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Eficiência e ecologia refrigerando seu supermercado


Seminário vem ao encontro de demandas ambientais, consumo racional de energia e geração de negócios

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Evento contou com representantes de entidades de classe e órgãos internacionais. Da esquerda para a direita: João Roberto Minozzo, da Abrava; Alejandro Ramínez, do Pnund; Ruy de Góes, do MMA, e Márcio Milan, da Abras

Por Wagner Hilário

 

Seminário sobre Refrigeração em Supermercados promove eficiência energética, aponta as melhores práticas na operação da área, apresenta tendências em equipamentos e mostra aos supermercados quais são os prazos para a adoção de fluidos refrigerantes ecologicamente mais corretos

 

Eficiência energética é sinônimo de economia. Além disso, em tempos de risco ambiental, aquecimento global e destruição da Camada de Ozônio, eficiência energética virou também sinônimo de responsabilidade social. E, quando se fala em consumo de energia em supermercados, fala-se, sobretudo, de equipamentos de refrigeração e congelamento. Há casos em que esses equipamentos são responsáveis por até 70% do consumo total de energia da loja. Por isso, o Seminário sobre Refrigeração em Supermercados, realizado no dia 26 de junho pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), com o apoio da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava) e a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), mereceu especial atenção de SuperHiper.

 

O seminário já é um dos frutos do acordo de cooperação assinado pelas entidades com o propósito de contribuir para que o Brasil atinja as metas do Protocolo de Montreal; metas como a diminuição da emissão de gases de efeito-estufa e degradação da Camada de Ozônio. O evento reuniu fornecedores, especialistas, supermercadistas, consultores na área e contou com transmissão televisiva via satélite, de sua segunda parte, para 27 entidades estaduais de supermercados. As principais tendências em produtos e práticas, a mobilização internacional no sentido de aprimorar os sistemas de refrigeração, por meio de substituição de fluidos mais nocivos ao meio ambiente por fluidos menos nocivos ou neutros foram discutidas. Além disso, casos de empresas supermercadistas que reduziram vazamento de fluidos foram expostos aos seminaristas.

 

As conseqüências dos vazamentos de gases, como os CFCs (clorofluordióxido de carbono), ao meio ambiente e as iniciativas dos governos, principalmente do brasileiro, também foram apresentadas. “Este evento é uma oportunidade de melhorarmos a qualidade dos equipamentos de refrigeração nos supermercados, reduzindo as perdas dessas empresas e a ineficiência energética. Ao mesmo tempo, enseja ótimos negócios para os fornecedores de equipamentos e estabelece práticas mais responsáveis do ponto de vista ambiental. Ou seja, é uma parceria em que todos ganham”, argumentou o diretor da Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do MMA, Ruy de Góes.

 

O primeiro palestrante, o diretor geral da empresa fabricante de equipamentos de refrigeração Eletrofrio, Luiz Renato de Oliveira Chueire, contou um pouco da história dos fluidos refrigerantes até chegarem ao atual estágio. Segundo ele, a maior parte dos sistemas de refrigeração no mundo usa fluidos sintéticos, também conhecidos como alógenos. “Até a década de 1980, o fluido R-12, CFC, era o mais utilizado, mas em razão dos danos ao meio ambiente, em especial à Camada de Ozônio, começou-se a substituí-lo pelo R-22, um hidroclorofluordióxido de carbono, ou HCFC”, explicou. Atualmente, o R-22 é o fluido mais utilizado, embora o R-12 ainda não tenha sido totalmente extinto, o que ocorrerá no Brasil até janeiro de 2010.

 

O fato é que o R-22 agride menos a Camada de Ozônio, mas em contrapartida é pior do que o CFC no que diz respeito ao efeito-estufa. Em suma, os HCFCs, que atualmente são os principais fluidos refrigerantes utilizados em equipamentos do varejo brasileiro, exercem uma função paliativa e, por não atender amplamente à demanda internacional por fluidos ecologicamente corretos, está com seus dias contatos também. A meta do Brasil, e de outros países em desenvolvimento, é congelar a comercialização dos HCFCs até 2013 e eliminar completamente o uso desses fluidos até 2040. “Os gases só são prejudiciais ao meio ambiente se vazarem. Se forem mantidos nos sistemas de refrigeração, não trarão prejuízo de espécie alguma.”

 

Por isso, Chueire diz que é fundamental que as lojas criem uma rotina de verificação, adotem mão-de-obra especializada, tenham sistemas de refrigeração adaptados ao projeto de loja e um padrão de operação alinhado a tudo isso. “É essencial que haja sempre manutenção preventiva e que se faça uso de componentes auxiliares modernos.” Hoje, há componentes eletrônicos que automatizam controle de temperatura, garantem segurança alimentar e consumo racional de energia.

 

 

Alternativas

O diretor de marketing na América Latina da Du Pont, Maurício Xavier, sucedeu Chueire e falou sobre as novidades deste mercado também na linha de fluidos sintéticos. “Depois do CFC e do HCFC, chegamos ao HFC, que traz gases como os R-404a e o R-422d. São gases que em nada agridem a Camada de Ozônio e ainda são menos prejudiciais ao meio ambiente de um modo geral.” Mas vale lembrar que ainda assim são nocivos no que se refere ao efeito-estufa. Xavier comentou que é possível adaptar (retrofit) para fluidos R-422d sistemas para R-22, obtendo-se consideráveis vantagens. “Em alguns casos, pode-se reduzir em até 14% o consumo de energia. Essa economia se dá especialmente em função de o R-22 não ser o fluido ideal para baixas temperaturas”, informa.

Diante da eliminação dos CFCs e dos HCFCs, esses gases se pronunciam como alternativas. Contudo, ainda são mais caros. Por isso, existe resistência em abandonar R-22, cujo custo é bastante atrativo. “O brasileiro olha muito o custo inicial. No longo prazo, essa prática tende a trazer problemas, já que os itens de qualidade custam mais num primeiro momento, mas dão bem menos problemas ao longo do tempo”, comenta.

 

Mas fluidos sintéticos não são as únicas alternativas. Ecoando uma tendência internacional, cresce o interesse pelos fluidos naturais, que justamente por já fazerem parte da natureza não trazem danos ao meio ambiente. Porém, a segurança contra vazamentos em alguns casos se faz ainda mais imprescindível. O fluido natural amônia, por exemplo, se não ameaça o meio ambiente, oferece grandes riscos à vida e à saúde humana em caso de vazamento.

 

O professor do Instituto Mauá de Tecnologia, Roberto Peixoto, foi quem tratou dos fluidos naturais, e deu outros exemplos, além da amônia, como os hidrocarbonetos, o dióxido de carbono, a água e o ar. “São fluidos mais adequados à demanda ambiental, mas que ainda exigem, ao menos no Brasil, tecnologia mais onerosa para processá-los, embora o preço esteja em queda.” Peixoto diz que o custo da tecnologia não é o principal empecilho. “Faltam ainda informações ao mercado sobre esses sistemas. Mas em breve isso acontecerá, o que me leva a crer que no futuro os fluidos naturais substituirão os alógenos inteiramente. Pode-se descobrir que os sintéticos recém-desenvolvidos trazem outros prejuízos à conservação do planeta. Nesse caso, será preciso eliminá-los também. Esse risco não existe com os naturais.”

O supervisor de engenharia da empresa de compressores Bitzer, Alessandro da Silva, falou do dióxido de carbono (CO2), fluido natural que se pronuncia como alternativa mais adequada aos alógenos para uso em supermercados. “Uso do dióxido de carbono (CO2) como principal fluido refrigerante é futuro para nós, mas para os europeus já é presente. Na Europa e na Austrália os sistemas para CO2 são mais baratos do que os para alógenos”, disse. Diferentemente dos fluidos sintéticos, o dióxido de carbono não traz danos de nenhuma espécie ao meio ambiente e também não é tóxico. “Além disso, tem mais pontos positivos do que negativos.” Entre os positivos, Silva destaca a economia de até 40% do gás utilizado para compressão, a economia de até 30% no gasto de energia e também o baixo custo de manutenção.

 

Completando a primeira metade do dia de seminário, palestraram o coordenador regional da Danfoss do Brasil, Newto da Silva, que falou de alguns componentes fabricados pela empresa e que são de grande valia para a maior eficiência dos sistemas de refrigeração. Entre os componentes, Newto destacou as válvulas de expansão eletrônica, que permitem aos técnicos maior segurança contra vazamentos e economia de energia. Newto acrescentou que essas válvulas são obrigatórias para sistemas que utilizam dióxido de carbono.

 

Aliás, segundo o gerente técnico de refrigeração da empresa Emerson Climate Technologies, Sidney Mourão, o uso de componentes e os investimentos feitos na confecção de um sistema de refrigeração precisam levar em conta as peculiaridades das lojas. “Antes de definir quais são os componentes essenciais ao sistema, é fundamental que o projeto do sistema respeite e seja ideal aos objetivos e às instalações da loja”, afirmou Mourão.

 

 

Conseqüências globais

A segunda parte do seminário contou com a presença de representantes da Abras, Abrava e também do Programa das Nações Unidades para o Desenvolvimento (Pnud), cuja função é apoiar as ações e avaliar seus resultados. O coordenador da entidade internacional, Alejandro Ramirez, elogiou o trabalho realizado pelo Brasil até o momento, inclusive a formação de sete mil técnicos em refrigeração, mas deixou claro que ainda há muito a ser feito para cumprir as metas estabelecidas pelo Protocolo de Montreal. Representando a Abras, o vice-presidente da entidade, Márcio Milan, disse que o setor, em parceria com o MMA e a Abrava, está desenvolvendo uma cartilha com o propósito de disseminar as boas práticas na parte de refrigeração entre os supermercados. O presidente da Abrava, João Roberto Minozzo, enfatizou a união de forças entre os diferentes setores em prol de uma causa nobre, a proteção do meio ambiente, e que ao mesmo tempo leva modernização aos supermercados, eficiência energética, e ainda permite que se realizem bons negócios a todos.

 

Depois foi a vez de alguns supermercados contarem um pouco das suas experiências. O engenheiro do Pão de Açúcar, Donato Di Giacomo, falou sobre as ações realizadas pelo Grupo, como a recente adesão ao controle eletrônico de válvulas e a intensificação do treinamento dos funcionários. Destacou ainda o Rack House, uma casa de máquinas que permite ao supermercado reduzir o valor do imposto pago por área construída, já que centraliza as funções operacionais do sistema de refrigeração. “Além disso, facilita a transferência do sistema, em caso de mudança, já que o Rack House é uma espécie de cômodo transportável”, informa.

O consultor especialista em sistemas de manutenção corporativa, que trabalha no Carrefour, Eduardo Linzmayer, falou da experiência das lojas brasileiras do grupo francês. Segundo ele, a estratégia da empresa para melhorar seus números na parte de refrigeração se estrutura sobre quatro pilares: gestão de conhecimento, procedimentos padrões, controle e avaliação e auditoria. Entre as ações pontuais empreendidas pelo Carrefour, consta a higienização da casa de máquinas, uma forma de valorizar o técnico que trabalha nela, e também o controle mais efetivo dos vazamentos, por meio da tradicional lamparina e líquido fluorescente para identificá-los. “É importante que a casa de máquinas ofereça espaço para os técnicos de manutenção. Por isso é aconselhável evitar embutidos e instalações compactas demais”, diz Linzmayer.

 

Depois, foi a vez de o encarregado de manutenção e técnico em refrigeração, Carlos Alves de Andrade, da rede brasiliense Supermercado Tokyo. Andrade falou sobre o processo de adequação do sistema de refrigeração que funcionava com CFC e passou a usar HCFC e dos ganhos resultantes dessa iniciativa. Salientou a importância da manutenção e do cuidado que se deve ter com as trocas de gás para evitar vazamentos. O coordenador de manutenção, Luciano Júnior, do Supermercado Lopes, de Guarulhos (SP), também enfatizou a importância de uma boa manutenção. Segundo Júnior, não existe manutenção sem “água e sabão”... “A limpeza é fundamental para a preservação dos equipamentos.” Luciano acrescenta, ainda, que é importante ter sempre um estoque de peças e acessórios para casos emergenciais.

 

O último case apresentado foi o da rede carioca Mundial. O gerente operacional, Maurício Costinha, disse que a conservação do meio ambiente passa pela eficiência energética. E, segundo Costinha, eficiência energética depende de investimento em tecnologia, boas práticas, análise de custos (inicial e operacional) e preocupação com a sustentabilidade das iniciativas. Costinha afirmou que a meta da Mundial, hoje, é que os custos desses equipamentos respondam por apenas 1,5% do faturamento. “Depois de atingida, essa meta precisa ser revista para baixo. Uma maneira de evoluir sempre”, defendeu Costinha.

 

A última palestra foi feita pela diretora executiva da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco), Maria Cecília Amaral, que falou sobre as empresas de conservação de energia, as Escos, cuja finalidade é prestar consultoria e auxiliar seus clientes a se tornarem mais eficientes do ponto de vista energético. O diferencial dessas empresas é a forma como são remuneradas: elas ganham um percentual da economia de energia que os clientes conseguiram com os seus serviços.

 

 

Fonte: SuperHiper Julho/08

 

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