Recorde de endividamento no país em setembro

Leia em 2min

Sete a cada dez brasileiros estão endividados mostra levantamento da Confederação Nacional do Comércio 

 

A parcela de famílias endividadas em setembro registrou patamar recorde na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

No levantamento, a fatia de endividados ficou em 74% no mês passado. Além de ser superior à de agosto (72,9%) e à de setembro de 2020 (67,2%), foi recorde para a pesquisa iniciada em 2010.

 

Em comunicado sobre a Peic, Izis Ferreira, economista da CNC responsável pela pesquisa, explicou que o maior endividamento da população está relacionado a fatores como juros relativamente baixos no Brasil para a tomada de empréstimo, tornando a contratação mais acessível. Ou seja: na prática, o brasileiro está usando crédito para compor renda e, assim, fechar as contas no fim do mês.

 

Um exemplo disso é o uso do cartão de crédito mencionado na pesquisa de setembro, que foi citado por 84,6% do total de famílias com dívidas, fatia também recorde na pesquisa.

 

“Apesar da facilidade de acesso ao crédito em geral e no cartão, o aumento dos juros está em curso e tende a encarecer as dívidas e demais despesas em aberto. O recente aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), mesmo que temporário, acirra ainda mais esse custo”, afirmou a economista, em comunicado sobre a pesquisa.

 

Entretanto, o recorde de endividamento não levou à piora em inadimplência, pontuou a CNC. Na Peic, 25,5% informaram dívidas em atraso, abaixo de agosto (25,6%); e de setembro de 2020 (26,5%). Já a parcela de endividados que informaram não ter condição de pagar ficou em 10,3% em setembro, abaixo de agosto (10,7%) e de setembro de 2020 (12%).

 

Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, os sinais de inadimplência sem subir, na pesquisa, mesmo com endividamento em alta, são positivos.

 

“É positivo e surpreendente ver que os brasileiros estão conseguindo controlar seus gastos e equilibrar melhor o orçamento, mesmo absorvendo mais dívidas para dar conta de suas necessidades”, afirmou ele, em comunicado sobre a pesquisa. “Isso porque a inflação mais alta vem diminuindo o poder de compra das famílias, em especial às de menor renda. Parece haver uma maior compreensão sobre o uso do crédito, ferramenta importante de composição de renda em períodos de crise financeira”, opinou.

 

Redação SuperHiper 


Veja também

Pagamentos por aproximação com NFC somam R$ 41 bilhões

Aumento exponencial de transações se deu pelo viés da proteção onde o cliente s&oacut...

Veja mais
Produção industrial cai pelo terceiro mês seguido

A produção industrial do Brasil caiu pelo terceiro mês seguido, registrando retração d...

Veja mais
Operações do Pix à noite terão limite de R$ 1 mil a partir de hoje

Medida vale entre as 20h e as 6h A partir de hoje (4), as transferências e pagamentos feitos por pessoas f&ia...

Veja mais
Inflação atingiu pico em setembro, diz presidente do Banco Central

A alta da inflação deve ter chegado ao seu maior nível em setembro, na avaliação do p...

Veja mais
Faturamento da indústria de transformação recua 3,4% em agosto

O faturamento real da indústria de transformação apresentou queda de 3,4% no mês de agosto em...

Veja mais
Pesquisa diz que inadimplência cai, mas dívidas crescem em setembro

O número de famílias com dívidas a vencer subiu 1,1 ponto percentual em setembro, ficando em 74%, u...

Veja mais
Indicador Ipea cresce 2,2% nos investimentos de junho para julho

O Indicador Mensal de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), divulgado hoje (4), no Rio de Janeiro, pelo I...

Veja mais
Mercado financeiro eleva projeção da inflação para 8,51%

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), consi...

Veja mais
Inflação pelo IPC-S registra alta de 1,43% na quarta quadrissemana

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da quarta quadrisseman...

Veja mais