Vendas do comércio avançam 4,04% em BH

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Embora as vendas do comércio varejista da Capital tenham avançado 4,04% em agosto na comparação com julho, o resultado não foi suficiente para recuperar as perdas em relação ao mesmo mês de 2019 e no acumulado de 2020. A expectativa é que a retomada permaneça nos próximos meses, de maneira a amenizar os impactos provocados pelas medidas de distanciamento social em combate ao novo coronavírus (Covid-19).

Os dados são da pesquisa “Termômetro de Vendas” da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) e indicam quedas de 7,58% e 8,7%, nos níveis de comercialização frente agosto de 2019 e no acumulado deste ano, respectivamente. Na avaliação da coordenadora de economia e pesquisa da entidade, Ana Paula Bastos, o aumento sobre julho pode ser considerado sazonal, já que a base de comparação é fraca.

“Ainda não podemos falar em recuperação, porque tivemos quedas muito elevadas nos meses anteriores. Belo Horizonte foi a capital com o maior fechamento da economia e os impactos foram grandes. Mas, destacamos que, a partir da liberação em agosto, muitas atividades de todo o comércio varejista e atacadista voltaram a se aquecer, o que possibilitou a melhora do desempenho de algumas variáveis”, avaliou.

Atrelado a isso, conforme a economista, observou-se ainda um aumento na geração de empregos do setor, que obteve saldo positivo do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia. Em agosto, foram criados, ao todo, 4.325 empregos formais, mais que o dobro do apurado em julho, quando o número chegou a 2.060.

De toda maneira, ainda é cedo para comemorar ou fazer projeções positivas para o acumulado de 2020. Segundo Ana Paula Bastos, não será possível encerrar o ano com crescimento, justamente em função das fortes quedas nos meses anteriores.
Nem mesmo o tradicional aquecimento de diversos setores no último trimestre do exercício, a partir de datas comemorativas como o Dia das Crianças, a Black Friday e o Natal – esta, a principal época em termos de vendas.

“Estes últimos meses tendem a ser mais aquecidos pela presença destas datas e pela injeção de renda extra na economia. Mas até mesmo o 13° salário este ano vai ser menor, uma vez que o número de desempregados cresceu e houve redução de salários em virtude da pandemia”, ponderou.

Segmentos

 

Conforme a pesquisa, os nove setores mapeados (drogarias, perfumes e cosméticos; máquinas, eletrodomésticos, móveis e louças; veículos e peças; supermercados e produtos alimentícios; tecidos, vestuários, armarinhos e calçados; ferragens, material elétrico e de construção; Papelaria e Livraria; informática e artigos diversos) apresentaram desempenho positivo em agosto na comparação com julho, com destaque para vestuário e calçados, que avançou 9,74%.

Em relação a agosto do ano anterior, os segmentos que apresentaram maior desaceleração foram informática (-9,94%) e artigos diversos (-8,82%).

Já no acumulado de janeiro a agosto, os únicos setores que não apresentaram desaceleração no desempenho do comércio belo-horizontino foram supermercados (3,67%) e drogaria e cosméticos (0,75%). Na outra apareceram: informática (-9,97%) e veículos e peças (-9,25%).

Comerciantes estão mais otimistas

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), medido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), cresceu 10,5% em outubro e alcançou 103,1 pontos, voltando ao patamar de otimismo (acima de 100 pontos) após seis meses.


No comparativo anual, no entanto, houve queda de 15,1%. Segundo a CNC, a quarta alta mensal consecutiva ajudou o indicador a recuperar um total de 36,5 pontos desde junho, quando registrou a pior pontuação da série.

O presidente da CNC, José Roberto Tadros, destacou a percepção cada vez mais otimista dos comerciantes, principalmente com a proximidade das festas de fim de ano. “Mesmo no contexto de pandemia, as perspectivas são de melhor desempenho do varejo no último trimestre, que será favorecido pelo aumento do faturamento com datas como a Black Friday e o Natal”, afirmou Tadros, em nota.

Os principais subíndices do Icec registraram crescimento, com destaque para o referente à satisfação dos comerciantes com as condições atuais (+27,9%), que chegou a 71,9 pontos – o terceiro avanço seguido do item, após cinco meses de quedas intensas. O indicador, contudo, ainda está 25,4% atrás do nível verificado em outubro de 2019.

Em relação à economia, os empresários do comércio se mostraram 37,7% mais satisfeitos do que em setembro. A economista da CNC responsável pela pesquisa, Izis Ferreira, ressaltou que esta foi a terceira alta consecutiva do indicador, que atingiu 57 pontos, após queda de mais de 90 pontos desde o início da pandemia (entre março e julho).


Fonte: Diário do Comércio  


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