O Consumidor
O brasileiro vai às compras
Do otimismo comprador, ao pessimismo também comprador
Mudança de padrão induzida pelo incremento na renda e modificações no perfil do consumidor transformam o mercado brasileiro
Os consumidores brasileiros não passaram por grandes guerras, como os europeus – que são mais conservadores nas compras –, mas conviveram por anos com inflação altíssima. Os que têm mais de 25 anos de idade viveram esse período e sabem quanto evoluíram a sociedade brasileira e seus hábitos de consumo. Agora, ao passarem quase ilesos pela maior crise financeira mundial desde 1929, conquistaram uma grande vitória graças à experiência adquirida em anos difíceis e ao bom estágio da economia do País.
Essa superação é resultado da característica principal da sociedade brasileira, que é a diversidade de raças e culturas convivendo juntas. Mesmo com os vários tropeços da economia, o Brasil mostra hoje um mercado interno maduro que ainda tem muito para crescer de forma sustentada em 2010 e nos anos seguintes.
É falso dizer que a crise mundial não causou impactos nos brasileiros em 2009, seja pelo medo de perder o emprego, seja pela possibilidade de ter sua renda reduzida. No emocional, ficou clara a preocupação em conseguir manter o nível de consumo em casa e fora dela, independentemente da classe socioeconômica em que estão inseridos. Prova disso é a queda nas vendas de produtos e marcas de alguns setores.
A crise abalou os baluartes da economia mundial, atingiu principalmente grandes bancos e empresas dos Estados Unidos e mexeu profundamente com a sensação de estabilidade do consumidor global. Porém, no Brasil, os efeitos da crise projetados pela imprensa a partir do final de 2008 foram muito menos intensos e no dia-a-dia os brasileiros continuaram a comprar.
Hoje as bases do sistema econômico brasileiro estão sólidas, com as medidas certas do governo, tomadas na hora exata. O País passou bem por essa crise e o consumidor, que soube privilegiar o consumo dentro de casa, pode também voltar a gastar fora dela, diante da redução dos impostos, da consequente queda nos preços e do gradativo retorno do crédito.
Mas o que, de fato, essa crise financeira internacional representou para o consumidor brasileiro? Em que setores e categorias de consumo o impacto foi maior? Por que o consumo de alimentos e bebidas continuou crescendo? Como o varejo e seus canais de venda se comportaram na crise? Quais são as perspectivas de crescimento para o médio e longo prazo? Qual é o perfil do consumidor brasileiro na atualidade? São essas questões que vamos abordar neste capítulo.
O consumo em 2009
Nos últimos cinco anos muitas coisas aconteceram no mundo do consumo e afetaram o comportamento de compras do brasileiro. Em 2005 e 2006 o Brasil assistiu ao crescimento do mercado de baixa renda, com melhor distribuição de renda nas classes C, D e E. Em 2007 houve principalmente a readequação do orçamento dessa camada da população, que sentia o aumento de preços das commodities alimentares em todo o mundo e percebia os reflexos dele no seu bolso. Trocar arroz por massa, ou feijão por lentilha... os hábitos de compra ficaram ainda mais flexíveis e cada vez em mais categorias de produtos, independentemente da marca, que na maior parte das vezes perde importância nos períodos de crise.
Em 2008, com os bons ventos da economia sobre o País, o consumo cresceu nos mais diversos segmentos, com destaque para Higiene, Beleza e Limpeza. Naquele ano, a renda do brasileiro cresceu 6% e o percentual de gasto médio, 9%, de acordo com dados da LatinPanel – maior empresa de pesquisa de consumo domiciliar da América Latina, que acompanha semanalmente a evolução de consumo de 8,2 mil domicílios no Brasil (90% do potencial de consumo residencial do País), de 33 mil domicílios na América Latina e integra o WorldPanel, maior painel de consumo residencial do mundo.

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