Alta do dólar afeta preços de alimentos e bebidas com reajustes de 2% a 8%

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                                   A alta da moeda norte-americana encarece diretamente o preço do trigo, o que afeta a cadeia que usa a matéria prima, no caso do pão




Preparem os bolsos. As bolachas, biscoitos, macarrões, torradas industrializadas, champanhes, espumantes e vinhos importados devem subir cerca de 10% a partir do próximo mês nas prateleiras das redes varejistas pernambucanas.

E o pãozinho francês, que já teve um aumento de 10% em março, também terá acréscimo de preço a partir de setembro, podendo variar de 2% a 8% (em média). O culpado, desta vez, é o dólar, que chegou a atingir o valor de R$ 3,54 (comercial) esta semana. A alta da moeda norte-americana encarece diretamente o preço do trigo - o que afeta a cadeia que usa a matéria prima - e os produtos importados, com ênfase nas bebidas alcóolicas.


Celso Duarte, presidente do Sindicato das Indústrias de Massas Alimentícias e Biscoitos de Pernambuco (SindiMassas), afirma que a perspectiva é que o trigo aumente entre 12% e 15% nas próximas semanas. “O preço do trigo vinha caindo no mercado internacional mas, com a alta abrupta do dólar, o valor se elevou muito. Além dele, a gordura e as embalagens plásticas, que também são insumos dolarizados, devem aumentar mais 10%, em média. Não tem como o setor absorver isso tudo”, detalha.

O discurso é o mesmo de Paulo Pereira, presidente do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria de Pernambuco (Sindipão). Segundo ele, o aumento do pãozinho é certo, mas como os moinhos do estado ainda não divulgaram a nova tabela de preços, não há como prever o quanto irá subir. “Quase 50% do custo do pão vem da farinha. O que pode acontecer é que os moinhos que tenham estoque ainda consigam manter o preço por mais um tempo, mas a alta é iminente”, revela. Hoje, o quilo do pão francês fica por R$ 8,50 em média, o que representa o custo de R$ 4,25 para 10 pãezinhos. Com a alta, esse valor pode subir até R$ 0,04 por unidade.

Consumidor
Teresa Cristina Santos, dona da padaria Pão Massa, reforça que o setor já está sofrendo com as bandeiras tarifárias e os aumentos da energia e da inflação. “Ninguém gosta de subir os preços, até porque, estamos tendo uma queda nas vendas. No meu caso, como meus clientes são das classes B e C, estou sentindo uma grande diferença porque o consumidor médio, da classe C, está endividado”.

Para Ricardo Jaegger, gerente regional Norte/Nordeste da Moët Hennessy, que representa as marcas Dom Pérignon, Veuve Clicquot, Moët & Chandon além de vinhos e vodcas, o reposicionamento de preços, que será de 10% em média, deve começar já na próxima semana. “Estamos sentindo o peso da alta do dólar desde junho. Tentamos segurar, mas essa estratégia não está mais ajudando. Infelizmente teremos que remarcar nossos preços de imediato.”

Apesar disso, Jaegger explica que a marca teve um crescimento de 16,7% no primeiro semestre e, com as festas de fim de ano, a previsão é de uma expansão expressiva da Moët no Norte/Nordeste, atingindo mais de 30% de alta. “Pernambuco é nosso maior público consumidor, mas também estamos com bons resultados na Bahia e no Ceará, o que puxa o consumo para cima”.



Veículo: Jornal Diário de Pernambuco


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