Demissões são tormento para o comércio, setor com maior número de vagas perdidas

Leia em 2min 40s

Além do dinheiro que não entra no caixa, a demissão tira o sono dos micros e pequenos empresários. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados na semana passada, o comércio foi o quarto setor que mais demitiu em 2015, perdendo 218 mil vagas no período. A indústria de transformação foi o setor que mais demitiu trabalhadores com carteira assinada, com 608 mil demissões, seguida pela construção civil (-416 mil vagas). Em terceiro lugar aparecem os serviços, com 276 mil demissões em 2015.

Segundo o Sindlojas, no comércio em BH são 230 mil empregos diretos e a estimativa é de que 10% desses trabalhadores tenham sido demitidos em 2015. E de acordo com dados do Sindicato dos Empregados no Comércio de Belo Horizonte e Região Metropolitana (SEC), em 2015, foram 29.234 demissões. O número se refere a trabalhadores com mais de um ano empregado. “Muitas pessoas estão sendo demitidas com menos de um ano no trabalho, isso tem sido comum. Porém, nossos dados não contemplam isso”, comenta Oswaldo Gonçalves, diretor do sindicato.

Para Gonçalves, diante do cenário, não há outro resultado a não ser a preocupação. “As pessoas não estão tendo como gastar, há a inflação, o salário mínimo aumentou. É uma pressão muito grande”, afirma. “Tenho 10 anos de mercado e pago para trabalhar, e não há o que fazer. O banco não libera crédito, e, se antes vendia 90 carros por mês, hoje não chega a 15. Ninguém entra para comprar” comenta o dono da Mixcar, Éder Eustáquio, acrescentando que a preocupação é também com o quadro de funcionários. “Tenho vendedores que têm famílias e dependem das vendas”, lamenta. Segundo Gonçalves, cerca de 90% dos trabalhadores do comércio dependem de comissões.

Sem perder a esperança

Demorou seis meses para a crise bater na porta do comerciante Henrique Nonato, dono da Via Ricco, loja de calçados. Há 50 anos no mercado, ele diz que, em agosto do ano passado, ele sentiu a retração na economia. “Depois disso, as vendas começaram a cair todo mês. E tivemos um dezembro muito fraco, com queda de 30%. Foi um mês histórico”, comenta, acrescentando que neste janeiro as vendas se mantêm em baixa. “É preciso ter fé de que vai melhorar”, aposta.

Quando Rosilene Abad abriu a Ateliê, na Savassi, em 2014, chegou cheia de expectativas e não esperava quedas nas vendas. Começou, em outubro daquele ano, com duas funcionárias. Mas, com o ano de 2015 ficou só com uma e tem visto os vizinhos fecharem as portas. “A crise não é algo da Savassi, é geral. A minha loja é uma franquia, e a situação é a mesma em São Paulo, Espírito Santo e Bahia”, compara, dizendo que, por mais que o cenário não seja favorável e que ela volte para casa chateada, há sempre um outro dia e ela mantém o bom humor, investindo no bom atendimento. “Não adianta ficar reclamando com a clientela. Tenho esperanças que 2016 vai melhorar”, diz. Na avaliação da economista da CDL Ana Paula Bastos, um plano econômico de confiança a longo prazo do governo federal poderia reaver os ânimos no comércio.

 


Veículo: Jornal Estado de Minas - MG


Veja também

Preço do tira-gosto sobe 36,32% em Belo Horizonte em um ano

                    ...

Veja mais
Cade abre investigação sobre possível cartel para formação de preços de trigo

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) instaurou, nesta segunda-feira, processo administrativo para ...

Veja mais
Condições para negociar salário melhoraram em novembro

O poder de barganha dos trabalhadores brasileiros na hora de negociar seus salários subiu pelo segundo mês ...

Veja mais
João Carlos de Oliveira renova mandato na presidência da GS1 Brasil

Entidade terá novo período de três anos, comandada por diretoria que representa vários setore...

Veja mais
Piracanjuba estreia campanha com Zezé di Camargo & Luciano

Cantores serão percussores do Leite Condensado e do Creme de Leite da marca   ...

Veja mais
Confiança da indústria sobe 3,7 pontos em janeiro, revela prévia da FGV

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) apurado na prévia da sondagem de janeiro ficou em 7...

Veja mais
Estoques altos devem impulsionar onda de liquidações no varejo, aponta FecomercioSP

As vendas abaixo do esperado durante o Natal impactaram negativamente sobre os estoques do comércio varejista na ...

Veja mais
Cnova nomeia Emmanuel Grenier como único presidente

A empresa de varejo online Cnova informou nesta sexta-feira a nomeação de Emmanuel Grenier como úni...

Veja mais
Culturas de verão são beneficiadas pelo clima

O clima dos últimos períodos, com tempo seco e boa luminosidade, permite boa evolução da saf...

Veja mais