Vendas no varejo restrito sobem, puxadas por supermercados

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Influenciado pelo setor de supermercados, o volume de vendas do varejo restrito pode ter recuperado fôlego em fevereiro, mas economistas afirmam que o mês não deve ser tomado como parâmetro para 2013. Após alta de 0,6% entre dezembro e janeiro, feito o ajuste sazonal, a média de 14 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data aponta para avanço de 1,6% na leitura atual da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) restrita, a ser divulgada hoje pelo IBGE. O intervalo de estimativas vai de 0,2% a 2,8%.

Para o varejo ampliado, que considera, além dos oito segmentos pesquisados no restrito, as vendas de veículos e de material de construção, sete analistas esperam, em média, queda de 0,7% na passagem mensal. O desempenho mais fraco, dizem, veio na esteira da "ressaca" da parte de automóveis, depois de um janeiro ainda aquecido por promoções.

Mariana Hauer, do ABC Brasil, estima que o varejo restrito cresceu 1,7% de janeiro a fevereiro. Segundo ela, a variação deve ter sido puxada por super e hipermercados, cujas vendas aumentaram 1,8% no período, de acordo com dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), dessazonalizados pelo ABC. Mariana menciona o Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio, que recuou 0,5% na mesma comparação, como indício de vendas maiores sustentadas pelo segmento.

Enquanto a Serasa captou alta de 0,9% do movimento dos consumidores nessas lojas, na comparação mensal com ajuste, o setor de tecidos, vestuário, calçados e acessórios aumentou 0,7% e o de móveis, eletrônicos e informática caiu 0,3%. Para a economista do ABC, o rendimento médio real efetivo dos ocupados continuou sustentando bom ritmo das vendas neste início de ano, com salto de 13% na média dos três meses encerrados em janeiro sobre fevereiro de 2012.

Essa velocidade, no entanto, deve perder ímpeto daqui em diante, sustenta Mariana, em linha com a correção real menor do salário mínimo em 2013, assim como não há mais espaço para quedas adicionais na taxa de desemprego, que foi de 5,6% em fevereiro. "A demanda vai crescer a taxas mais baixas."

No teto das projeções, a LCA Consultores trabalha com avanço de 2,8% das vendas restritas em fevereiro, mas o economista Douglas Uemura afirma que a interpretação desse número exige cautela. A variação forte, diz, pode ter sido mais resultado do método de dessazonalização do IBGE do que de uma melhora significativa do consumo, já que o mês seguinte teve menos dias úteis do que janeiro.

"É complicado afirmar que fevereiro foi espetacular para o comércio", avalia Uemura, para quem os dados anuais são mais ilustrativos para analisar a evolução recente da demanda. Em agosto de 2012, lembra, as vendas no conceito restrito cresceram 10% sobre igual mês do ano anterior, ritmo que cedeu para 5,9% em janeiro, na mesma comparação, e deve diminuir mais em fevereiro, para 4,5%.

Para a LCA, o comércio restrito terá expansão de 6% este ano, após avanço de 8,4% em 2012, desaceleração influenciada por reajustes reais menores e por estabilidade do desemprego médio anual em 5,5%. O comprometimento de renda das famílias, observa Uemura, seguiu elevado em janeiro, em 21,6%, segundo dado do BC. Esse número pode recuar lentamente ao longo do ano, diz, mas, no curto prazo, representa entrave a um consumo mais robusto.

Leandro Padulla, da MCM Consultores, estima que as vendas do comércio restrito tenham subido 2,2% entre janeiro e fevereiro, mas pondera que o segundo mês do ano será um ponto fora da curva, e que as variações mensais devem retornar a um patamar mais "dentro da normalidade". "O consumo ainda terá bom crescimento no primeiro trimestre, mas o investimento deve começar a ganhar um pouco mais de destaque, em detrimento de uma desaceleração da demanda das famílias", diz.

Os analistas também esperam alta mais modesta do varejo ampliado neste ano, mesmo com a prorrogação do desconto no IPI para automóveis. Zerada até dezembro, a alíquota para veículos populares subiu para 2% em janeiro e voltaria a 7% depois de junho, mas será mantida no nível atual até o fim de 2013, assim como o imposto menor, de 7% a 8%, para carros até duas mil cilindradas.

Com base em números da Fenabrave, entidade que reúne as concessionárias, Padulla calcula que as vendas de automóveis, motos e comerciais leves encolheram 11,5% entre janeiro e fevereiro, feito o ajuste sazonal, o que sinaliza retração de 1% do comércio ampliado no período. Após o anúncio de que a isenção fiscal vai valer até dezembro, o analista manteve a estimativa de 5,8% para a alta das vendas ampliadas em 2013, já que boa parte do consumo foi antecipada para 2012.


Veículo: Valor Econômico


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