Altos executivos adiam as práticas sustentáveis

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Os executivos de grandes empresas já encaram as práticas sustentáveis como fundamentais para os seus negócios - e carreiras. Mas aplicá-las é uma outra história. Uma pesquisa mundial realizada com quase 900 principais executivos e seus auxiliares imediatos mostra o abismo que existe entre a retórica e a prática no mundo empresarial.

 

Realizada pela consultoria Accenture, a pesquisa apontou que 88% dos funcionários do alto escalão acreditam que os conceitos de sustentabilidade econômica, ambiental e social devem ser incorporados ao planejamento estratégico da empresa. Mas apenas 54% admitem que conseguiram esse feito.

 

Em entrevista ao Valor, Matthew Govier, líder para a área de consultoria em sustentabilidade da Accenture no Brasil, explicou que a dificuldade maior é em integrar as estratégias de sustentabilidade à cadeia produtiva por inteiro. "As lideranças estão vivendo um descompasso entre as suas ambições e o enraizamento do conceito de forma transversal dentro da empresas e, sobretudo, na cadeia produtiva e nas subsidiárias".

 

Uma das explicações para isso é a competição inerente em uma empresa para a definição de prioridades estratégicas: 48% dos principais executivos ouvidos apontaram esse fator entre três maiores obstáculos.

 

Há outros entraves. A incerteza para interpretar a demanda do consumidor, antecipar futuras regulamentações e transmitir ao investidor a importância da sustentabilidade são alguns exemplos. "Os CEOs (principal executivo) não estão seguros sobre até que ponto a preocupação com a sustentabilidade pesa na decisão de compra do consumidor", diz Govier, ressaltando que além da pessoa física, o consumidor representa empresas e governos.

 

Segundo a pesquisa, 72% dos entrevistados afirmaram que o que motiva a conscientização no alto escalão é, de longe, o impacto sobre a imagem, confiança e reputação da empresa que a sustentabilidade pode proporcionar. Crescimento da receita e redução de custos foram citados por 44% dos entrevistados; 42% disseram que é uma motivação pessoal e 39% que é uma resposta à demanda.

 

A importância que os principais executivos atribuem à sustentabilidade como caminho para o sucesso do negócio varia de região. Na América Latina, 78% acreditam que o assunto é muito importante. No Oriente Médio e na África, 22%. "Isso talvez reflita a importância que os consumidores dessas regiões deem para o assunto e a posição mais moderna das empresas latino-americanas", diz Govier.

 

Há também diferenças em como a sustentabilidade é enxergada por esses executivos. Para indústrias, trata-se de reduzir impacto ambiental de suas operações e produtos. Mas em setores como o de tecnologia de informação, os executivos começam a observar só agora oportunidades para crescimento e inovação com produtos e serviços sustentáveis.
 

 

Veículo: Valor Econômico


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