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“Eu estava lá quando tudo começou” 08/03/2018 17:36:43

 

Difícil apresentar, para empresários supermercadistas, aquele que talvez seja, há muitos anos, o principal ícone do setor. Falar de Abilio Diniz é falar de supermercados, embora sua história traga cases de sucesso em outros modelos de varejo, no universo dos investimentos, por meio de sua empresa Península, e, desde 2013, também na indústria, como presidente do Conselho de Administração da BRF, uma das maiores empresas de alimentos do País.

 

Nascido “merceeiro”, termo que ele próprio gosta de usar para referir-se a si mesmo, Diniz viu seus pais criarem e “tocarem” uma doceria, que geraria um supermercado e, depois, uma rede deles que se expandiria pelo País e até cruzaria o Atlântico, indo parar em Portugal. Viveu os sabores e dissabores de empreender no Brasil e venceu, fazendo da empresa de seus pais, por muito tempo, o maior grupo de autosserviço alimentar do País.

 

O bom trabalho despertou interesse de multinacionais e, assim, Diniz vendeu o império que erigiu. Porém, uma vez merceeiro... Mesmo com o justo status de ser um dos principais exemplos de sucesso da história do empreendedorismo nacional e já com mais de oito décadas de conquistas inimagináveis à maioria das pessoas, por meio da Península, adquiriu ações do Carrefour S.A.

 

e se tornou o terceiro maior acionista do grupo multinacional. Atualmente, é também membro do Conselho de Administração da companhia. Sua trajetória, contudo, teve, ainda, destacada participação institucional. Diniz estava entre os empresários que realizaram a primeira convenção nacional de supermercados três anos antes de a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) ter sido criada, em 1968, com a participação dele. “Eu estava lá, quando tudo começou”. Desde o modesto começo, ele participou e pôde ver, ao longo de 50 anos, o admirável tamanho que o setor, tão bem representado por ele, ganhou.

 

Nesta entrevista exclusiva, ele fala sobre a experiência de ter presenciado o nascimento deste que é o maior fórum de líderes supermercadistas do Brasil e compartilha sua visão sobre o atual papel da Convenção Abras, bem como sobre os rumos que o varejo alimentar está tomando.

 

Era possível vislumbrar, na primeira Convenção, a representatividade que o evento viria a ter? Por quê?

A força do nosso setor é inegável. Este evento conseguiu, com profissionalismo e efi-ciência, capturar essa força e se consolidar como um dos fóruns mais importantes para discussão e aprendizado do setor.

 

Quais foram os grandes momentos da Convenção em sua opinião?

Acredito que a Convenção foi se consolidando edição a edição, por isso, acho que sua melhor qualidade é a consistência. Toda vez que algum dirigente do nosso setor vem ao evento, com certeza sai dele com aprendizados relevantes para si e para a sua empresa. Para mim, esse é um grande momento.

  

Há algum tempo, o senhor não participava da Convenção Abras. O que o traz de volta ao evento?

Nosso setor passa por um momento muito interessante, cheio de novas oportunidades, inovações e transformações. É um grande momento para participar. Tenho algumas décadas de experiência e compartilhar conhecimento é um dever. Volto neste ano para a Convenção para um momento ainda mais especial para mim: ser homenageado como membro da primeira diretoria da Abras. É uma grande satisfação, pois eu estava lá quando tudo começou.

 

O que o senhor achou da mudança recente ocorrida na Convenção, que se tornou itinerante, aproximando-se mais das associações estaduais, porém, preservando o DNA de promoção de conhecimento e negócios?

 O Brasil é um país imenso e com talentos por todas as partes. Foi uma ótima ideia tornar a feira itinerante e levar conhecimento e negócios a mais lugares.

 

Quais são as suas expectativas para a Convenção deste ano, no Rio de Janeiro, e da qual participará? 

Espero que sirva para levar conhecimento e experiências ao maior número possível de pessoas. Em momentos de grandes transformações, como o atual, encontros como esse são fundamentais para aprender com os acertos e os erros dos outros. Uma coisa que aprendi na vida é que a gente nunca para de aprender. E fazer no Rio ajuda também a apoiar a cidade num momento tão difícil.

 

Quais papéis a Convenção Abras ainda têm a cumprir em prol do setor supermercadista?

Como disse, nosso setor passa por grandes transformações. Um evento como esse, que sempre levou conhecimento a todos, se torna ainda mais relevante em épocas como a atual.

 

Qual é a grande tendência que o senhor enxerga no varejo alimentar que os supermercados podem e devem aproveitar?

Temos que aprender com o que os outros estão fazendo. Achei muito interessante a Amazon ter comprado uma empresa como a Whole Foods, por exemplo, que é uma rede de produtos de alta qualidade, com alimentos frescos e saudáveis. Não é só o varejo que está mudando por causa das novas tecnologias, é o próprio consumidor que está mudando muito a forma como consome tudo. No campo alimentar, isso é ainda mais marcante. Acredito muito no modelo omnichannel, que unifica tudo e facilita muito a experiência do cliente. As pessoas já não fazem distinção entre on-line e off-line no seu dia a dia e a experiência do varejo precisa refletir essa nova realidade. O consumo de alimentos on-line está claramente numa curva ascendente, com vários modelos novos sendo testados e aprovados. A tecnologia é uma ferramenta poderosíssima para o varejo seguir crescendo. Deve ser visto como alavanca e oportunidade, não como uma ameaça.

 

 O Brasil passou por momentos de turbulência que afetaram o mercado de consumo. Quais são as suas expectativas daqui em diante?

Vejo claramente um momento de recuperação. A economia já está crescendo de novo, com inflação e juros em patamares muito mais baixos. Inflação menor significa mais dinheiro no bolso do consumidor. As famílias também estão reduzindo o seu endividamento. Então, é um momento de expansão econômica combinado com novos comportamentos de consumo e novas tecnologias, cheio de oportunidades. Quem fez bem a lição de casa na crise poderá agora crescer de forma consistente e sustentável.

 

E o que esperar do cenário político, considerando que estamos em um ano de troca de governo? 

Uma bandeira que vou erguer neste ano é a do voto com qualidade. As eleições gerais serão a melhor oportunidade de o País enterrar de vez essa crise, elegendo políticos com legitimidade. Precisamos dar ao nosso voto o valor que ele merece. Vou iniciar uma campanha para que as pessoas reflitam muito e pesquisem os candidatos antes de votarem, principalmente para deputados e senadores. Quase todo mundo esquece em quem votou para o Legislativo, mas os legisladores são fundamentais para que o País atinja um novo patamar de desenvolvimento.


Clique aqui e leia a matéria na íntegra



 

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