Supermercados menores vão se firmar no mercado nacional

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As operações de pequeno e médio porte, que têm de um a quatro caixas, que surgiram no segmento supermercadista há cerca de três anos, se firmaram como negócio de sucesso, tanto que tiveram crescimento de 3,1% na comparação com lojas de maior porte (com mais de vinte caixas) e comprovaram a tendência de que serão a aposta de muitas bandeiras neste ano. Após apresentar crescimento real de vendas de 5,36% no acumulado de 2013, na comparação com 2012 - índice esse superior aos 4,5% previstos pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o setor começará a viver nova transformação, com instalações menores.

Segundo o presidente do conselho consultivo da Abras, Sussumu Honda, atualmente esse nicho de mercado de pequenas e médias empresas é ocupado pelas gigantes do setor, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) com o Minimercado Extra, o Carrefour com o Dia e o Walmart com a bandeira Todo Dia. "Eles já estão consolidados no mercado de vizinhança e têm feito um bom trabalho", disse.

Para o especialista, esse tipo de loja supre a demanda do novo consumidor que busca praticidade ao fazer as compras. "Esse consumidor vai a esse supermercado para atender as necessidades emergenciais. Se faltar uma lata de ervilha, por exemplo, ele não se desloca a um grande supermercado, ele vai ao local mais próximo e não se importa se essa operação não tem a sua marca preferida", explicou.

A falta de pontos comerciais também foi mencionada pelo executivo. "Temos visto a verticalização das construções, o que torna mais difícil encontrar um espaço adequado a uma operação de grande porte."

Honda explicou ainda que em uma ida à operação do Dia lhe rendeu a descoberta da venda de chocolates importados (argentinos) na rede. "Coloquei o produto na mão de duas pessoas bem exigentes e eles me responderam que era um produto tão bom quanto os nacionais", explicou. Ainda sobre a questão de produtos diferenciados nas gôndolas dos supermercados, o presidente do conselho da Abras afirmou que o GPA tem desempenhado bem esse papel. "O Casino tem muito a política de produtos com qualidade e preços acessível, como são os de marca própria. Já vemos nas lojas da rede uma infinidade deles", ressaltou.

Todas as bandeiras mencionadas operam com a linha de marca própria, segmento esse que tem pouca representatividade no setor brasileiro. Segundo Sussumu Honda, eles representam, cerca de 7% da oferta de produtos, índice esse bem abaixo de países como os Estados Unidos e os da Europa. "O brasileiro ainda é muito ligado a marca, logo, ter uma estratégia bem feita com os artigos de marca própria é o que garante o desempenho de vendas", disse ele.

Em um futuro não tão distante, Honda acredita que os players regionais e as redes supermercadistas de pequeno e médio porte, que são a maioria no Brasil, também investirão nesse nicho de mercado. "Primeiro essas empresas se firmam com supermercados e até hipermercados. Após isso, eles podem, em médio prazo, investirem em operações menores também", argumentou.

Perspectivas

Mesmo após o desempenho acima do esperado, crescimento de 5,36% frente a estimativa de 4,5%, para esse ano o sentimento ainda é de cautela. A Abras estima que as vendas reais do setor cresçam 3%. Esse indicador pode ser revisto, e segundo Flávio Tayra, gerente de economia da entidade, é preferível rever o incremento para mais do que para menos.

"Ainda não sabemos qual será o efeito da Copa do Mundo nas vendas do setor", disse ele. Na opinião do gerente de atendimento da Nielsen Fábio Gomes da Silva, produtos como bebidas alcoólicas, não alcoólicas e salgadinhos em geral podem ter incremento de vendas durante os dias de jogos. "Acredito que, seguindo as tendências observadas na Copa das Confederações, os segmentos de snacks, refrigerantes, sucos e outros alimentos podem ter incremento de venda no período dos jogos", disse.

Em dezembro, as vendas do setor apresentaram alta de 20,62% na comparação com o mês anterior e alta de 2,87% em relação ao mesmo mês de 2012, índices deflacionados.

Em valores nominais, as vendas do setor em dezembro apresentaram crescimento de 21,73% em relação ao mês anterior e, quando comparadas ao mesmo mês de 2012, alta de 8,95%. No acumulado do ano, as vendas cresceram 11,92%. Em 2013, o setor conseguiu resultado acima das expectativas iniciais lançadas pela Abras, que em sua primeira projeção, no início do ano passado esperava um resultado de 3,5% no ano, que foi revisada para 4,5% em agosto. "É um resultado para se comemorar, pois é, sem dúvida, um dos melhores desempenhos entre os diversos setores da economia brasileira em 2013. Para esse ano, mantemos o otimismo, querendo crescer 3%", disse Sussumu Honda.



Veículo: DCI


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