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Pequenos, mas grandes, no varejo 16/11/2011 18:39:20

O vice-presidente da Abras e responsável pelo Comitê Abras de Redes e Associações de Negócios, Adeilton Feliciano do Prado, fala em entrevista exclusiva para o Portal Abras  sobre estratégias do associativismo para enfrentar a concorrência acirrada das grandes redes do varejo, focando as principais questões que afetam as redes de negócios hoje,  como negociações com fornecedores, mix de produtos e logística.

 

1. Como se deu a evolução das redes de negócios no País até hoje?
Adeilton Prado: A associação de empresas de forma organizada em redes de negócios nasceu no século passado nos Estados Unidos, com o exemplo clássico da IGA (Aliança Internacional do Varejo), criada em 1926. Foi uma alternativa encontrada pelos fundadores desse modelo, ao perceberem que os supermercadistas independentes estavam tendo dificuldades em competir com as grandes redes de supermercados. Uma das estratégias era criar um padrão de procedimentos para unir esses varejistas, permitindo benefícios de marketing, propaganda e ainda maior poder de negociação com os fornecedores.  No Brasil, em primeiro lugar ocorreu o fenômeno da criação de centrais de compras, que surgiram para dar maior fôlego aos pequenos e médios varejistas que precisavam resistir à forte concorrência.


Com essa união dos empresários para realizar compras conjuntamente e, em seguida, dada a influência inclusive de modelos como o IGA promovidos por empresas de atacado, se estruturou a tendência de união de supermercadistas em redes e centrais de negócios, que mais que, compras, têm gestão conjunta do negócio, com ações comerciais e de marketing.


Há diversos motivos que levam os empresários a se unir e criar redes, como a melhora da qualidade do relacionamento com os fornecedores; a união nas compras com consequente aumento das vendas; além dos ganhos de gestão e rentabilidade, que garantem a melhor concorrência, especialmente em relação a grandes corporações do varejo.


2. Hoje quantas redes há no País e quanto elas faturam?
Adeilton: As redes de negócios somam hoje 130 instituições de pequenos e médios supermercados, que, juntas, em 2010 faturaram R$ 23,48 bilhões (crescimento no faturamento nominal de 11,34% e variação real de 5,99%, quando deflacionada pela média anual do IPCA). Vale lembrar que o critério utilizado para consolidar os dados é projetado com base na taxa de crescimento das “mesmas empresas” (Ranking 2010 em relação à base do Ranking 2009). Ao longo dos anos, conforme podemos constatar neste 11º Ranking de Redes e Associações de Negócios, realizado pela Abras em parceria com a Kantar WorldPanel, as redes trouxeram exemplos claros de empresas que se readequaram aos processos, permaneceram unidas e enfrentaram diferenças culturais e de gestão em prol do crescimento em conjunto.


3. Como se dá a distribuição regional?
Adeilton: Observamos nesta pesquisa que a Região Sudeste participa com 49,2% do faturamento, e conta com 27 redes, sendo que das cinco primeiras colocadas, três estão localizadas nessa região. Com um modelo de associativo bem marcante, temos também a região Sul, com 36,8% de participação e destaque principalmente para o estado do Rio Grande do Sul. Do total de declarantes da pesquisa neste ano, 14 são de lá, mas os demais Estados também têm operações de peso. O Nordeste, por exemplo, contribui com 10,6% dessa fatia do mercado. A primeira colocada é a cearense Super Rede, e a região abriga ainda mais seis importantes redes entre as empresas declarantes. Na sequência vem a região Centro-Oeste, com 3,4% de participação e destaque para o Estado do Mato Grosso do Sul. Essa crescente participação de todas as regiões nos mostra que o modelo tem dado certo ao longo desses anos e as redes vêm prosperando rapidamente e construindo modelos de negócios competitivos. 

 

4. Em termos de logística, qual é a principal dificuldade hoje?  
Adeilton: O investimento em centros de distribuição (CD) ainda é um desafio para algumas redes, e um dos entraves apresentados por alguns fornecedores que participaram das reuniões do Cran. Acredito que essa é a tendência para o associativismo, pois é preciso criar logística de atendimento que favoreça a compra de produtos, inclusive de grandes fornecedores, que também tem interesse em negociar com as redes. Com essa central as redes podem ainda diversificar o mix de produtos e até mesmo conseguir preços mais competitivos.


5. Quais são as maiores redes de negócios do setor no País hoje?
Adeilton: A cearense Super Rede, com lojas em 14 municípios do Estado, está no topo da lista da pesquisa criada pela Abras, com 50 lojas associadas. A segunda maior, também de acordo com a pesquisa, é a Avaes, do Espírito Santo, com mais de 30 anos de atividade e 97 lojas associadas. E a terceira é a paulista Arcos Supermercados, formada por 30 empresas.

 

6.  Como se dá o uso de marcas próprias nas redes?
Adeilton: Ter marca própria é uma alternativa bastante usada pelas redes, sobretudo para fortalecer a marca e fidelizar os clientes. De acordo com a pesquisa, mais da metade das redes, ou seja, 57% das entrevistadas contam com produtos de marca própria para criar diferencial competitivo e reforçar a bandeira.

 

7. Quais são as perspectivas para o crescimento das redes nos próximos anos?
Adeilton: São grandes. A maioria das redes cresce de forma orgânica, abrindo novas lojas. Para 2012 os investimentos continuam fortes, como mostra a opinião dos entrevistados desta pesquisa, onde 55% disseram que pretendem investir em novas lojas; 50% desejam ampliá-las; 46,7% têm como meta fazer reformas diversas; 45% relataram a intenção de adquirir equipamentos novos; o investimento em logística deve ser da ordem de 41,7%.

 

 



 

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