ver, uma atenção especial para os formatos, para que o consumidor sinta que pode beber mais pagando menos. "A inovação em embalagens é o nosso grande diferencial. A empresa teve a primeira cerveja com embalagem em lata, em 1971. Introduziu também o uso do alumínio em 1989, que hoje é usado em todas as latas de bebidas. Também inovamos com a embalagem long neck com tampa de rosca e com o rótulo termosensível - comercializado desde o fim de 2006 , que muda de cor quando o líquido fica na temperatura ideal para o consumo", acrescenta. 

 

O gerente de relações industriais da Coca-Cola Brasil, Maurício Bacellar, concorda que entre os fabricantes de bebidas há hoje no Brasil um direcionamento para as embalagens mais focadas no perfil do consumidor e na ocasião do consumo. A tendência hoje é de variar formas e tamanhos dos mesmos materiais. "Nossa marca tem latas menores, com 250 ml, para quem quer consumir na rua, por exemplo. Temos as garrafas em PET e vidro de vários tamanhos, descartáveis e retornáveis . Temos a linha de Mate Leão em copos plásticos, a de chá em saquinho e a de sucos em tetrapak. Nosso portfólio chega a 200 embalagens", informa, sem revelar qual o investimento feito no país em inovações. Ele informa que a empresa destinou esse ano R$ 1,5 bilhão no Brasil para desenvolvimento de produtos, embalagens e publicidade. 

 

Para Bacellar, a única coisa que não pode mudar é a forma da garrafa, semelhante ao corpo de mulher, e o logotipo, que trazem o DNA da marca Coca-Cola. 

 

Bacellar destaca, no entanto, que grande parte dos investimentos em inovação da empresa estão voltados para o uso do PET reciclado para a fabricação de novas embalagens. A reutilização do PET foi aprovada em março pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e está agora em fase de homologação. Dentro de alguns meses serão escolhidos os fornecedores que poderão trabalhar com esse tipo de PET.

 

"Há cinco anos começamos um processo de redução da quantidade de resina que utilizamos, sem comprometer a segurança da embalagem. Essa medida da Anvisa é muito importante porque dá um estímulo econômico e a reciclagem de resíduos sólidos se dá de forma mais acelerada quando se tem esse tipo de estímulo." 

 

No segmento de águas, a Empresa de Águas Ouro Fino, segunda maior engarrafadora de água mineral do país, investiu nos últimos dois anos U$ 1,2 milhão na modernização de seus equipamentos. O seu trabalho em pesquisa e inovação resultou num design inédito - embalagem com uma tampa colorida que pode ser usada como copo - resultado de três anos de pesquisas. 

 

Segundo Augusto Mocelin Neto, presidente do conselho de administração da empresa, "o produto com uma boa aparência é o caminho para mostrar ao consumidor que há ali um produto diferenciado", afirma. 

 

Veículo: Valor Econômico


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