Panetones já estão nas prateleiras, mas vendas devem repetir ritmo lento

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Um levantamento da Kantar aponta que o produto chegou a 44,5% dos lares brasileiros no último final de ano e na visão de representantes da indústria a fatia deve ser mantida até o Natal de 2016

 
São Paulo - A indústria de alimentos já começou a entregar as encomendas de panetones aos supermercados, mas prevê um desempenho em 2016 semelhante ao do ano passado.
 
De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos (Abimapi), Cláudio Zanão, a categoria de pães e bolos industrializados - que inclui panetones - deve repetir os volumes de 2015, quando vendeu 500 mil toneladas. Um pouco abaixo das 506 mil toneladas de 2014. "Apesar de parecer que já chegamos ao fundo do poço [por conta da crise econômica], os brasileiros continuam sem emprego, endividados e consumindo menos. Não teria como ser diferente", diz ele, projetando um Natal "apertado".
 
Zanão parece mais otimista com relação às encomendas de panetones em 2017. "Daqui a 12 meses já teremos um contexto melhor e com mais consumo".
 
Na visão dele, a categoria tem um forte potencial de crescimento, visto que ainda é baixa a frequência de compras: cerca de 1,6 vez, segundo levantamento da Kantar Worldpanel. A pesquisa mostra ainda que apenas 44,5% dos lares brasileiros consumiu panetone entre novembro do ano passado e janeiro de 2016. Fatia que deve ser mantida neste final de ano, afirma o dirigente da Abimapi.
 
Já o gerente de marketing da Arcor, Nicolas Seijas, conta que já detectou uma melhora no ambiente para negócios, mas espera uma recuperação lenta no setor. "Já é possível sentir que estamos saindo da crise, mas ainda não há reflexo nesse mercado. Neste ano o consumidor ainda irá buscar alternativas e ponderar essa compra", afirma em entrevista ao DCI.
 
Ele espera atingir em 2016 aos mesmos as 3,5 milhões de unidades vendidas em 2015. A empresa produz as marcas Triunfo, Arcor e Aymoré.
 
O diretor comercial da Village, Reinaldo Bertagnon, também projeta volume e receita em linha com o ano passado. Segundo ele, as encomendas já estão saindo da fábrica, mas ainda em um ritmo lento. "Não estamos vendo redução. Mas também não vemos muito crescimento no consumo este ano", pondera o executivo.
 
Para enfrentar o cenário, Bertagnon explica que a Village apostou na gestão de custos. "Nos preocupamos em administrar custos com matéria-prima, o que nos garante preços competitivos".
 
Realizando entregas para o varejo desde o início deste mês, ele acredita que o conservadorismo de alguns clientes para realizar pedidos está relacionado ao ambiente de insegurança econômica. "este ainda não será um ano maravilhoso para os negócios".
 
Concorrência
 
Já a paranaense Cantu Alimentos acredita que será possível obter alguma vantagem frente às líderes do mercado. Segundo o gerente comercial da empresa, Ivonei Perin, o ano passado foi fraco, mas em 2016 a fabricante conseguiu implementar uma política de redução de custos que vai permitir preços mais competitivos frente aos seus concorrentes. "Projetamos um avanço de 20% na receita nos próximos meses, impulsionado pelo ganho de competitividade", ressalta.
 
Perin não acredita, porém, em uma explosão da demanda no curto prazo. "Os consumidores não irão comprar muito mais do que no ano passado, mas farão substituições [de marca em busca de preços melhores], tornando o mercado nacional mais acirrado".
 
Na avaliação do presidente do Sindicato e Associação dos Industriais de Panificação e Confeitaria de São Paulo (Sindipan/Sampapão), Antero José Pereira, o cenário está mesmo mais favorável para fabricantes de menor.
 
"Está difícil administrar todos os custos e praticar preço menor, então quem consegue abaixar a margem leva vantagem. As marcas menores podem aproveitar essa situação", explica Antero José Pereira.
 
Apesar disso, Ivonei Perin comenta que a falta de previsibilidade do cenário macroeconômico brasileiro acabou paralisando projetos. "Viemos sem lançamentos e cuidadosos. Nosso planejamento para as festas começa muitos meses antes [no primeiro semestre], quando ainda era difícil dizer como a economia estaria hoje. Deixamos grandes planos para quando o cenário melhorar".
 
Fonte: DCI


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