2018

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A caminho do crescimento

Em 2017, as vendas de bens de consumo industrializados, no autosserviço, caíram pelo segundo ano consecutivo. Houve, no entanto, desaceleração na queda em relação ao período anterior, muito em função da retomada da economia. No ano passado, o volume comercializado pelo autosserviço, desconsiderando o canal cash & carry, teve retração de 2,4%, ante os 5% de queda registrada em 2016. Considerando todo o varejo alimentar, a retração consolidada foi de 3,5%.

Ao analisar o desempenho dos canais do varejo, especificamente os dedicados ao abastecimento dos lares, o supermercado teve um ano satisfatório e conseguiu reverter a queda registrada em 2016, que fora de -3,3% em volume. Em 2017, este formato de loja cresceu 2,3%.

Já o cash & carry segue colecionando altas de dois dígitos, com salto de 18,5% no volume comercializado. Este aumento, de acordo com a diretora de Varejo da Nielsen, Daniela Toledo, foi favorecido pela entrada de novas redes de atacarejo na base da companhia, mas deve-se, sobretudo, à performance das redes e também pela abertura de lojas.

No campo dos desempenhos negativos, observa-se que as mercearias seguem como as mais impactadas, com queda de 7,1% em volume. Lojas de vizinhança tiveram novo recuo, dessa vez de 3,2%, e o canal hipermercado retraiu 6,2%.

Desempenho das cestas

O modelo de cestas, com suas respectivas subcestas, seguido pela Nielsen, visa seguir a ótica do consumidor, pautada no conceito de soluções de compras. Neste universo, todas apresentaram retração no ano passado, considerando o total varejo.

A cesta de bebidas, uma das mais representativas em termos de participação nas vendas, teve queda no volume comercializado de 4,1%, com destaque para o segmento de não alcoólicos, cuja retração foi de 7,8%. Do lado das bebidas alcoólicas, a queda foi de 1,7%, reforçando o movimento de redução do consumo fora do lar, comportamento que favoreceu esta subcesta no autosserviço, que registrou alta 2,6% neste segmento.

Em alimentos, que retraiu 3,3% no varejo, o protagonismo ficou por conta dos itens de preparo rápido e da subcesta café da manhã, que tiveram, respectivamente, quedas de 6,2% e de 4,2%. O autosserviço sentiu menos a retração da cesta de alimentos, que fechou o ano em -2,1%. Em higiene e beleza, a retração ficou em 1,4%, porém, a desaceleração na queda foi expressiva, visto que, em 2016, o recuo fora de 5,1% no varejo.

O resultado, em questão, indica que o consumidor voltou a lhe proporcionar alguns agrados, corroborando a vocação autoindulgente deste segmento. Subcestas importantes para o varejo, como cuidados pessoais e cuidados para os cabelos, apresentaram melhoria no desempenho das vendas.

Assim como as demais cestas já mencionadas, a de limpeza também apresentou melhora no consumo, mas, mesmo assim, não conseguiu sair da zona negativa, que ficou em 1,4%. As exceções, nesta edição do estudo, ficaram por conta da cesta de bazar e cigarro, cujas quedas foram mais expressivas no ano passado.

Bons ventos

Depois de dois anos de retração, a economia brasileira, finalmente, voltou a crescer em 2017, fato que influenciou positivamente os resultados desta análise. Para 2018, as perspectivas do mercado financeiro são otimistas, que prevê crescimento em todos os fundamentos da economia.

Para este ano, o mercado prevê crescimento de 2,8% do PIB, inflação controlada, retorno dos investimentos e melhorias na criação de postos de trabalho. Tudo isso contribuirá para o consumo e será benéfico para a atividade supermercadista. A projeção inicial do setor é de 3% de crescimento neste ano.

Os líderes de vendas sobem ao palco

As marcas mais vendidas em 150 categorias presentes no autosserviço foram reveladas no dia 20 de fevereiro, em evento promovido pela Abras, em São Paulo, que contou com a presença de profissionais da indústria e do setor supermercadista. Trata-se da 19ª edição da Pesquisa Líderes de Vendas, realizada pela Nielsen com exclusividade para SuperHiper, que apura, anualmente, as marcas que mais caíram no gosto do consumidor nas cestas de alimentos, alimentos perecíveis, bazar, bebidas, higiene e beleza e limpeza.

“Essa importante homenagem foi criada pela revista SuperHiper, em parceria com a Nielsen, para reconhecer as marcas que fazem a diferença nos supermercados do País. Sabemos o quanto este feito é especial, diante do difícil ano que passamos, e também porque os nossos clientes estão cada vez mais exigentes e seletivos em relação às suas compras”, destacou o presidente da Abras, João Sanzovo Neto, em seu discurso de abertura. “Estar na preferência dos consumidores é uma grande vitória que merece ser reconhecida e celebrada.” 

Sanzovo também aproveitou a ocasião para defender a necessidade de o setor, diante do cenário de retomada econômica, apostar em estratégias para potencializar as vendas e a rentabilidade das lojas e, inclusive, melhorar a experiência dos clientes, fatores que já estão voltando a impactar nas decisões de compra. “As perspectivas do mercado financeiro, para 2018, são animadoras, com PIB em torno de 2,8% de crescimento, taxa Selic em 6,7%, inflação em queda e retorno dos investimentos e dos empregos.

Este cenário deve proporcionar ao setor supermercadista um crescimento de 3%”, revelou. Por fim, o presidente da Abras ainda ressaltou os esforços que estão sendo realizados, por meio da União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs), para melhorar o ambiente de negócios no País. “Uma das nossas pautas é a derrubada do veto ao Refis [Programa de Recuperação Fiscal] das micro e pequenas empresas. Com isso, contribuiremos com a sobrevivência dessas empresas e com os empregos que geram. 

Precisamos, ainda, de uma simplificação tributária e de uma desburocratização do sistema de crédito brasileiro. Os empresários precisam de mais incentivos para empreender e gerar mais postos de trabalho no Brasil”, declarou Sanzovo.

Desempenho do varejo

O evento de premiação das empresas líderes de vendas também contou com a palestra da diretora de Varejo da Nielsen, Daniela Toledo, que apresentou os principais indicadores do desempenho do setor, em 2017. Conforme destacou, a cesta de produtos monitorada pela Nielsen teve queda de 3,8% em valor. Já em termos de volume comercializado, a retração foi de 3,5%. “Este movimento de queda ocorreu em todas as regiões”, observou a especialista. 

“Para este ano, o consumidor está mais confiante para retomar o consumo. No entanto, também está bem mais racional e consciente, já que aprendeu a economizar e a buscar melhor custo-benefício.” Alimentos e bebidas, por serem os segmentos mais representativos na cesta analisada, foram os que mais contribuíram para este resultado. Em volume, as respectivas quedas foram de 3,3% e de 4,1% (veja quadro completo). 

Com relação aos canais de vendas, o atacarejo segue como destaque. Em 2017, este formato teve crescimento de 15,7%, em valor, e alta de 18,5%, em volume. “Importante ressaltar que novas cadeias entraram para a base da Nielsen, mas este resultado deve-se, principalmente, performance das redes e também pela abertura de lojas, cuja importância foi de 60% na alta do faturamento deste canal”, explicou a diretora da Nielsen.

Desempenho positivo também no canal supermercado, cujas altas foram de 0,9%, em valor, e de 2,3%, em volume. Já as lojas de vizinhança e os hipermercados registaram queda nos indicadores de receita e volume (veja quadro). Segundo a Nielsen, o ano fechou com 98.923 SKUs ativos no mercado. Em 2017, a quantidade de itens descontinuados superou o volume de produtos lançados. No período, 21.045 itens saíram das lojas e 16.932 itens chegaram às gôndolas.

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