Com esperança e sem solução, arrozeiros veem preços em queda

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Com um monte de promessas renovadas e a frustração da expectativa de que a abertura da colheita, na semana passada, trouxesse anúncios do governo de medidas capazes de amenizar ou resolver ao menos parte dos graves problemas de custo e comercialização, os arrozeiros gaúchos começam a colher a safra 2018/19 vendo os preços médios em declínio no Estado.

 

Mesmo com a expectativa de uma significativa retração produtiva, a trajetória baixista da remuneração se explica pela concentração da oferta de quase 2 terços da safra até 30 de abril, a garantia de abastecimento interno a preços competitivos com a livre entrada de arroz do Mercosul e a falta de perspectivas de soluções para o endividamento e o acesso ao crédito.

 

O governo federal anunciou R$ 500 milhões de recursos para comercialização e estocagem da safra, mas os recursos, além de atrasados, seguem o mesmo discurso dos últimos anos. Existem nos anúncios, mas levam muito tempo e não chegam no volume total para a contratação pelos orizicultores. Além disso, segundo a Farsul, 75% dos arrozeiros não têm acesso ao crédito. Isso quer dizer que quem mais precisava de acesso a este recurso para não entregar parte ou todo o seu arroz para pagar CPRs e financiamentos privados até o início de maio, é justamente quem não terá direito a ele.

 

Uma reunião ontem no Ministério da Agricultura com a cadeia produtiva e supermercadistas e o governo não apresentou nenhuma solução. Os pleitos foram reforçados e uma nova reunião foi marcada para 20 ou 21 de março para que cada entidade apresente – novamente – suas sugestões. Desde 2018 Federarroz, Farsul, Fetag e Irga não fazem outra coisa. Apresentam soluções que são ignoradas pelo governo federal. A diferença é que agora têm apresentado diretamente à ministra. E que ela tem demonstrado interesse, em que pese os ouvidos mocos do Ministério da Economia. Espera-se que ao final de março, ao menos em parte as demandas sejam atendidas.

 

A Abertura da Colheita, em Capão do Leão (RS) mostrou duas realidades distintas para a lavoura arrozeira. Nas vitrines tecnológicas e estandes, ficou claro que há soluções agronômicas e potencial para o rizicultor produzir mais e investir. No lado político, econômico e setorial, governos federal e estadual empurraram as soluções com a barriga mais um pouco. O governo estadual renovou promessas – como estudar a redução do ICMS no período de colheita – e repassar a CDO para o Irga, instituição para a qual sequer se movimentou para nomear uma diretoria em 60 dias de governo. O governador Eduardo Leite deixou claro que investir no Irga, na lavoura e concretizar as promessas são medidas condicionadas à aprovação da reforma da Previdência Social, as privatizações de empresas públicas gaúchas, e a equalização das contas do Estado.

 

O governo federal foi representado apenas pelo seu segundo escalão, com diretores do MAPA, e voltou a sinalizar com um acordo comercial com o México, que já é tratado há mais de dois anos, desde o governo da cassada Dilma Rousseff. Uma reunião com o ministro da Agricultura do Paraguai, foi uma das novidades anunciadas pelo governo brasileiro, e deve acontecer depois do Carnaval.

 

Os demais políticos, representantes do setor, repetiram os discursos dos últimos 30 anos, de buscar solução para as dívidas, medidas para bloquear as importações, fomento às exportações e fortalecimento do Irga, entre outras antigas reivindicações do setor.

 

Preço

 

Enquanto a área setorial e política segue neste chove-e-não-molha, a lavoura gaúcha chegou a pouco mais de 50 mil hectares colhidos, com produtividades médias acima de 9 mil quilos por hectare. Os preços médios no Rio Grande do Sul continuam entre R$ 38,00 e R$ 39,50 no mercado livre. O indicador preços da saca de 50 quilos de arroz em casca (58x10) colocada na indústria alcançou R$ 39,61 nesta terça-feira, dia 26 e acumula 2,85% de retração em fevereiro. Em dólar, a equivalência é de US$ 10,57/50kg. Na segunda-feira a situação era pior, e acumulava perda de preços de 3,26%.

 

Mercado

 

A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica preços médios de R$ 40,00 no mercado livre gaúcho para a saca de 50 quilos (58x10) e de R$ 84,00 para a saca de 60 quilos (branco, beneficiado, Tipo 1), sem ICMS – FOB. O mercado de quebrados segue estável, refletindo a demanda africana. O canjicão é cotado a R$ 42,00 e a quirera a R$ 40,00, ambos em 60 quilos. A tonelada de farelo de arroz tem como referência o preço de R$ 420,00.

 

Preço ao Consumidor 

Os preços médios ao consumidor começaram a sofrer algumas reações com a retomada do calendário escolar e a aproximação de março. No entanto, o feriadão de Carnaval mantêm o mercado de consumo ainda baixo. A novidade é que o diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Alexandre Seabra Resende, afirmou que o consumo de arroz per capita caiu de 21 quilos em 2017 para 16,4 quilos em abril de 2018 por causa da crise econômica – agravada em seguida pela greve dos caminhoneiros. No início de 2019, ainda segundo ele, este volume teria reagido para 19,5 quilos per capita. O dirigente supermercadista assumiu o compromisso, frente à cadeia produtiva, de aumentar a exposição e as ações em busca do aumento das vendas de arroz e incentivo ao consumo nas lojas brasileiras.

 

Tendências

A tendência de preços ao produtor é de queda até pelo menos o dia 30 de abril, quando boa parte da safra deverá ser repassada pelos produtores menos capitalizados à indústria. Alguns analistas esperam uma elevação gradativa, mesmo que ainda tímida, a partir de maio. No entanto, face à redução do volume de colheita, o histórico de comportamento de preços e a expectativa de ações governamentais de apoio à comercialização – inclusive ajustando o fluxo e os volumes de importações – espera-se que uma reação importante só ocorra entre julho e setembro. A Conab chegou a sugerir que os preços do arroz ao produtor podem chegar acima de R$ 52,00 por saca a partir desta época.

 

Entretanto, alguns produtores alegam que retirando frete, impostos, taxas, etc... esse valor resultaria em R$ 44,00 a R$ 45,00 líquidos, o que ainda não cobriria o custo médio de produção acima de R$ 48,00 para uma colheita de 151 sacas por hectare nas lavouras gaúchas.

 

Fonte: Planeta Arroz

 


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