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As coisas mudam 01/06/2017 17:23:12

 

 

Os seguidos superávits primários não reduziram o estoque da dívida, pois o custo do financiamento sempre esteve muito alto. Algumas condições precisam mudar para a trajetória ser retificada

Por Flávio Tayra*

 

 

Em meu primeiro artigo no Caderno Economia, na SuperHiper de novembro de 2007, comentei sobre a nova fase dos supermercados. Depois de um ano difícil em 2006, no qual as vendas haviam recuado -1,6%, o setor ensaiava um período de grande crescimento que só se encerraria em 2015: “Os resultados favoráveis do comércio refletem, principalmente, os sucessivos ganhos reais de renda dos trabalhadores, a melhora das expectativas proporcionada pelo ambiente de estabilidade da economia, as melhores condições de crédito e, fundamentalmente, o aumento das transferências governamentais”.


Alguns meses depois, em junho de 2008: “A pergunta que não quer calar: esta é apenas uma boa fase ou a economia realmente inicia um novo ciclo de longo prazo? Os indicadores mostram que a economia hoje cresce em base consistente. Ou seja, a boa situação atual não é simplesmente obra do acaso, ela vem sendo gestada há pelo menos 15 anos (daí o ponto positivo da continuidade da política econômica de Lula em relação a FHC) [...] Por outro lado, é preciso reconhecer que o País ainda possui grandes deficiências na sua infraestrutura econômica (transporte e energia, por exemplo) e, principalmente, social e institucional. Só quando o Brasil providenciar tais condições poderá ter certeza de uma verdadeira decolagem.


Para não perder a hora desse voo (e não embarcar novamente no voo da galinha), o País não pode perder mais tempo com adiamento das reformas e dos enormes investimentos em infraestrutura necessária. Em resumo, por conta dessas deficiências historicamente proteladas, talvez ainda não seja dessa vez que embarcaremos num voo de Concorde”. Quase 10 anos depois, o cenário é decepcionante: o embarque foi mais uma vez num voo de galinha, o crescimento foi de curto prazo e a economia brasileira se encontra hoje numa recessão que desde o final de 2014 já acumula um recuo de mais de 10% do PIB. 


Se antes havia espaço fiscal para intensificar transferências governamentais e possibilidades de desonerações tributárias, o quadro atual traz um aperto fiscal com contingenciamento de verbas para setores essenciais para a estabilidade social e reformas sendo propostas a toque de caixa (muitas delas necessárias), sem a devida discussão com a sociedade. O perigo anunciado: a explosão das contas públicas no médio prazo, o default (calote) da dívida pública.


Se o passado recente deu asas para o otimismo exagerado, o presente traz números de um pessimismo exacerbado: após anos seguidos de geração de superávits primários (de 1999 a 2013), o resultado foi negativo em -2,5% do PIB em 2016, após -1,9% no ano anterior. Os seguidos superávits primários não deram margem para redução do estoque da dívida e seguidos déficits nominais foram gerados, pois o custo do financiamento sempre esteve muito alto. Aausteridade fiscal é necessária, mas esse custo precisa cair.


* Consultor de Economia da Abras



 

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