2017

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Depois da tempestade

O varejo de bens de consumo alcançou, em 2016, sua pior recessão em anos. Até o autosserviço, que resistia, perdeu vendas, contribuindo para os 5,8% de queda do setor em volume. Porém, 2017 deve marcar o início da retomada

As vendas em volume de bens de consumo industrializados caíram, de forma inédita, pelo segundo ano seguido, em todo o varejo, mas, para o autosserviço, a queda aconteceu, depois de mais de uma década, pela primeira vez. Após expansão pequena, de 0,8%, em 2015, no ano passado, o volume de vendas dos canais de autosserviço, afora o cash & carry, acumulou baixa de 5%. Em todo o varejo, exceção feita ao atacarejo, segundo a Nielsen, a queda foi de 5,8%.

Neste ano, a análise dos números gerais do estudo Líderes de Vendas, feita nestas páginas, traz algumas alterações: trata, nos gráficos, por exemplo, de todos os formatos de varejo, não apenas do autosserviço, diferentemente das tabelas que se seguirão, restritas às vendas das categorias no canal autosserviço.

O objetivo, ao extrapolar esta análise a outros canais, é mostrar como o setor está inserido neste contexto mais amplo. Até porque, o cash & carry, um formato de autosserviço que não se enquadra na defi nição de supermercado, embora também dispute os mesmos clientes, cresceu, em volume, 11,3% em 2016, enquanto todos os demais formatos e modelos de varejo, como se viu, caíram.

“Se acrescentássemos os números do cash & carry aos do varejo, o canal não seria capaz de impedir a queda no volume geral de vendas do setor”, diz a executiva de Contas do Varejo da Nielsen, Lenita Vargas Mattar. 

A executiva acrescenta que o atacarejo tem ganhado clientes, até mesmo, entre as classes mais abastadas. A razão é simples: em ano de crise, preço é o atributo mais importante no mercado de consumo. “Nossas pesquisas apontam que, em 2016, as pessoas da classe A/B aumentaram em 22% o gasto médio em lojas de cash & carry.”

Ao analisar os diversos canais de varejo, constata-se que as mercearias foram as mais impactadas pela crise, com retração de 8,6% nas vendas. Os supermercados de vizinhança e os convencionais tiveram quedas menos representativas do que a média do varejo: 5,1% e 3,3% respectivamente.

Seguindo uma tendência histórica que se acentua na mesma razão em que os atacarejos se consolidam como umcanal altamente popular, os hipermercados tiveram a segunda pior queda entre os canais de varejo em 2016: 7,4%.

É interessante observar outra mudança de abordagem na análise deste ano: os formatos de autosserviço passam a ser defi nidos não mais pela quantidade de check-outs, mas pelos nomes que geralmente recebem no mercado. O principal critério para que sejam chamados de loja de vizinhança ou hipermercado, por exemplo, é a sua metragem quadrada.

Lideranças atestadas e premiadas

As marcas líderes de vendas foram reveladas e premiadas em evento  promovido por SuperHiper. O comportamento do consumidor e os desafios  do varejo, no atual cenário econômico, também foram pauta na ocasião

Manter uma marca viva no mercado é uma missão bastante desafiadora para qualquer indústria. Agora, torná-la líder da categoria a que pertence é um feito que merece ainda mais reconhecimento. Por isso, SuperHiper homenageou, no dia 21 de fevereiro, em São Paulo, 80 companhias que lideraram as vendas em 150 categorias, comercializadas pelos supermercados em 2016. O levantamento, em questão, compõe a 18ª edição da Pesquisa Líderes de Vendas, realizada pela Nielsen com exclusividade para SuperHiper.

“Conquistar o topo da categoria, diante do cenário de instabilidade econômica que estamos atravessando, só é possível com muita inovação e criatividade. Essa é uma justa homenagem às marcas que estão fazendo a diferença no faturamento do autosserviço brasileiro”, declarou o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), João Sanzovo Neto. “Como sabemos, diversos são os lançamentos com curto prazo de vida.

Chegar e se manter na liderança de uma categoria é uma grande vitória que merece ser reconhecida.” 

Em seu discurso, na abertura da solenidade, o presidente da ABRAS também pontuou que este ano exigirá ainda mais inspiração e transpiração do setor. “A retomada da economia já começou, mas ocorrerá de forma lenta. Assim, o setor precisa manter o otimismo e focar as oportunidades. Essa é a hora de traçar novas estratégias e de buscar parcerias que tragam inovação às lojas.”

O novo consumidor

A diretora de Retail Service da Nielsen, Daniela Toledo, realizou a palestra da noite, em que tratou, sobretudo, do reflexo que o período de crise terá no comportamento do consumidor na retomada econômica que se avizinha. Segundo ela, com a recessão, o consumidor brasileiro está amadurecendo e, provavelmente, não terá o mesmo comportamento de consumo que tinha antes da grande turbulência.

A retração da renda e o expressivo aumento do desemprego, que já afeta mais de 12 milhões de brasileiros, motivaram um maior equilíbrio financeiro nos domicílios. Assim, na média, os gastos não ultrapassaram a receita das famílias. Em 2016, enquanto a renda encolheu 12%, voltando a patamares de cinco anos atrás, o desembolso dos lares retraiu 16%. Isso impactou o desempenho de todo o varejo que, segundo a Nielsen, sofreu retração média de 4,7% em volume.

“Diante dos desafios impostos pela economia, o brasileiro fez escolhas e buscou alternativas”, avaliou Daniela.

“As compras de abastecimento ganharam peso e passaram a responder por 38,5% das missões de compra. 42% dos lares optaram por marcas mais baratas para manter o consumo dentro das categorias e 22% preferiram reduzir o consumo em vez de trocar as marcas preferidas.”

O consumidor também não se importou em andar mais para economizar e frequentou, em média, sete canais. Quem ganhou com isso foi o atacarejo, único canal de varejo que cresceu e cujo aumento no volume de vendas foi de 12,5%. Enquanto isso, as lojas de vizinhança tiveram queda de 3,4% e os supermercados registraram redução de 4,2% no volume comercializado.

Já nos hipermercados a retração foi maior, fechando o período em 6%

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Veículo: Revista SuperHiper edição de março de 2017