Três em cada dez idosos sentem falta de produtos voltados para a terceira idade, mostra SPC Brasil e CNDL

Leia em 6min

67% dos brasileiros acima de 60 anos são os únicos decisores das compras que fazem, mas 34% sentem falta de produtos e serviços específicos, como celulares e roupas. 33% deixam de consumir por falta de crédito

Quando a terceira idade chega, o que usualmente os brasileiros mais esperam é finalmente conseguirem aproveitar melhor o tempo livre e, em alguns casos, ir às compras acaba se tornando a atividade de lazer preferida dos idosos. Será que o mercado está preparado para atender às necessidades desse público? Uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em todo o país mostra que 67% dos idosos são os únicos decisores sobre as compras que fazem, mas três em cada dez (34%) afirmam sentir falta de produtos para a terceira idade.

Entre estes produtos e serviços, os mais citados pelos entrevistados são o celular com teclado e telas maiores (13%), locais para diversão (12%) e roupas (11%). Com relação às roupas, 17% concordam que é difícil comprar, uma vez que encontram peças ou para pessoas muito idosas ou muito jovens. E não são somente os produtos que os idosos têm reclamações. Sobre as empresas e pontos de venda, também há melhorias que precisam ser feitas para 70% dos entrevistados, sendo um bom atendimento (37%), rótulos mais fáceis de serem lidos (34%), ter bancos para descanso (29%) e sinalizações com letras maiores (27%) as mais mencionadas.“

Embora a maioria dos idosos garanta ter autonomia para decidir como gastar o próprio dinheiro, boa parte se ressente da falta de produtos pensados especificamente para atender às suas necessidades. O levantamento mostra que definitivamente ainda há muito espaço no mercado para o segmento da terceira idade. A empresa do varejo que identificar as necessidades e desejos desse público-alvo, certamente ganhará novos clientes e verá suas vendas aumentarem”, explica Honório Pinheiro, presidente da CNDL.

“Nas próximas quatro décadas a população da terceira idade deve triplicar, chegando a mais de 66 milhões de pessoas, quase 30% da população. O mercado, portanto, deve se preparar e conhecer cada vez melhor as especificidades deste consumidor a fim ampliar sua participação no mercado e sua lucratividade”, afirma Pinheiro. “Os dados sobre o consumo na terceira idade sugerem que há um grande contingente de brasileiros com demandas bastante específicas e que muitas vezes ainda não são adequadamente atendidas. Os idosos querem comprar produtos desenvolvidos especialmente para eles, mas também desejam diversidade e qualidade. O momento é de oportunidade de grande potencial em segmentos como os de lazer, serviços, logística e saúde.”

Principais desejos de consumo: roupas e viagens

A pesquisa da CNDL e do SPC Brasil mapeou os desejos de consumo da terceira idade. Até o fim do ano, desconsiderando compras de produtos básicos para a residência, os entrevistados pretendem comprar roupas (29%), viagens (20%) e calçados (19%). Mais da metade dos entrevistados (53%) pretendem comprar produtos e/ou serviços que demandam uma quantia financeira maior nos próximos 12 meses: viagens (19%), eletrodomésticos (13%) e tratamentos dentários estéticos (12%).

Com relação aos últimos 12 meses, 55% e 10% dos entrevistados fizeram viagens nacionais e internacionais, respectivamente, geralmente pagas à vista (45%) ou parceladas no cartão de crédito (36%).

A escolha de um estabelecimento para fazer suas compras é feita levando em consideração principalmente o preço (69%), a qualidade (54%) e o atendimento (48%), e os principais locais de compra são as farmácias/drogarias (49%), lojas de rua/bairro (41%) e lojas de shoppings (25%). No caso de serviços oferecidos em domicílio, os mais relevantes para entrevistados são a entrega de medicamentos (63%), de compras feitas em supermercados (50%) e de lanches ou comida (32%).

Os meios de comunicação mais consumidos pela terceira idade são a TV aberta (80%), rádio (50%), TV por assinatura (45%) e internet (43%). Novelas (54%), filmes (40%) e saúde (28%) são os tipos de conteúdo que os entrevistados possuem mais interesse.

33% dos idosos deixam de comprar por falta de crédito

Diretamente ligado ao consumo como meio de viabilizar as compras, o acesso ao crédito também foi pesquisado pela CNDL e SPC Brasil. A conta corrente (69%) e o cartão de crédito (58%) são os serviços financeiros mais utilizados pelo público da terceira idade. Em seguida, aparecem cartão de loja (37%), cheque especial (19%), empréstimo consignado (18%), crediário/carnê (13%) e empréstimo pessoal (12%). De uma forma geral, percebe-se que as pessoas com idade entre 60 e 70 anos, e das classes A e B são as que mais têm acesso aos itens investigados e 41% dos que têm serviços financeiros não analisaram as tarifas ou juros cobrados ao contratar estes serviços.

Entre os produtos mais comprados no crédito estão o vestuário e calçados (39%), eletrodomésticos (33%) e eletroeletrônicos (26%). Considerando o último mês anterior à pesquisa, 19% dos entrevistados da terceira idade compraram algo sem necessidade estimulados pelo crédito fácil.

A falta de crédito é outro fator importante na vida dos idosos: três em cada dez (33%) não compram algo que têm vontade por esse motivo, principalmente carro ou moto (10%), viagens (5%) e eletrodomésticos (5%). Além disso, 15% dos entrevistados já passaram pela situação de ter o crédito negado, principalmente em bancos (5%), lojas de eletroeletrônicos (4%) e financeiras (4%).“

Ainda há bastante espaço para o desenvolvimento de políticas de crédito voltadas para o público da terceira idade, o que beneficia tanto o público quanto o mercado. Ao mesmo tempo, com todo o acesso e influências do mercado de consumo, é fundamental orientar os idosos para utilizar bem os instrumentos financeiros, para que não sejam levados ao desequilíbrio nas finanças e endividamento”, alerta o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli.

Para o especialista, um dos vilões do equilíbrio das finanças dos idosos é o empréstimo de nome. De acordo com a pesquisa, dois em cada dez idosos (19%) já fizeram empréstimo pessoal ou consignado para uso de terceiros (filhos, cônjuge, outros familiares), sendo as principais finalidades o pagamento de dívidas (39%) e a compra de carro/moto (15%) - 16% não souberam dizer o destino do dinheiro.

Vignoli ressalta que o idoso não pode se deixar levar apenas pelos laços emocionais: “Quem pede o empréstimo do nome geralmente precisa pagar compromissos pendentes, o que nunca é um bom sinal. Pode trazer desequilíbrio no orçamento e graves problemas financeiros para quem ofereceu ajuda. É fundamental orientar os idosos para utilizar bem os instrumentos financeiros, para que não sejam levados ao desequilíbrio nas finanças e endividamento”, conclui o educador.

Metodologia

Foram entrevistados 619 consumidores com idade acima de 60 anos de ambos os gêneros e de todas as classes sociais nas 27 capitais brasileiras. A margem de erro é de no máximo 3,9 pontos percentuais para um intervalo de confiança a 95%.

Fonte: Assessoria de Comunicação da CNDL


Veja também

Produção em alta faz preço do leite cair novamente em outubro

Com o fim da entressafra, captação voltou a crescer gerando maior oferta no mercado brasileiro O avan&cce...

Veja mais
Queda nos preços do trigo é repassada para os derivados

Os preços do trigo em grão e dos derivados (farelo e farinha) encerraram outubro em queda. Para o gr&atild...

Veja mais
Conta de luz terá cobrança de taxa extra em novembro

  Governo anunciou bandeira amarela, e consumidor pagará valor de R$ 1,50 para cada 100 kWh A conta de...

Veja mais
Abacate e berinjela estão mais em conta, diz Ceagesp

Outros preços em baixa são banana nanica, figo roxo, carambola e goiabas.Mamão papaia, mamão...

Veja mais
Procon.SP aponta queda de preços da cesta básica

Pesquisa da Fundação mostra redução de 0,47% na semana de 20 a 27 de outubro em São P...

Veja mais
MILHO: Mato Grosso registraram perda de 3,57%

 Mercado ainda convive com queda de braços entre compradores e vendedores Publicado em 31/10/2016 às...

Veja mais
Cebola: Safra de São José do Rio Pardo (SP) chega ao fim

A colheita da cebola em São José do Rio Pardo (SP) terminou nesta semana. Durante a safra, chuvas atrasara...

Veja mais
Novas regras para rotulagem de cosméticos infantis entram em vigor nesta semana

 Rótulos devem trazer informações relevantes sobre os produtos de forma mais clara para pais e...

Veja mais
Veto ao leite importado

Apontado recentemente como um dos vilões da inflação, o leite nosso de cada dia agora passa por um ...

Veja mais