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18/09/2015 12:10 - Megafusão de cervejarias enfrentará obstáculos

Esta poderá ser a maior fusão de cervejas da história, há muito tempo discutida por analistas e executivos do setor cervejeiro. Mas uma união da Anheuser-Busch InBev e SABMiller, as duas maiores cervejarias do mundo, também vai provocar um exame minucioso dos órgãos antitruste, que já manifestaram uma certa desconfiança quanto a diversas e enormes fusões anunciadas recentemente.

Mas no caso de as duas companhias chegarem a concluir a fusão, ela trará claros benefícios para a AB InBev, que por duas décadas se tornou uma máquina de aquisições, o que a transformou na maior fabricante de cerveja do mundo.

Tendo começado como uma fabricante de cerveja local no Brasil, a companhia se expandiu, realizando enormes aquisições no mundo, coroadas com a compra do controle da Anheuser-Busch, em 2008, que colocou a Bud Light e a Stella Artois sob um único teto.

Mas as vendas de cervejas de megamarcas tradicionais caíram em mercados como Estados Unidos e Europa, uma vez que os consumidores passaram a se interessar por vinho e cervejas artesanais. O que levou as grandes companhias do setor a buscar maneiras adicionais de estimular seu crescimento.

A aquisição da SABMiller propiciaria à Anheuser-Busch InBev maior exposição em mercados emergentes que vêm crescendo com rapidez, especialmente em países latino-americanos como Colômbia, Equador e Peru.

"Não estamos surpresos com o fato de a ABI estar interessada na compra da SAB e criar uma MebaBrew", disse Trevor Stirling, analista da Sanford C. Bernstein & Company, numa nota na quarta-feira.

Mas a união das duas companhias provavelmente provocaria medidas investigativas de autoridades governamentais em todo o mundo, dado o porte da fatia de mercado que a empresa resultante da fusão passaria a controlar. "O dano em temos de competitividade é alarmante", disse Diana L. Moss, presidente do American Antitrust Institute. "A preocupação é com preços mais altos para os consumidores".

Novos negócios. Analistas já especulam que uma potencial aquisição da SABMiller pode levar a novos grandes acordos, à medida que as duas companhias se desfizerem de ativos para conseguir aprovação das entidades reguladores.

Com base nos termos do acordo de parceria, Molson Coors tem o direito de fazer a primeira oferta e a última para a parte da SABMiller na Joint-Venture caso ela decidisse vender.

Assumir o controle da MillerCoors poderia render milhões de dólares em economias de custo para a Molson Coors, avaliam os analistas. E a empresa teria mais controle sobre as operações da fabricante de cervejas nos Estados Unidos, seu maior mercado.

A Heineken também poderia também competir com a Molson Coors pela participação na SABMiller, ou buscar outros ativos como as operações na África da SABMiller, excluindo a África do Sul, opinaram os analistas da Nomura em nota na quarta-feira.

Segundo Stirling, da Bernstein, uma fusão da Anheuser-Busch InBev com SABMiller também teria de abrir mão de sua participação de 49% na CR Snow, joint venture chinesa proprietária da Snow, a marca de cerveja mais vendida naquele país.

A parceira da SABMiller na sociedade, a China Resources Enterprise, estaria mais provavelmente interessada na compra da totalidade da participação, acrescentou.

O acordo deverá enfrentar menos problemas com as autoridades reguladoras na Europa, em comparação com outras partes do mundo, como Estados Unidos e China, disse Annette Schild, especialista em Bruxelas em leis sobre concorrência na União Europeia que dirige sua própria empresa, a Antitrust Law Schild. Mas "isto não significa que não haverá uma investigação séria", afirmou ela.

Mas qualquer apreciação das autoridades antitruste em Bruxelas, em Washington ou em outras parte do mundo teria de levar em conta a concorrência que as marcas de cerveja do mercado de massa enfrentam contra a crescente popularidade das cervejas artesanais, fabricadas por companhias menores, em geral independentes.

Além da aprovação das autoridades reguladoras, a Anheuser-Busch InBev deve também conquistar diversos outros importantes atores. Entre eles, dois dos maiores investidores da SABMiller: a Altria, fabricante de cigarros, e a família Santo Domingos, um das mais ricas da Colômbia. Juntas as duas detêm 41% da SABMiller.

 

Veículo: Jornal O Estado de S.Paulo

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