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O grande desafio de Meirelles 24/11/2016 02:30:06



Com exclusividade, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, fala, à SuperHiper, sobre a importância da PEC 241 e das reformas para que a economia brasileira retome a rota do crescimento e vença a atual recessão que, em suas palavras, é a mais intensa da história do País




No setor público ou privado, não importa, a trajetória do atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, pode ser resumida em duas palavras: capacidade e sucesso. Justamente por isso, o presidente da República, Michel Temer, convidou-o para assumir a pasta da Fazenda, sem dúvida, ainda mais na atual conjuntura, a mais importante da nação. Ao longo de sua vida, Meirelles construiu uma história profissional de impressionar qualquer executivo bem sucedido.


Tudo começou na Universidade de São Paulo (USP), onde se formou engenheiro em 1972. Depois, fez MBA (Master Business Administration) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, em 1974, seria admitido pelo BankBoston, corporação em que trabalharia por quase três décadas, passando por inúmeras funções como gestor, até alcançar, em 1996, a presidência mundial da instituição. Antes, porém, concluiu, pela Harvard Business School, o Advanced Management Program (AMP), curso feito normalmente por profissionais em preparação para assumir a presidência de grandes grupos empresariais.


Em 2002, aposentou-se na instituição financeira e retornou ao Brasil para ingressar em uma antiga área de interesse: a política. Na juventude, em seu estado natal, Goiás, o anapolino Meirelles havia exercido a liderança de movimentos estudantis em Goiânia, capital do estado. Depois de aposentar-se do FleetBoston Financial, nome dado ao BankBoston, a partir de 1999, quando da fusão com o Fleet Financial Group, Meirelles se candidatou a deputado Federal, pelo PSDB, em seu estado, e, com mais de 180 mil votos, foi eleito. Porém, não assumiria o mandato. No mesmo ano, o também recém-eleito presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, convidaria Meirelles para ser o presidente do Banco Central do Brasil (BC). Meirelles não só presidiu o BC de 2003 até 2006, no primeiro mandato de Lula, como, com a reeleição do então presidente, estendeu-se no comando da instituição até 2011, ano em que, com o início do mandato presidencial de Dilma Rousseff, saiu do BC. 

Meirelles, contudo, não parou de trabalhar de lá para cá. Continuou atuando, no mundo corporativo, cumprindo papel consultivo em empresas de diversos setores, mas, sobretudo, da área financeira, até que o presidente Temer o convidou para a missão profissional que, possivelmente, é a mais desafiadora de sua trajetória.

Nas palavras do próprio Meirelles, o Brasil vive “a mais intensa recessão da história” e a sua grande missão é tirá-lo dela. Nestas linhas, o ministro fala, com exclusividade, como a economia brasileira retomará o crescimento e reitera a importância da aprovação da PEC 241 e das reformas estruturais para que isso aconteça.




Quais serão as maiores dificuldades para fazer o ajuste fiscal? Por quê?


No passado, em alguns momentos de dificuldade, o governo optou por seguir atalhos que trouxeram algum alívio, mas acabaram sendo fontes adicionais de problemas.

Dito isso, há vários desafios. Um deles é explicar de forma transparente à sociedade que não há atalho para sair da atual crise. Somente com o equilíbrio das contas públicas o Brasil voltará a crescer de forma consistente e, por extensão, recuperará sua capacidade de gerar empregos e renda.


Qual será o impacto do ajuste na economia num primeiro momento, sobretudo no mercado de consumo?


Num primeiro momento, as medidas anunciadas determinaram significativo aumento dos preços dos ativos brasileiros, como, por exemplo, ações negociadas em bolsas de valores. Também elevaram de forma relevante a confiança das famílias e dos investidores. Esses são os primeiros passos necessários à recuperação do consumo.


De que maneira o País e os estados conseguirão reduzir gastos e investimentos sem prejudicar ainda mais a atividade econômica e a geração de empregos?


Não existe proposta de corte de gastos, mas crescimento em ritmo compatível com a capacidade de pagamento do governo. Não adianta gastar em excesso porque, em algum momento, não poderá ser paga a conta. Essa regra vale para famílias, empresas e governos. A adequação dos gastos à capacidade de pagamento é necessária porque, sem ela, o governo terá de cobrar mais impostos, o que comprometeria o ritmo de crescimento e a capacidade de geração de empregos.


Qual é a ordem de importância das reformas a serem realizadas? Por quê?


Primeiramente, a aprovação da PEC igualará o ritmo de crescimento do gasto público à inflação. Em um segundo momento, será enviada, ao Congresso, a proposta de reforma da Previdência porque essa precisa de mais tempo para ser explicada à sociedade da forma mais transparente possível.


O adiamento do envio, à votação no Congresso, das propostas de reformas Trabalhista e Tributária, para 2017, não prejudica a retomada do crescimento e a atratividade a investimentos privados para a economia? Por quê?


Estamos confiantes de que a economia está em vias de voltar a crescer na comparação trimestral. Projetamos crescimento de 1,6% para o PIB em 2017 e 2,5% em 2018.


Em que medida o atraso dessas reformas impactam o mercado de consumo?


O consumo das famílias voltará a aumentar com a retomada do crescimento da economia. Acreditamos que isso irá acontecer nos próximos trimestres.


Quando forem feitas, qual deverá ser, no médio e longo prazo, o impacto das reformas nesse mercado?


As medidas anunciadas e outras ainda em estudo pelo governo vão contribuir para o aumento dos investimentos com impactos positivos de produtividade e  competitividade.Esses ganhos vão determinar maiores taxas de crescimento sustentado da economia, o que também vai permitir maior criação de empregos, mais renda e mais consumo. Nesse cenário, vejo perspectivas favoráveis à atividade supermercadista nos próximos anos.


Qual é a importância dos supermercados para o plano de retomada da economia brasileira?

A atividade supermercadista está diretamente associada ao consumo das famílias, que é o componente mais importante da demanda agregada.


É possível retomar o crescimento econômico sem que se faça o ajuste e as reformas? Por quê? 


Sem as reformas não será possível restabelecer a confiança na capacidade de o governo honrar seus compromissos. Sem reformas, a dívida pública continuará crescendo aceleradamente, o que levará o Estado brasileiro à insolvência. Quando isso ocorre, as empresas adiam investimentos, demitem empregados, as famílias reduzem o consumo, o Estado arrecada menos e é forçado a limitar a provisão de bens e serviços públicos. Em resumo, a economia não cresce.


O Brasil tem condições de voltar a ser o “gigante acordado”, como dava mostras de que seria há seis ou sete anos? Por quê? De que maneira e em quanto tempo?


O Brasil tem todas as condições de retomar o ritmo de crescimento da década passada. Estamos trabalhando e tomando as medidas necessárias para que isso aconteça o mais rapidamente possível. É importante ressaltar que a crise atual, a mais intensa recessão da história, é resultado do crescimento excessivo dos gastos públicos. Uma vez eliminada a causa do problema, a economia recuperará condições para entrar em um ciclo de crescimento.

 



 

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