Rastreabilidade visa garantir segurança de frutas e vegetais frescos

Os consumidores querem descobrir a origem dos alimentos e estão buscando produtos mais saudáveis e seguros. Para satisfazer essa demanda, os mercados estão se adaptando e a produção de frutas, verduras e legumes está passando por uma profunda transformação. Entre os reflexos dessa tendência está a Instrução Normativa Conjunta INC nº 2, elaborada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que criou uma nova norma para a rastreabilidade de frutas e vegetais frescos. 

A nova norma já está em vigor para os cultivos de citros, maçã, uva, batata, alface, repolho, tomate e pepino desde agosto de 2018. “Como, até então, não tinha nenhuma obrigação legal de rastreabilidade, os produtores precisam se organizar com relação às exigências. Tanto os produtores quanto os supermercados vão precisar adotar a rastreabilidade, a norma obriga a adequação de forma cronológica”, diz Marcio Milan, Superintendente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). 

Cronograma 

A INC nº 2 alerta para os prazos de cumprimento das exigências. Até 31 de dezembro de 2018, o Ministério da Agricultura fará fiscalização orientativa do primeiro grupo de produtos em vigor, com o objetivo de educar os produtores e varejistas, portanto, não haverá autuações. Após essa data, quem permanecer em situação irregular sofrerá com multas e pode perder mercados. “O maior risco para o agricultor será não conseguir vender a produção”, diz Milan. 

Em fevereiro de 2019, o segundo grupo de culturas começa a ser fiscalizado. A norma passará a vigorar para o terceiro e último grupo de produtos em fevereiro de 2020 (confira o cronograma completo para a implementação da rastreabilidade no fim desta matéria). 

Setor preocupado 

De acordo com o Superintendente da Abras, os supermercados e produtores estão cautelosos, buscando soluções para implementar a rastreabilidade. “A notícia da nova norma foi recebida com bastante preocupação porque o setor é muito pulverizado e envolve muitos produtores. Mas, essa preocupação trouxe algo muito positivo porque está colocando todos os setores para debater e se unir em busca da rastreabilidade”, diz ele. 

Regularização 

O produtor que está em desconformidade com a nova norma precisará organizar a rotina de produção o quanto antes. É fundamental identificar o produto com uma etiqueta que informe a origem do alimento (identificação do produtor e propriedade produtiva), a data da colheita e o lote do produto. “Essa informação tem que ir na caixa do produto ou grampeada na sacaria e o produtor precisa manter esses registros sob sua responsabilidade”, explica Milan. 

O controle da produção pode ser feito manualmente. No entanto, a tendência é utilizar tecnologias modernas de rastreabilidade que utilizam selos com códigos de barras e QR Codes. O produtor de Hortifruti deve adotar boas práticas agrícolas como, por exemplo, utilizar apenas defensivos registrados para a cultura, na dosagem correta e respeitando os prazos de carência e de validade conforme bula. Informações rotineiras de manejo no campo precisam ser registradas. 

Fiscalizações 

Segundo Milan, a responsabilidade do supermercado é garantir um alimento seguro para o consumidor. Para tanto, as negociações comerciais se tornarão mais exigentes e transparentes e o supermercado exigirá um alimento de qualidade, cobrando do fornecedor toda a documentação que a norma determina. “Qualquer problema identificado pelos órgãos regulatórios vai exigir a checagem no primeiro elo da cadeia, que são os dados do produtor. Acreditamos que haverá um aprimoramento das informações no preenchimento do caderno de campo”, diz Milan. 

Tradição em rastreabilidade 

De acordo com Milan, a Abras defende a questão da rastreabilidade desde 2006, quando teve início as preocupações do Ministério da Justiça sobre a questão dos resíduos de defensivos nos alimentos. “O debate foi evoluindo e a Abras foi pioneira ao procurar desenvolver um programa de rastreabilidade, que chamamos de Rama”, diz Milan. 

O Programa de Rastreabilidade e Monitoramento de Alimentos (Rama) é um projeto voluntário e os participantes trabalham de forma colaborativa. “O produtor fica responsável pela implantação da rastreabilidade, adotando boas práticas, com controle e inclusão das informações do caderno eletrônico de campo na plataforma do programa. A responsabilidade do varejo, dos supermercados, é fazer as análises laboratoriais. A empresa PariPassu faz a coleta das frutas, legumes e verduras e encaminha para análise em laboratório credenciado pela Anvisa”, explica o Superintendente. 

De acordo com Milan, assim que a análise é concluída, o resultado é inserido no sistema Rama. Se tiver alguma inconformidade, após 30 dias, é realizada uma nova coleta para análise e o produtor recebe orientações caso seja necessária alguma adequação na produção. “O programa tem um diferencial que é o plano de correção”, diz Milan. 

Atualmente, a base de produtores conta com 6 mil produtores e 52 empresas de supermercados de todo o Brasil participam voluntariamente do Rama. Esses participantes não serão impactados pela nova legislação porque já atendem as exigências de rastreabilidade. 

Organização da cadeia produtiva 

De acordo com Giampaolo Buso, Diretor da PariPassu, a nova norma formaliza a necessidade de manter registros do processo produtivo e as conexões ao longo do caminho percorrido pelo alimento. Na prática, essa formalização cria uma referência de controle importante para a cadeia primária que trará benefícios para o produtor. “É importante o produtor compreender que, para rastrear, precisa se organizar. Ao se organizar, tem melhor e mais controle sobre os seus processos. Consequentemente, aumenta sua eficiência, gerando impacto positivo no retorno financeiro da atividade”, afirma Giampaolo. A Paripassu oferece o caderno eletrônico de campo, solução necessária para cumprir a nova norma da rastreabilidade que pode ser resgatado por pontos na Rede AgroServices, confira aqui. 

De acordo com Giampaolo, a produção de alimentos está se tornando mais complexa por causa de variáveis diversas como as mudanças climáticas, genéticas diferenciadas e segurança do alimento. “A adoção de tecnologia é a melhor alternativa para acompanharmos as demandas de um mercado exigente e preocupado com saúde e bem estar, do indivíduo e do ambiente”, afirma o diretor da Paripassu. Segundo ele, o desafio para o setor é evoluir na qualidade dos registros que garantem a informação da rastreabilidade. “E o consumidor precisa ser estimulado a valorizar as empresas que fazem de forma correta e justa o seu trabalho. Não precisa ter um preço melhor, mas ser a preferência de compra”, diz Giampaolo. 

Como iniciar a rastreabilidade? 

Para conseguir implantar a rastreabilidade, o primeiro passo é avaliar qual a solução mais aderente para o registro das operações de produção (confira ofertas Paripassu na Rede AgroServices). No dia a dia, o produtor deve registrar as atividades associadas ao processo produtivo (plantio, manejos e colheita) na solução eleita. 

O Caderno de Campo é o passo número um para os registros de todas as atividades realizadas na produção. “O Caderno de Campo é a base da gestão de produção para a cadeia primária e garante ao produtor controles essenciais para a saúde, neste caso, do seu negócio”, diz Giampaolo. 

Para o Packing House ou casa de embalamento, o Sistema Rastreador é a solução indicada. Com ele, é possível identificar e controlar o fluxo de entrada e saída de produtos (estoque) além da integração com o sistema contábeis, obrigatório para aspectos fiscais. E, como controle de qualidade de produto e processos, o CLICQ é a solução aderente ao dia a dia de controles dos padrões, principalmente no Packing House.

O código de rastreabilidade (lote) é gerado no momento da colheita e as embalagens de comercialização devem ser identificadas com uma etiqueta que traga a referência do lote. Funciona como o CPF da mercadoria. “Também é muito importante capacitar a equipe para que os controles façam parte da cultura da organização”, diz Giampaolo. 

Giampaolo alerta que é muito importante o agricultor nunca identificar produtos adquiridos de terceiros como se fosse de sua propriedade (origem). “Neste cenário, é importante identificar como produto de terceiro, e caso ocorra uma mistura, criar um lote consolidado. O conceito de lote consolidado (origens misturadas) é uma prática correta e aceita nos controles de rastreabilidade, desde que informada adequadamente”, explica Giampaolo. 

Prazos para a implementação da rastreabilidade 

180 dias 

Citros, maçã, uva, batata, alface, repolho, tomate, pepino. 

360 dias 

Melão, morango, coco, goiaba, caqui, mamão, banana, manga, cenoura, batata doce, beterraba, cebola, alho, couve, agrião, almeirão, brócolis, chicórea, couve-flor, pimentão, abóbora, abobrinha. 

720 dias

Abacate, abacaxi, anonáceas, cacau, cupuaçu, kiwi, maracujá, melancia, romã, açaí, acerola, amora, ameixa, caju, carambola, figo, framboesa, marmelo, nectarina, nêspera, pêssego, pitanga, pêra, mirtilo, cará, gengibre, inhame, mandioca, mandioquinha-salsa, nabo, rabanete, batata yacon, couve chinesa, couve-de-bruxelas, espinafre, rúcula, alho porro, cebolinha, coentro, manjericão, salsa, erva-doce, alecrim, estragão, manjerona, salvia, hortelã, orégano, mostarda, acelga, repolho, couve; aipo; aspargos, berinjela, chuchu, jiló, maxixe, pimenta, quiabo. 

Fonte: Rede Agro Services

 

 

 

Supermercados preveem alta de 10% nas vendas de produtos natalinos

 

Um levantamento feito pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) junto a 102 empresas do setor indicam melhora na estimativa de vendas de produtos natalinos em 2018, na comparação com o ano anterior. Os dados do Departamento de Economia da Abras indicam que as vendas desses produtos do devem crescer 10,27% neste ano, ante uma projeção de 8,34%, em 2017. As consultas foram feitas entre 4 de setembro e 5 de outubro.

 

Na avaliação do presidente da Abras, João Sanzovo Neto, os empresários estão mais otimistas quanto à possibilidade de aumento do consumo nessa época, com base na leve recuperação do emprego e do poder aquisitivo diante de uma inflação mais controlada.

 

A maioria dos supermercadistas (66%), no entanto, manteve o mesmo nível de encomendas do ano passado. Apenas 18% apostaram em vendas superiores às de 2017. Pela projeção, entre os itens que deverão ser mais procurados estão o vinho importado e o panetone, seguidos de refrigerante, carne bovina, cerveja e frango congelado. Para promover o escoamento dos produtos, várias lojas trabalham com estratégias como degustação, promoção e brindes.

Salão do Panetone 2018, realizado pela Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi), em São Paulo.

 

Ainda de acordo com as expectativas, as frutas nacionais deverão ter uma saída 11,38% maior do que no Natal do ano anterior e também acima do estimado em relação às frutas secas (9,7%). No segmento de carnes, espera-se alta de 11,91%. Já para pescados, as vendas de peixes frescos devem aumentar 11,25%; de pescado congelado, 9,1%; e do bacalhau 8,85%.

 

O setor também acredita que, em 2018, a procura por produtos importados deve ter um incremento de 6,92%, ante uma estimativa de 5,83%, no ano passado. Como o dólar em alta, principalmente, no período pré-eleitoral, as projeções indicam preços mais elevados para itens importados. Na média, o consumidor deverá pagar 10% mais por esses produtos.

 

Fora da lista de alimentos, as previsões mostram alta de 10% nos eletrônicos e de 8,27% nos brinquedos.

 

De acordo com a sondagem da Abras, houve aumento na proporção de empresários com intenção de contratar empregados temporários nas funções de operador de caixa, repositor, empacotador e entregador. Do total entrevistado, 33% disseram que vão ampliar esses postos de trabalho ante 23%, em 2017. A estimativa é de que sejam abertas entre 11 mil e 14 mil vagas.

Índice Nacional de Vendas

 

As informações foram divulgadas na manhã de hoje, durante o anúncio do Índice Nacional de Vendas da Abras, que aumentou de 1,92%, de janeiro a setembro, já descontado no cálculo o impacto inflacionário com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

O presidente da entidade, João Sanvoso Neto, informou que o ritmo de crescimento está abaixo do esperado. Mesmo assim, ele manteve a meta de alta de 2,53%, taxa que havia sido revisada para baixo, em julho último. No começo do ano a estimativa era de 3%.

 

O empresário justificou que o setor foi muito afetado pela greve dos caminhoneiros, ocorrida em maio deste ano, e o impacto dessa paralisação deverá se refletir no desempenho anual. “Estamos com um crescimento estável e acreditamos ficar próximo dessa meta. Com parte do PIB [Produto Interno Bruto] retido pela greve dos caminhoneiros, o nosso setor sofreu um impacto”.

 

O executivo também comentou que o reajustes de preços estão em níveis compatíveis com a inflação oficial. A pesquisa mostra que, em setembro, os 35 produtos que compõe a cesta da Abras oscilaram em média 0,39% na comparação com o mês anterior e 3,07% na comparação com setembro de 2017.

 

Entre as maiores quedas estão: cebola (-24%); sabão em pó (-17,48%); farinha de mandioca (-5,7%) e batata (-3,29%). Já as maiores altas foram observados em: arroz (+4,39%); frango congelado (+3,64%): queijo prato (+3,44%) e margarina cremosa (+2,97%).

 

Fonte: Abimapi – Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados.