Pressão nas commodities

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O movimento de baixa dos preços das commodities atinge a economia do Brasil, já que cerca de 50% das suas exportações correspondem a produtos primários.

A economia mundial está sendo arrastada para nova temporada de baixa dos preços das commodities, que não atinge apenas o petróleo, os minérios e os metais, mas também os grãos, embora em menor grau, já que grão é alimento e todos têm de comer.

É um movimento que atinge a economia do Brasil, já que cerca de 50% das suas exportações correspondem a produtos primários. Preços mais baixos é exportação de menos.

Só para ter uma ideia das proporções no novo período de baixa, nos últimos cinco meses, o Índice CRB, um dos mais prestigiados medidores globais de preços das commodities, caiu 18,3%. E tende a seguir em recuo.

Por que essa nova temporada de baixa? São dois os fatores. O primeiro tem pouco a ver c0m o comércio, mas sim, com a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) de reverter a megaoperação de despejo de moeda para recuperar a economia dos Estados Unidos da crise em que estava. Vai agora começar a retirada desses dólares, por meio da venda de títulos. O resultado é a alta dos juros, que hoje estão ao redor do zero por cento ao ano. Como são um dos dois principais preços da moeda (o outro é o câmbio), juros mais altos implicam valorização da moeda em relação aos demais ativos. Ou seja, uma moeda mais valorizada deve comprar mais commodities do que comprava antes da valorização. Os mercados, principalmente os que negociam commodities para entrega futura, já estão operando com preços mais baixos.

O outro fator da baixa tem a ver com as notícias de desaceleração ainda maior da economia da China, que é o grande importador de commodities do mundo. Tem a ver, portanto, com a perspectiva de demanda mais baixa do que a que vinha sendo levada em conta nos mercados. O impacto não para por aí. A economia dos fornecedores da China também é atingida pela baixa. Isso explica boa parte da trombada da economia da Venezuela, grande exportadora de petróleo; e também a do Chile, forte fornecedor de cobre. O Brasil sofre o impacto de dois estragos: petróleo e minério de ferro.

A queda das commodities já vinha desde 2008, início da crise. Mas acentuou-se a partir de 2013 por causa da superprodução. Os bons preços do período anterior haviam estimulado os investimentos e a produção. E chegou o momento em que a própria crise mundial e a desaceleração da economia da China não deram conta do escoamento dos estoques.

A derrubada de preços tem um efeito darwiniano: tira do mercado produtores que operam a custos mais altos; sobram os mais eficientes. Essa é a principal razão pela qual a Arábia Saudita, principal exportador de petróleo, se recusa a reduzir a oferta da Opep. Quer que esses produtores, como muitos que operam nos Estados Unidos, morram sufocados pela baixa.

A política monetária do Fed vai trabalhar na mesma linha. Todas as indicações são de que a direção aumentará os juros com cuidado, para não provocar turbulências. Mas essa política gradualista traz o inconveniente de levar mais tempo para ser concluída. Em consequência disso, os preços das commodities podem não se recuperar tão cedo.

Os gráficos acima mostram a evolução das cotações de duas das mais importantes commodities de exportação do Brasil.

Capitalização da Petrobrás

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, jogou um balde de água fria no projeto de engenharia financeira da diretoria da Petrobrás que pretendia garantir aumento capital futuro por meio do aumento do endividamento imediato do Tesouro. Continua sem solução o problema principal, que é o da insuficiência de capital da Petrobrás para enfrentar uma dívida monstro de R$ 506 bilhões.

 

 



Veículo: Jornal O Estado de S. Paulo


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