Mercado de cerveja deve fechar o ano com estabilidade

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Depois de um 2007 com crescimento de 7%, o que fez o volume produzido ultrapassar 10 bilhões de litros - a primeira vez nos últimos dez anos - as cervejarias encontraram mais dificuldades para crescer em 2008. "Pelo que foi o ano, se tivermos uma estabilização do volume produzido em relação ao ano passado, vai ser considerado bom", afirmou Enio Rodrigues, superintendente do Sindicato Nacional das Industrias de Cerveja (Sindicerv), entidade que tem entre os associados duas das quatro maiores cervejarias do País, a Companhia de Bebidas das Américas (AmBev) e a Fomento Econômico Mexicano S.A (Femsa).

 

O resultado pode não ser o que as indústrias esperavam no início do ano, mas em ano de lei seca e alta do dólar, manter o volume de produção de cerveja será positivo para as cervejarias em 2008", avaliou Rodrigues.

 

"Tivemos a crise internacional, que impactou no dólar, tivemos a lei seca, que ainda não conseguimos mensurar o real impacto, e agora, no final do ano, ainda tivemos mudança no IPI (que vale a partir de 2009)", afirmou.

 

Naturalmente, por possuir quase 70% do mercado de cerveja brasileiro, a AmBev é a empresa com maior peso no crescimento do setor. De janeiro a setembro, o volume de produção da companhia cresceu 1%, para 4,8 bilhões de litros. Em comunicado, a empresa justificou o desempenho em virtude do clima desfavorável em regiões chave durante o mês de setembro.

 

E as atenções continuam voltadas para o clima neste momento. Como a temporada de verão concentra até 60% das vendas das fabricantes, a possibilidade de chuva durante o período representa o maior pesadelo das indústrias. "Este ano está chovendo muito", disse Rodrigues. "O nosso setor é diretamente impactado pela disponibilidade de renda e pelo clima", afirmou.

 

Em faturamento, o crescimento do setor deve ser um pouco maior do que em volume, já que só a inflação de cerveja acumulada de janeiro a novembro ficou em 6,9%, de acordo com dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). No ano passado, o faturamento do setor alcançou R$ 26 bilhões.

 

Desafio dos preços

 

Para 2009, o grande desafio das cervejarias será o preço praticado, segundo Rodrigues. Com a alta do dólar - que impacta nos preços do malte, do lúpulo, do açúcar e até mesmo no alumínio utilizado nas latinhas - e as mudanças tributárias - o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) terá alta de até 15% para a maior fabricante -, o preço da cerveja será determinante para um bom desempenho em 2009.

 

"As empresas terão que se esforçar para transferir o mínimo possível dos custos para alavancar o volume de produção", disse Rodrigues. "Terão que trabalhar fortemente em redução de custos internos para segurar os preços", afirmou.

 

A alta do dólar, efeito da crise internacional, deve ser sentida com mais força no próximo ano pelas fabricantes, segundo Rodrigues. "A maior parte das empresas trabalhava com operações de hedge (proteção)", disse. Segundo o superintendente do sindicato, a situação de "desaceleração do crescimento exige cautela das empresas".

 

Importação

 

As importações de cerveja cresceram em 2008. No acumulado do ano até novembro, as compras de rótulos internacionais totalizaram US$ 11,9 milhões, ante US$ 6,3 milhões do mesmo período do ano anterior.

 

Veículo: Gazeta Mercantil


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