NRF (Nova Iorque)
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NRF 2010: economia, consumidor, sustentabilidade e o varejo 
 

Em todo o mundo, o varejo não é mais o mesmo, depois da crise econômica- financeira global. Por isso, o entendimento do que acontece com o consumidor se tornou mais do que vital para os negócios e o mundo começou a olhar para outras direções. Estes foram alguns destaques da NRF 2010 
 

Uma comitiva composta por 31 supermercadistas brasileiros, representantes da indústria, da Abras e de professores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) visitou a 99ª NRF (Convenção Anual de Varejo e Tecnologia) e um dos mais importantes eventos mundiais sobre tendências de varejo, realizada de 10 a 13 de janeiro no Jacob K. Javits Center, em Nova Iorque. O grupo brasileiro, de acordo com o professor da FGV, Maurício Morgado, um dos coordenadores da viagem, foi muito bem recebido, pois os presentes ao evento consideraram o Brasil não mais o país do futuro, mas o país do presente. A mudança desse foco se deu principalmente pelo desempenho do setor supermercadista brasileiro diante da crise econômico-financeira mundial, que, ao contrário do restante do mundo, passou ao largo da crise, cresceu 5,51% em 2009 e em janeiro deste ano, apresentou crescimento de 8,98%, o melhor dos dez anos anteriores.

  E para falar das tendências de varejo, o evento não poderia deixar de destacar em suas palestras o cenário econômico mundial. Segundo o superintendente da Abras, Tiaraju Pires, o foco estava voltado principalmente para os países que compõem o BRIC- Brasil, Rússia, Índia e China. “Nas abordagens, o Brasil está indo muito bem. O índice de confiança é alto, perspectivas excelentes de desenvolvimento e de investimentos estrangeiros. No caso de China e Índia os palestrantes falaram da desaceleração. Mesmo assim, o mercado chinês deverá crescer 9% este ano e o indiano tem recebido investimentos em seus conglomerados, sendo que o governo busca investimentos externos para o varejo”, contou. De acordo com os palestrantes, dos integrantes do BRIC a Rússia ainda está com problemas, com acesso restrito a capital e sem encorajamento para investimentos estrangeiros. 

  No entanto, a região da Europa Ocidental é uma das que sentiram e sentem o maior impacto da crise, com forte recessão. Já os Estados Unidos, que chegaram ao fundo do poço, vem se recuperando, mas seu consumidor ainda está cauteloso. 
 

Pontos de atenção 

  E por falar em consumidor, sem dúvida este foi o grande assunto da NRF 2010. O superintendente da Abras afirmou que praticamente todas as palestras destacavam a importância de o varejista conhecer melhor o seu consumidor. “Seja por meio de pesquisas estruturadas por órgãos gabaritados ou pela análise de seu comportamento nas lojas, dos dados dos cartões de fidelidade, que muitas vezes não são utilizados em sua plenitude”, disse. De acordo com os dados apresentados, 65% dos varejistas têm programas de fidelidade, mas somente 40% deles analisam os dados. Para implantar um programa de fidelidade e tirar proveito dele é necessário seguir os seguintes passos: identificar o cliente, analisar os dados, planejar estratégias, implantar ações e avaliá-lo constantemente. 

  Um dos pontos que também chamaram à atenção foi o panorama mundial do varejo, que, de acordo com professor Morgado, está trabalhando com excesso de oferta, o que leva os consumidores a terem dificuldades na escolha de produtos. Esse excesso até se justificava quando a economia mundial estava em pleno crescimento. Mas depois da crise ela sinalizou com clareza que esse quadro precisa mudar e vai mudar. “Em todo o mundo, se o consumidor não gosta do produto que compra, ele se decepciona. E o excesso de variedade pode levá-lo a esse estado de espírito. Por isso, grandes redes mundiais de varejo passaram a se preocupar muito mais com a satisfação do consumidor, a entender as necessidades dele e a procurar estar o mais próximo possível dele”.

  Na parte de tecnologia da informação, acrescenta professor Morgado, diversos varejistas já utilizam as redes de relacionamento virtual, como, por exemplo, Orkut, Facebook e Twitter para ampliar seu relacionamento com o mercado e mostrar a ele novos produtos e novos serviços. Além disso, já é realidade que o consumidor chega determinado e com muita informação sobre o que quer comprar. “Às vezes, mesmo dentro da loja ele utiliza o celular que dá acesso à Internet e consulta uma concorrente. Entre os dados apresentados na NRF um terço dos clientes pesquisa na Internet antes de ir à loja”, disse Tiaraju Pires.