2019

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Consumo à espera de dias melhores

 

 

Em 2018, as vendas de bens de consumo industrializados, no autosserviço brasileiro, caíram pelo terceiro ano consecutivo. No ano passado, o volume comercializado pelo autosserviço, desconsiderando o canal cash & carry, teve retração de 2,9%, ante os 2,4% de queda registrada em 2017. Considerando todo o varejo alimentar, a retração consolidada foi de 2,8%.

Ao analisar o desempenho dos canais do varejo, especificamente os dedicados ao abastecimento dos lares, o supermercado teve mais um ano satisfatório e registrou, pela segunda vez, aumento no volume comercializado. Em 2018, o formato cresceu 3% em volume, resultado que supera em 0,7 ponto percentual a alta do ano anterior. Para fins de histórico, em 2016, as vendas neste canal haviam retraído 3,3%. Já o cash & carry segue colecionando altas de dois dígitos, com salto de 12,3% no volume comercializado.

No campo dos desempenhos negativos, observa-se que as mercearias seguem como o canal mais impactado, com queda de 7% em volume - praticamente o mesmo nível de retratação registrado no ano anterior. Lojas de vizinhança tiveram novo recuo, dessa vez de 2,9%, e o canal hipermercado seguiu o movimento de queda mais acentuada, com retração de 6,3% no volume comercializado.

Desempenho das cestas

O modelo de cestas, com suas respectivas subcestas, seguidos pela Nielsen, visa seguir a ótica do consumidor, pautada no conceito de soluções de compras. Neste universo, a maior parte delas apresentou retração no ano passado, considerando o total autosserviço (veja tabela). Válido observar que as cestas de alimentos e bebidas apresentaram queda mais acentuada em relação a 2017.

Já as seções de bazar, higiene e beleza e limpeza registram desempenho mais satisfatório — essa última, inclusive, com saldo positivo em volume (1,7% ante -0,5%).

A cesta de bebidas, uma das mais representativas em termos de participação nas vendas, teve queda no volume comercializado de 3,1%, com destaque para o segmento de não alcoólicos, cuja retração foi de 4,5%.

Do lado das bebidas alcoólicas, em compensação, houve um tímido saldo positivo, de 0,6%, reforçando o movimento de redução do consumo fora do lar. Na cesta de alimentos, que retraiu 4,2% no autosserviço, as maiores retrações ficaram por conta dos chamados culinários e da subcesta café da manhã, que tiveram, respectivamente, quedas de 5,6% e de 2,7%. 

Por outro lado, os snacks e o segmento de nutrição, que negativaram em 2017, tiveram saldo positivo no ano passado, de 1% e 0,4%, respectivamente. Em higiene e beleza, a retração ficou em 1,8%, o que significa que houve nova desaceleração na queda consolidada desta seção, visto que, em 2017, o recuo fora de 2,2% e, em 2016, a queda registrada havia sido de 5,9%. O resultado, em questão, indica que o consumidor voltou a lhe proporcionar alguns agrados, corroborando a vocação autoindulgente deste segmento. 

A desaceleração da queda registrada no ano passado foi puxada pelas subcestas de cuidado com a beleza, cujo volume cresceu 1,8%, e de cuidado com bebês, que teve retração, mas bem inferior em relação ao ano anterior: -1,4%, em 2018, e -6,3% em 2017. Por fim, considerando as seções de maior giro, a de limpeza apresentou melhora no consumo e conseguiu fechar o ano de 2018 com saldo positivo no volume comercializado, de 1,7%. Os segmentos de casa e roupa ficaram no azul. Já no campo do bazar, houve significativo avanço. Enquanto o volume vendido caiu 6,7% em 2017, as vendas desta seção, no ano passado, cresceram 0,7%.

Otimismo continua

A economia brasileira registrou novo crescimento no ano passado e, para 2019, as perspectivas do mercado financeiro são otimistas, que prevê crescimento em todos os fundamentos da economia. Para este ano, o mercado prevê crescimento de 2,5% do PIB, inflação controlada, retorno dos investimentos e melhorias na criação de postos de trabalho. Tudo isso contribuirá para o consumo e será benéfico para a atividade supermercadista. A projeção inicial do setor é de 3% de crescimento neste ano.

O tapete vermelho da indústria brasileira

As marcas mais vendidas em 150 categorias e os lançamentos apontados pelo varejo como mais inovadores foram conhecidos e premiados no dia 20 de fevereiro, em jantar promovido pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), em São Paulo, que reuniu profissionais da indústria e do setor supermercadista. A solenidade marcou a união de duas tradicionais vitrines da indústria brasileira de bens de consumo: o Estudo Líderes de Vendas, realizado pela Nielsen, e o Prêmio Lançamento do Ano, organizado em parceria com a GfK Brasil. 

“Dois eventos, que antes aconteciam separados, agora, estão juntos, nos dando uma oportunidade única de prestigiar e homenagear, ao mesmo tempo, grandes empresas e marcas que trazem tanto valor aos nossos supermercados”, declarou o presidente da Abras, João Sanzovo Neto. No total, a pesquisa Líderes de Vendes, que está completando 20 anos, contemplou 80 fornecedores. 

Já a 41ª edição do Lançamento do Ano premiou 13 companhias. Em seu discurso, o presidente da Abras lembrou que mais da metade das marcas lançadas durante o ano não sobrevive. “Por isso, se manter na preferência dos consumidores e nas gôndolas dos supermercados é uma grande vitória”, comemorou Sanzovo. “Também sabemos da dificuldade em criar produtos inovadores, que encantem nossos clientes e gerem valor para nossas lojas.

Este é um trabalho árduo, que exige muita criatividade, investimento e perseverança, principalmente em cenários desafiadores, como o que passamos nos últimos anos. O reconhecimento de tamanho esforço é o motivo de estarmos aqui reunidos. Parabéns a todas as empresas vencedoras.” Sanzovo também aproveitou a oportunidade para falar da atual conjuntura do País, bem como dos sinais positivos que há para este ano. Conforme destacou, o novo governo tem gerado esperança e confiança no empresariado brasileiro. “Pelos nossos últimos encontros, temos motivos para acreditar que a nova política, com tendência liberal, focada nos cortes de gastos, na diminuição da máquina pública e no empreendedorismo, dará aos empresários o apoio necessário para voltar a investir e gerar mais emprego e renda para o País.”

Por fim, o supermercadista reforçou que a Abras tem trabalhado muito, com o apoio da União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs), para fortalecer sua atuação em Brasília e para acompanhar as mudanças geradas pela recente renovação do Congresso Nacional. “Importante lembrar que, atualmente, existem mais de cinco mil projetos de lei em andamento que impactam o nosso setor. Quinhentos deles são acompanhados diretamente pelo nosso escritório de Brasília, com gestão junto aos parlamentares.” 

A cerimônia de abertura do jantar também contou com os pronunciamentos do líder de Desenvolvimento de Negócios da Nielsen, Daniel Asp Souza, que trouxe um resumo do que aconteceu no varejo no ano passado e as perspectivas para 2019, e do diretor de Relacionamento da GfK Brasil, Marco Aurélio Lima, que apresentou a metodologia da pesquisa Lançamento do Ano.

 

 

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Atualizado em 24 de Junho de 2020