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23/12/2015 11:58 - Além do vinho

A Valduga, uma das mais tradicionais vinícolas do País, promove a expansão dos negócios com a diversificação em cinco áreas de atuação, como a entrada no mercado de cosméticos e de cervejas artesanais.

O vinicultor Luiz Valduga, fundador da vinícola gaúcha que leva o nome da família, dizia que “antes de fazer duas garrafas de vinho, faça uma. Mas bem feita”. O conceito do patriarca nunca esteve tão presente como neste ano. A Valduga, de Bento Gonçalves, decidiu encolher para crescer. A capacidade de produção de 2 milhões de litros de vinhos e espumantes por ano dificilmente será expandida. A marca Casa Valduga quer reforçar sua imagem de produto premium, com volumes e quantidade limitados.

Num mercado em que as projeções indicam que o brasileiro continuará bebendo pouco mais de dois litros da bebida pelos próximos cinco anos, o grupo partiu para a diversificação em cinco áreas: além da produção de vinhos e espumantes, importação, cervejaria, cosméticos, gastronomia e enoturismo. O caminho mais emblemático é o lançamento da Cervejaria Leopoldina. Em 2014, a ideia foi rechaçada duas vezes pelo Conselho de Administração. Na terceira tentativa, o diretor geral Eduardo Valduga, idealizador do projeto, decidiu vencer pelo paladar: todos beberam e aprovaram um investimento de R$ 3,5 milhões no projeto.

As cervejas Leopoldina (homenagem ao primeiro vinho produzido pela Valduga) foram lançadas no segundo semestre deste ano, com cinco estilos. Um, em especial, se aproxima da origem do grupo. A Old Strong Ale descansa oito meses em barricas de vinho do porto antes de ir para uma garrafa de espumante. A capacidade total de 30 mil litros por mês deve ser multiplicada por 10 em até dois anos. Enquanto isso, Eduardo e o mestre cervejeiro Rodrigo Veronese trabalham para encontram uma “fórmula da água” que seja perfeita para cada um dos estilos.

A Leopoldina já dispõe do aparelho que separa as impurezas da água, seleciona e balanceia os minerais. “Se der certo, vamos atingir um outro nível de cerveja”, diz Eduardo. Até julho de 2016, a cervejaria será transferida para seu local definitivo, em Garibaldi, vizinha à cidade sede do grupo. A Leopoldina vai dividir o espaço com a Domno, a empresa especializada na produção do espumante Ponto Nero e na importação de vinhos finos. Em 2008, a Valduga adquiriu as antigas instalações da Domecq e deu início ao seu projeto de diversificação.

Além da fabricação da própria bebida, a Domno representa 18 marcas, de sete países. “A importação nos permite trabalhar o portfólio em conjunto”, diz Jones Valduga, diretor administrativo e financeiro. Em sete anos, o negócio representa quase um quarto do faturamento total do grupo de aproximadamente R$ 110 milhões, segundo estimativas de mercado (o grupo não confirma o valor). A decisão mais recente da família Valduga foi adquirir a empresa de cosméticos Vinotage, de Garibaldi, que pertencia à farmacêutica Morgana Franzoni.

Apesar do histórico da marca no uso de uvas finas para a produção de cremes e loções, o grupo está estudando com cuidado esse mercado, que movimenta mais de R$ 50 bilhões por ano no Brasil. A marca Vinotage também será utilizada num spa do vinho que ficará dentro da Vila Valduga, o complexo turístico que abriga a pousada e o restaurante dentro da sede do grupo. “É interessante essa expansão da Valduga, mas a ampliação de portfólio vem acompanhada pela complexidade na gestão”, afirma Maximiliano Bavaresco, sócio da consultoria de marcas Sonne.

A Valduga está preparando a terceira geração da família para assumir os negócios. Eduardo, com experiência de quase uma década em vinícolas argentinas como Norton, Séptima e Cobos, passou a ser o diretor geral. Jones foi supervisor de vendas para a América Latina da fabricante de peças automotivas Fras-Le antes de assumir a direção financeira. Mas eles contam com o respaldo de Juarez, João e Erielso, os três irmãos que desenvolveram a vinícola. O enólogo João continua dirigindo seu Fusca, o único que encara as ladeiras onde estão os parreirais; Erielso se dedica ao “chão de fábrica”, onde nenhuma garrafa fica fora de lugar; e o presidente Juarez comanda o negócio longe do escritório, onde tem uma mesa com apenas um caderno e uma calculadora. Os novos tempos são de mudança, mas a Valduga não abre mão do seu terroir.

 



Veículo: Site IstoÉ Dinheiro

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