Sucos prensados atraem novos empreendedores

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O consumidor brasileiro está bebendo mais sucos prontos. De acordo com dados da consultoria Nielsen, as vendas da bebida no varejo, em volume, cresceram 10,5% nos primeiros oito meses de 2013, ante o mesmo período de 2012. Produtos com apelo saudável, prensados a frio ou funcionais estimulam a abertura de novos negócios. Empresas do setor planejam lançar serviços de entregas on-line e linhas de produtos para crianças.

Márcia Marques, diretora executiva da Juice Club, abandonou uma carreira de executiva em multinacionais para se dedicar ao setor de bebidas prensadas a frio, que não levam água, açúcar ou conservantes. A empresa foi criada há dois meses e oferece 25 tipos da bebida, além de três "shots" energizantes de gengibre com maçã e frutas vermelhas.

Antes de abrir o negócio, Márcia fez pesquisas sobre o setor em países como Austrália e Estados Unidos. "Queria conhecer os 'mestres' do segmento e a tecnologia envolvida nos processos de produção e embalagem."

Com dois meses de operação, a empresa de oito funcionários inaugurou o primeiro quiosque de vendas no Shopping Nações Unidas, na região da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, em São Paulo. Atende, em média, 1,5 mil clientes ao mês e estima um aumento de 30% nos negócios até dezembro, com a chegada do verão.

"As entregas pela internet devem começar este mês", diz. Para viabilizar a operação de e-commerce, desenvolveu embalagens que garantem a refrigeração dos produtos por um período mínimo de cinco horas. Em 2015, o plano é abrir até três quiosques e duplicar o quadro de funcionários, com investimentos de R$ 200 mil. "O modelo de franquias está em estudo. Semanalmente, recebo e-mails com esse tipo de solicitação."

No balcão, o carro-chefe do cardápio, responsável por cerca de 35% do total de pedidos, é o suco de maçã, pepino, gengibre, limão, couve e espinafre. Os preços vão de R$ 14,90 a R$ 19,90 para uma garrafa de 500 ml. Os shots custam R$ 4,60 e as unidades de 200 ml são vendidas de R$ 7,30 a R$ 8,90.

Nessa fase inicial do negócio, Márcia diz que precisa driblar dificuldades como a ameaça de falta de água em São Paulo e as frequentes remarcações de preços dos fornecedores de hortifrúti, que podem queimar as margens de lucro. "Para se ter uma ideia desse impacto, compramos aproximadamente duas toneladas de alimentos ao mês. Alguns centavos realmente contam nessa hora." O setor de sucos prensados no Brasil também ganhou mais concorrentes no último ano, como a franquia americana Urban Remedy e marcas como ItGreen e Press Juice.

Há mais tempo no mercado, desde o final de 2012, a Uuulalá aposta nos sucos funcionais e alega pioneirismo no mercado nacional. Fundada por três amigas - Ana Isabela Ferrantte, Juliana Henrique e Bianca Franchini - oferece oito opções de sucos e faturou cerca de R$ 1 milhão em 2013. A previsão até dezembro é faturar R$ 500 mil a mais. "As pessoas estão se preocupando mais com a saúde", justifica Bianca.

Com onze funcionários, a marca envasa os sucos em São Bernardo do Campo (SP), com uma produção de sete mil litros ao mês. A meta, neste verão, é chegar a dez mil litros mensais. Os preços dos sucos variam de R$ 9,50 a R$ 19 e são vendidos em mais de 50 lojas no Brasil.

No próximo ano, as sócias querem ampliar o volume de revendas e investir cerca de R$ 100 mil em maquinário. "Não houve crise em 2014. Foi um ano maravilhoso", diz. "Temos pouca verba e, por isso, nossa curva de crescimento é lenta, mas sólida."

A WNutritional, aberta no ano passado, está apostando no Luminus Life, um suco funcional de baixa caloria, vendido em quatro sabores: uva com cranberry, laranja, pêssego e manga. "A ideia de criar a empresa surgiu em 2007, quando cursava um MBA nos Estados Unidos", diz o sócio-diretor Daniel Feferbaum. "Notei nas gôndolas dos mercados muitos sucos enriquecidos com nutrientes."

O mercado de alimentos funcionais no Brasil movimenta US$ 10 bilhões, segundo o Instituto Euromonitor. O consumo per capita nos EUA é de US$ 101, enquanto aqui bate nos US$ 50. No mundo, o setor de alimentos funcionais deve crescer 19%, até 2017.

Com 15 funcionários, Feferbaum começou a operar em 2014 e deve fechar o ano com R$ 3 milhões de faturamento. A produção terceirizada em Araguari (MG) entrega 80 mil litros ao mês. "No próximo ano, devemos produzir 200 mil litros mensais." A fabricante está abrindo novos canais de venda com distribuidores e pequenos varejos. Um programa de degustações em supermercados deve continuar em 2015. Nas prateleiras, o suco de 200 ml é vendido por R$ 2,90 e o de um litro vale R$ 10,50.

Em março, a WNutritional deve lançar uma linha de sucos para o publico infantil. A estimativa é investir R$ 5 milhões em desenvolvimento de mercadorias e marketing, no próximo ano. "O maior desafio é explicar o produto funcional para o consumidor. Quanto mais conseguirmos fazer o comprador entender que ele não está bebendo apenas um suco, maior será o nosso sucesso", diz. Por enquanto, de acordo com Feferbaum, seus concorrentes indiretos são marcas como a do bem (em minúsculas mesmo) e a Juxx.

Marcos Leta, fundador e presidente da fabricante carioca do bem, fundada em 2009, diz que vai ampliar a distribuição no Brasil e criar novos produtos. Está presente em mais de 15 mil pontos de venda no país, além de exportar para 300 lojas na França e Espanha. Oferece 11 sabores de bebidas, entre sucos naturais, funcionais, água de coco e mates. A empresa, que não revela números de produção e faturamento, tem 50 funcionários diretos.


Bebidas gaseificadas e chás de folhas inteiras são nichos



Empreendedores de nichos específicos de bebidas, como chás de folhas e opções gaseificadas, investem em diferenciais competitivos como a origem da produção e novos canais de distribuição. A Chá Yê! entrega itens de mais de dez regiões produtoras da China, enquanto a Gloops, de sucos naturais gaseificados, escolheu as escolas para ampliar as vendas. A meta é chegar em 500 estabelecimentos, no próximo ano.

Literalmente de olho em um "negócio da China", os sócios Caio Silva Barbosa e João Campos decidiram criar, há três anos, uma distribuidora de chás chineses de folha inteira. A Chá Yê!, com escritórios em São Paulo e Iperó (SP), faz entregas on-line e mantém uma linha de itens para empórios e restaurantes. "Estamos presentes em cerca de 35 estabelecimentos", diz Barbosa.

O empresário lembra que a ideia de criar a companhia surgiu com o aumento da demanda por chás "premium" e a ausência de opções de folha inteira no Brasil. "Campos morava na China em 2010 e entrou em contato com a cultura do chá. A partir daí, começamos uma jornada no país para mapear os principais produtores."

A empresa vende itens de mais de dez regiões produtoras da China. Faturou R$ 250 mil em 2013 e prevê R$ 365 mil em 2014, alta de 46%. Atualmente, entrega 35 tipos de chás, divididos em sete famílias, como verdes e pretos. Os preços vão de R$ 11 a R$ 45.

Gustavo Siemsen, sócio-fundador da Gloops, preferiu apostar no segmento de sucos naturais gaseificados. São três opções de sabores - maracujá com limão, limão siciliano com hortelã e framboesa com limão - em embalagens de 300 ml. Custa R$ 6.

A marca foi lançada em novembro de 2013 e mira o público adolescente. "O produto é distribuído principalmente em cantinas de escolas", diz Siemsen, ex-diretor de marketing da Pepsi. O empresário tem seis funcionários e planeja faturar R$ 880 mil em 2014. A previsão é obter um faturamento de R$ 2,5 milhões em 2015, e de R$ 22 milhões, em 2018. A produção é terceirizada e entrega seis mil litros mensais.




Veículo: Valor Econômico


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