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2020: um ano sem precedentes

O ano de 2019 já havia sido um período de crescimento aquém das expectativas do mercado, dado diversos fatores, como o atraso na aprovação de algumas reformas, como da previdência, por exemplo. A esperança de um desempenho mais satisfatório foi depositada em 2020, cuja estimativa de crescimento do PIB era de, pelo menos, 2%. Entretanto, a pandemia da covid-19 trouxe impactos sem precedentes, causando uma contração de 4,1% do PIB Brasileiro, ainda que menor do que as previsões iniciais.

O crescimento exponencial nos casos de infecções e mortes, que levou os governos a decretarem medidas de restrição de circulação e incentivando o distanciamento social, acabou por gerar um significativo impacto social e econômico em diversos setores. Os programas de proteção do emprego, com flexibilização dos contratos de trabalho, entre outras iniciativas, do governo federal, em especial o auxilio emergencial, amenizaram o impacto, mas não foram suficientes para evitar um aumento significativo nas taxas de desemprego (que já eram altas) e uma queda significativa na renda média da população, causando um ambiente de muita incerteza e queda de confiança.

O que vimos, então, foi um consumidor cheio de incertezas, em parte buscando o distanciamento social, dividindo tarefas domésticas com atividades profissionais (quando possível), e tendo que fazer escolhas em função da diminuição na renda. Importante ressaltar que boa parte da população economicamente ativa trabalha na informalidade. Como consequência, vimos um consumidor indo menos vezes ao PDV, embora com um gasto médio mais elevado.

Por outro lado, vimos esses mesmos consumidores preparando suas refeições em casa, com maior preocupação com o “saudável” e, de alguma forma, reinventando as experiências em família. Outros comportamentos identificados foram as compras on-line e o maior consumo de streaming e mídias sociais.

Por ser uma atividade essencial, os supermercados, em geral, tiveram um bom desempenho no ano de 2020 em função não só do consumo ter migrado em grande parte para dentro dos domicílios, mas também pelo auxílio emergencial oferecido pelo governo federal, o qual os consumidores disseram ter usado o dinheiro para o pagamento de pequenas contas e com alimentação.

Sendo assim, o canal atacarejo, ou cash & carry, foi o que teve maior destaque (+26,7%) por oferecer um extenso mix de produtos com maior apelo de baixo preço, o que favoreceu as compras de abastecimento para os consumidores com menor frequência nos PDVs, seguido dos autosserviços independentes/vizinhança (15,4%), que têm por características a proximidade e a compra de produtos frescos que não são possíveis de se comprar para o mês inteiro. Além disso, tanto os supermercados (+12,3%) como os hipermercados (12,5%) também apresentaram crescimentos em faturamento em relação ao ano anterior. Os canais mais impactados negativamente foram os bares, restaurantes e lojas tradicionais, como padarias com consumo local, além do canal perfumarias.

Desempenho das categorias

Entre as categorias de maior crescimento, os alimentos, obviamente, foram os destaques com as commodities sendo as categorias de maior crescimento em faturamento, não só pelo aumento de consumo, mas também pelo impacto do aumento de preços. O fato de as pessoas estarem em casa preparando suas próprias refeições acabou privilegiando o consumo dessas categorias que são a base da alimentação, além do fato de não estarem fazendo refeições fora de casa, o que, em geral, é feito através das vendas institucionais pela indústria.

Também destacamos as vendas de perecíveis frescos com crescimento nominal de 23,8% frente a 2019. Carnes, frutas, legumes, verduras tiveram um crescimento importante na cesta, demonstrando maior consumo de produtos mais saudáveis/ naturais. Os perecíveis industrializados (+19,6%) com peso importante dos congelados também nos mostra maior consumo de produtos que possam ser estocados e consumidos com certa praticidade.

Nos eletrônicos (+19,3%), o maior destaque foram aparelhos celulares e, em limpeza (+16 %), destaque para os concentrados de limpeza, sabão para roupas, desinfetantes e detergentes líquidos. Ou seja, produtos voltados para desinfecção de ambientes ou por ter maior consumo em função do maior tempo dentro do domicílio foram mais beneficiados.

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