Coca-Cola Femsa busca eficiência de custo no país

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O grande desafio para a maior engarrafadora de Coca-Cola do mundo no Brasil em 2015 é a inflação, diz o presidente da mexicana Coca-Cola Femsa no país, José Ramón Martínez. Por isso, a empresa tem buscado maior eficiência. "Estamos trabalhando muitas iniciativas de produtividade e de eficiência de custos, tanto de matéria-prima como de processos", afirma o executivo, que assumiu a operação em 2013. A empresa tem repassado a inflação aos preços ao consumidor.

A Coca-Cola Femsa tem receita de US$ 3 bilhões e 20 mil funcionários no Brasil. Segundo Martínez, a companhia investe mais de US$ 100 milhões ao ano no país, em geladeiras, embalagens e maquinário. O valor será mantido em 2015. A cifra não considera os grandes projetos de infraestrutura, como a décima fábrica da companhia no Brasil, em Itabirito (MG), a 57 quilômetros de Belo Horizonte. A unidade consumiu US$ 250 milhões e está em fase pré-operacional desde a semana passada. A ideia é que, com o tempo, a unidade absorva a produção da fábrica da companhia em Belo Horizonte, que tem tecnologia mais antiga.

Após comprar duas engarrafadoras locais em 2013 - a Spaipa e a Companhia Fluminense de Refrigerantes (CiaFlu), por US$ 2,3 bilhões -, a Femsa passou a ter 40% do mercado brasileiro de bebidas da Coca-Cola Company. A companhia tem licença para fabricar e distribuir os produtos nos Estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro e em parte de Goiás. Segundo Martínez, a integração das empresas adquiridas foi "exitosamente concluída", com os ganhos de sinergia planejados. "Consolidamos os processos de 'back office' e tivemos ganhos logísticos", afirma. O executivo diz que novas aquisições não estão em foco no momento, mas que a empresa está sempre "em diálogo" com o mercado.

Segundo Martínez, 2014 tem sido um ano muito desafiador, mas vai fechar "bem", com aumento de um dígito no volume de bebidas vendidas, excluindo o impacto das aquisições. O volume cresce inclusive na categoria de refrigerantes, na qual a companhia produz Coca-Cola, Fanta, Kuat e Sprite. O segmento representa cerca de 70% do portfólio da companhia, que também conta com a água Crystal, os néctares Del Valle e os energéticos Burn, entre outros. A marca Coca-Cola (incluindo variantes como Light e Zero) responde por cerca de 70% dos refrigerantes.

Em um ambiente de consumo mais retraído, a companhia também aposta desde o ano passado em embalagens menores e retornáveis. As garrafas PET pequenas, de 200 ml e 300 ml, respondem por 10% a 15% da demanda.

Martinez falou ao Valor na fábrica da companhia em Maringá (PR), inaugurada em 2012. O executivo participou de cerimônia de entrega do certificado LEED à unidade. A fábrica foi a primeira de refrigerantes do Brasil a receber o selo de sustentabilidade. Medidas como economia de energia e água, que contam para a estampa verde, também ajudam na redução de custos. A fábrica consome 1,5 litro de água por litro de bebida produzida, patamar inferior à média da indústria. A unidade de Itabirito também foi projetada com base nos preceitos da certificação, assim como o centro de distribuição que a fabricante está construindo no Rio de Janeiro, com previsão de conclusão em outubro de 2015.

A fábrica de Maringá tem 46 mil metros quadrados de área construída e consumiu R$ 150 milhões em investimento. Há apenas uma linha de produção de refrigerantes na unidade, mas o projeto já foi feito para comportar quatro linhas, à medida que a demanda cresça. Segundo Martínez, a fabricação do refrigerante mais vendido do mundo "é um processo muito simples". Apontando para reservatórios isolados por vidros, ele explica que ali se faz nada mais que um xarope de água com açúcar purificado. Depois, essa solução é misturada a um concentrado que dá cor e gosto à bebida, produzido pela Coca-Cola Company em Manaus - de onde a fórmula secreta é distribuída a todos os engarrafadores da bebida do Brasil. Por fim, é adicionado gás carbônico.



Veículo: Valor Econômico


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