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Concentração da riqueza 02/09/2016 16:08:41

 

 

 

A desigualdade de renda já é bastante conhecida no Brasil. Mas mesmo na parcela dos mais ricos existe concentração de renda. A nossa estrutura tributária contribui para a manutenção de tal situação


 

 

 

 

 

 

Por Flávio Tayra*

 

O economista francês Thomas Piketty ganhou notoriedade, em 2013, quando publicou o seu livro “O Capital no Século XXI”, no qual alertou para o crescimento contínuo da desigualdade de riqueza global desde a década de 1970, contrária à tendência dos 60 anos anteriores. Já em 2015, segundo estudo do banco Credit Suisse, 1% da população mundial, aqueles que têm um patrimônio avaliado em US$ 760 mil ou mais, possuía tanto dinheiro líquido e investido quanto o montante em conjunto dos 99% restante da população mundial.


No Brasil, os 10% mais ricos ganham 40 vezes mais que os 10% mais pobres. Essa diferença é muito alta se compararmos com outros países: Nos Estados Unidos, por exemplo, a diferença entre os ganhos é de 15 vezes. Na França e no Canadá, a distância entre rendas da camada mais rica e da mais pobre é apenas 10 vezes maior. O dado do Brasil é ruim, mas já foi pior: uma das medidas mais conhecidas de desigualdade, o índice de Gini, caiu de 0,545 em 2004 para 0,490 em 2014 no País (o índice varia de zero a 1; quanto mais perto do zero, menos concentrada é a distribuição da renda).


E a concentração de renda entre os mais ricos? As pesquisas domiciliares, como a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad), o Censo e a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), por serem baseadas nas declarações das pessoas consultadas, tendem a subestimar a renda e a riqueza dos mais ricos. Segundo um estudo publicado em 2015 — a partir de dados da Receita Federal —, em média, entre 2006 e 2012, o 1% mais rico do Brasil se apropriou de pouco menos de 25% da renda nacional total, sendo que o 0,1% mais rico, por si só, ficou com 11%. Pelo estudo, a média de renda dos 0,1% mais ricos foi de R$ 2,373 milhões/ano em 2012, ao passo que a média dos 1% mais ricos foi de R$ 552,9 mil, e a dos 5% mais ricos foi de R$ 197,7 mil (algo equivalente a um salário mensal de R$ 15,2 mil). Já a renda mínima para a entrada nesse grupo dos 5% foi de R$ 57,6 mil; ou seja, aquela família que recebia salário acima de R$ 4,4 mil em 2012, já fazia parte dos 5% mais ricos do Brasil.


Os que estão no topo da pirâmide social obtêm seus rendimentos, sobretudo, do capital; e a estrutura tributária brasileira está centrada no consumo: em 2012, 49,73% da arrecadação adveio dos bens e serviços, 17,84% da renda, 3,85% da propriedade, 26,53% da folha de salários e 2,04% de outros meios. A incidência de alta carga tributária sobre os bens e serviços é um dos problemas gritantes do modelo.

Encarece os produtos e diminui o consumo. Uma melhor distribuição de renda afetaria de forma extremamente positiva o desempenho do setor supermercadista.


* Consultor de Economia da Abras



 

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